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Digital Foundry - LA Noire na Switch - a consola aguentaria com GTA5?

O primeiro jogo da Rockstar para a Switch revela os potenciais desafios nessa conversão.

L.A. Noire chegou à PlayStation 4 e Xbox One, mas as nossas atenções foram para a conversão Nintendo Switch que apresenta o primeiro mundo aberto deste tipo a correr na híbrida da Nintendo. É o primeiro jogo da Rockstar na consola e ficamos a pensar no que mais estão a planear para ela. Será que os jogos Grand Theft Auto estão a caminho da Switch? É possível converter com sucesso estes jogos? L.A. Noire não responde a todas as questões, mas revela possíveis desafios numa conversão dessas.

L.A. Noire foi criado com o processador Cell da PS3 em mente e essa foi a melhor versão do original: a PS3 conseguia correr um enorme jogo em mundo aberto feito à imagem de Los Angeles, com ciclos dia e noite, clima, físicas, NPCs e trânsito. Tudo isto dependia imenso das unidades de processamento satélite da máquina - as SPUs - e o resultado é uma versão Switch que depende de apenas 3 núcleos CPU ARM a 1GHz, sofrendo cortes óbvios.

Mas vamos ao positivo primeiro. Na Switch, tens todo o mundo de L.A. Noire para explorar - não há nada igual numa portátil. O jogo corre a 1920x1080 na dock - tal como na PS4. No entanto, foi implementada uma resolução dinâmica, que reduz a resolução dependendo da carga - e pode descer para 1440x1080. Por outras palavras, o jogo desce a resolução horizontal e em ruas movimentadas, desce para 75% da resolução nativa. Mas mesmo a 1440x1080, a Switch apresenta mais detalhe do que a 1280x720 nativa da PS3.

O modo portátil usa uma técnica similar. Tens 1280x720 nativa, a mesma resolução que na PS3. No entanto, quando é preciso, o eixo horizontal é novamente ajustado - para 960x720. Comparada com a anterior geração, em modo dock, a Switch tem poder de sobra, mas os programadores têm de usar a sua criatividade no modo portátil - factores a ter em conta num possível GTA. No entanto, a Switch tem uma GPU mais moderna e tem acesso a uma versão remasterizada, melhorada do jogo.

L.A. Noire Remaster na Switch, PS4 e PS3.

Primeiro, as texturas foram melhoradas, a versão PS4 oferece arte com melhor qualidade em todas as áreas. A Switch geralmente usa as texturas ao nível das da PS3 para os NPCs e carros. No geral, está muito aproximada - mas existem pontos em que está claramente melhorada, como nas texturas do chão. A Switch representa um meio termo entre a PS3 e a PS4 em termos de funcionalidades visuais.

A qualidade das sombras também foi melhorada, a versão PS4 oferece sombras melhores, enquanto a Switch usa uma implementação similar, mas com uma qualidade ligeiramente inferior. Mas é na mesma uma grande melhoria sobre o original na PS3. A melhoria fica ainda maior com a oclusão ambiental - na dock, a Switch usa uma técnica mais subtil, com um aspecto mais realista. Muda radicalmente o aspecto do jogo sobre o que tens na PS3 e é uma melhoria bem-vinda. Na PS4, tens uma abordagem similar, com sombras mais espessas em torno dos objectos.

As melhorias na Switch são muito boas, mas é aqui que terminam os benefícios e começam as inferiorizações. Este é um jogo construído a pensar na PS3 e a arquitectura da Switch é diferente o suficiente para dificultar a transição de certos aspectos. Na dock, a Switch tem distâncias de visão piores que as da PS3. Objectos como bancos, bocas de incêndio e pequenos arbustos surgem mais perto de ti na Switch. Os edifícios à distância também, existe um corte na distância a que a Switch gera a geometria. É o mundo aberto mais ambicioso na Switch, mas é um corte demasiado forte. Além disso, L.A. Noire não tem a sofisticação de GTA, o que sugere mais implicações numa potencial conversão desse jogo.

Apesar dos cortes, é na mesma L.A. Noire e funciona. Mesmo com a distância de visão limitada, é na mesma uma versão satisfatória que corre bem. De várias formas, é uma versão com resolução superior do original, ao ponto de manter alguns compromissos da PS3. Os reflexos correm a 15fps no topo do carro e janelas das lojas. Tal como na PS3, o jogo corre a 30fps na Switch, mas corre a metade disso nestes elementos. Apenas se torna perceptível com a câmara perto do capote do carro, na PS4 todos os reflexos correm a 30fps - e numa resolução superior.

PlayStation 4Switch DockedSwitch PortablePlayStation 3

L.A. Noire foi bem convertido para a Switch. Seja na dock ou mobile, a resolução ajusta-se de forma dinâmica.

PlayStation 4Switch DockedSwitch PortablePlayStation 3

A qualidade das texturas divide todos os formatos. A Switch fica aquém das texturas nítidas da PS4 - usando os bens ao nível dos da PS3.

PlayStation 4Switch DockedSwitch PortablePlayStation 3

A distância de visão é inferiorizada em modo portátil. Na dock, os objectos surgem a uma distância superior.

PlayStation 4Switch DockedSwitch PortablePlayStation 3

O brilho está melhorado na PS4.

PlayStation 4Switch DockedSwitch PortablePlayStation 3

A qualidade dos reflexos está melhorada na PS4 e corre a 30fps, na Switch e PS3 corre a 15fps.

PlayStation 4Switch DockedSwitch PortablePlayStation 3

A qualidade das sombras foi melhorada na Switch em relação às da PS3.

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O modo portátil da Switch reduz o filtro de texturas.

PlayStation 4Switch DockedSwitch PortablePlayStation 3

A versão Switch pode ter alguns limites, mas é uma versão completa que bate a da PS3 em vários aspectos - especialmente na qualidade de imagem.

Curiosamente, o refrescamento está a 15fps para os NPCs à distância - mas isto acontece em todas as versões, até na Xbox One X. A partir daqui, as diferenças entre versões são ligeiras; a Switch fica aquém em termos de distância de visão ao lado da PS3 e PS4. O único contraste aqui é o brilho aumentado na PS4 comparado com a Switch na dock e PS3 - significando que o néon se destaca mais à noite. No geral, é um pequeno bónus e o facto da PS4 aguentar 1080p nativa com texturas superiores, melhores sombras e oclusão ambiental são os principais benefícios da versão. É mais consistente.

A Switch tem os seus problemas, mas consegue uma boa experiência tendo em conta a sua tecnologia. No que diz respeito à dock a questão é como se compara com o original na PS3 e a versão PS4? Infelizmente, o jogo corre frequentemente a 30fos, mas existem dificuldades em aguentar isso se existirem muitos NPCs e carros na cena. Talvez seja um possível gargalo na CPU; muitos personagens numa área podem causar a Switch a descer para baixos 20s.

Quando passa por dificuldades, a Switch pode ter pior performance do que o original na PS3, sendo interessante ver muitas das mesmas quedas nas duas consolas. Isto sugere que a Switch tem problemas em lidar com o mundo aberto e muitas das interacções com a I.A. e físicas dos veículos causam quedas abaixo da performance da PS3. Na PS4 tens 30fps perfeitos.

As quedas são uma pena, mas existem problemas mais graves. O bloqueio a 30fps é acompanhado por um ritmo de fotogramas desequilibrado, significando que uma perda pode causar um conjunto de subidas para 16ms no tempo de fotogramas, criar um aspecto errático em movimento. Outro problema surge devido a isto pois a velocidade do gameplay também é afectada, o Detective Phelps parece arrastar-se em alguns pontos - algo que não acontece nas outras versões. A Switch dá aos programadores três núcleos ARM Cortex A57 mobile, comparado com o núcleo 3.2GHz do Cell - alguns podem sentir que a performance comparável é espantosa, mas realça o desafio fundamentam numa possível conversão de GTA: físicas, simulação, animação - pesadas para a CPU, um aspecto onde a Switch não brilha.

O quão sofisticados são os sistemas do jogo? Não está no mesmo patamar do RAGE em GTA, mas é um mundo rico na mesma.

L.A. Noire é um resultado misto, especialmente tendo em conta a performance. A sua salvação é a existência de um modo portátil, que torna mais difícil ver estes cortes. Sejam as quedas no rácio de fotogramas ou os problemas no streaming de texturas e distância de visão, não se destacam tanto no pequeno ecrã. Tendo em conta a queda no poder da GPU em mobile, L.A. Noire aguenta-se bem. O rácio de fotogramas cai de forma similar - para baixos 20s - nas áreas mais exigentes. Sugere, mais uma vez, que a CPU limita a máquina, tendo em conta que o relógio da CPU permanece igual na dock ou mobile. O jogo não corre mal; na maioria do tempo corre a 30fps em modo portátil, mas não são perfeitos.

Com a excepção da resolução, é a mesma experiência na Switch. Tens a mesma qualidade de sombras, reflexos e texturas ao correr em portátil. No entanto, existem três aspectos em que está inferior comparado com a dock - a distância de visão é a mais óbvia. Uma condução sincronizada mostra árvores que surgem muito mais perto de ti em mobile, um corte aceitável tendo em conta a escala do mundo. Ainda assim, jogar no ecrã mais pequeno torna mais difícil reparar no detalhe distante - sendo uma boa decisão para poupar na performance. A oclusão ambiental também foi removida, dando um aspecto mais leve ao mundo - é pensa desaparecer, mas não é muito perceptível no pequeno ecrã. O filtro de texturas também está pior, talvez devido a resolução inferior.

Tal como DOOM, L.A. Noire aguenta-se bem como um jogo mobile, mais do que na dock. Já vimos Skyrim e Zelda: Breath of the Wild como exemplos de jogos em mundo aberto, mas L.A. Noire é mais ambicioso. O mundo está repleto de partes em movimento; os veículos e o detalhe no mundo ao conduzir pelas ruas - sem falar nas interrogações com o MotionScan. Comparar a Switch na dock com a PS4 não é lisonjeador, especialmente tendo em conta a performance. Mas como experiência portátil, mesmo com os cortes, não há nada igual.

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Para terminar, vale a pena olhar para a Xbox One X. Usámos a PS4 como principal ponto de comparação para descobrir onde se encaixa a versão Switch, mas a Xbox One X recebe uma melhoria básica, passando de 1080p para 4K. O jogo corre na mesma a 30fps e as texturas e sombras são as mesmas da PS4 base - mas aguenta-se bem. Combinado com a melhoria na qualidade do filtro de texturas, é um suporte básico para a consola - mas eficaz. Esta versão também muda a forma como é gerada a oclusão ambiental. Suaviza o efeito e fica mais perto do que tens na Switch. De resto, é o mesmo jogo e talvez a melhor maneira de o jogar numa consola.

Mas as consolas 4K não são o mais interessante na história de L.A. Noire. A forma como a sua conversão foi gerida diz-nos muito dos desafios que os programadores enfrentam ao converter jogos de mundo aberto para a Switch. É bom ver as editoras a puxar pela Switch, mas parece que apesar da GPU ser muito mais capaz do que as consolas de anterior geração, a híbrida da Nintendo não tem poder CPU para acompanhar e o mundo de L.A. Noire não tem a muita da fidelidade presente no motor RAGE. GTA tem muitos mais NPCs, com comportamentos mais ricos, simulações e físicas mais avançadas. Esta conversão funciona e abre a porta para jogos GTA na consola, mas como correriam e até que ponto poderia melhorar os assets e tecnologia dos remasters de actual geração é algo que não sabemos.

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