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Uncharted encontra-se com MGS5: uma junção harmoniosa em O Legado Perdido

Digital Foundry - A Naughty Dog consegue inovar dentro dos seus limites.

A estonteante tecnologia da Naughty Dog alcança novos horizontes em Uncharted: O Legado Perdido.

Cerca de um ano após o lançamento de Uncharted 4, a Naughty Dog adiciona um novo jogo à franchise, ainda que seja mais pequeno. Alterando o seu protagonista e localização, Uncharted: O Legado Perdido proporciona uma experiência tradicional e inovadora. As aventuras frenéticas de Nathan Drake são substituídas por uma história menos extensa, focando-se apenas numa localização. No entanto, existe um forte argumento, o qual sugere que o gameplay se tornou mais extenso por consequência. Em Legado Perdido, a típica história linear de Uncharted introduz novos elementos, tais como cenas de infiltração mais acentuadas e elementos de stealth e exploração a tomarem lugar numa área maior, e neste sentido Uncharted incorporou mecânica reminiscentes de Metal Gear Solid 5, e até mesmo de Crysis. As boas notícias são que esta evolução valeu a pena.

De certa forma, isto acaba por ser uma consequência da própria natureza de Legado Perdido, pois trata-se de um tipo de produção diferente. Aquilo que começou como um simples DLC, acabou por se tornar numa aventura standalone, mas esta produção acelerada também traz uma diferente perspetiva desta série, assim como uma nova forma de explorar a estonteante tecnologia da Naughty Dog. Para além disso, até podemos argumentar que O Legado Perdido é, de certa forma, um protótipo daquilo que um Uncharted open world se pode tornar.

Assim que completas a sequência linear, mas cheia de adrenalina, alcanças umas ruínas Indianas, nas quais vais procurar um tesouro. Uncharted 4 já fez algo semelhante a isto na secção em que Drake e os seus amigos conduzem um veículo todo-o-terreno em Madagáscar, mas O Legado Perdido leva isto mais além oferecendo diversos objetivos que podem ser visitados na ordem que quiseres, assim como também possui fortificações inimigas e missões bónus. É neste sentido que o novo Uncharted integra alguns aspetos de MGS5, apesar de ser importante frisar que o mapa de O Legado Perdido não se pode comparar com o do clássico de Kojima, pois não se trata de um mapa extremamente vasto, ao contrário daquele que existe em MGS5.

No entanto, o novo design puxa os limites da tecnologia da Naughty Dog, integrando um mapa muito maior do que alguma vez a série Uncharted integrou. E apesar disto, a densidade do mapa é equiparável às áreas mais detalhadas de Uncharted 4. É este sentido de dimensão que providencia o maior sentimento de mudança: a Naughty Dog confirmou que O Legado Perdido não tem nenhuma mudança significante a nível de render, mas este jogo proporciona uma experiência refrescante devido à sua dimensão e às tarefas que o developer criou para o jogador.

John Linneman apresenta uma análise detalhada do Uncharted: O Legado Perdido. A tecnologia pode parecer familiar, mas a forma que foi implementada apresenta um novo estilo de gameplay.

O facto da Naughty Dog se ter focado em apenas uma localização também foi algo que resultou muito bem, pois sem a típica aventura à volta do mundo, a aventura de Legado Perdido acaba por proporcionar um sentimento de coesão. A Índia possui uma folhagem densa que preenche o ambiente, enquanto que as estruturas de pedra elaborada proporcionam as bases para os templos deste jogo. Vais passar de cenas bonitas com água cristalina que reage a cada passo que dás, para ambientes lamacentos e chuvosos, nos quais deixas para trás pegadas realistas graças à parallax occlusion mapping.

Olhando para a tecnologia que o developer tem à sua disposição, O Legado Perdido faz um uso extensivo das técnicas disponíveis, resultando numa experiência imersiva. A vegetação reage realisticamente à medida que te moves através dela, enquanto as sombras são marcadas por lufadas de fumo. As texturas permanecem altamente refinadas, passando de lama e pedra detalhadas para pele e tecidos elaborados, a qualidade das texturas em O Legado Perdido são tão boas como as de Uncharted 4.

As áreas mais urbanas também são ricas em detalhes, possuindo centenas de bugigangas ao longo de todas as cenas. Apesar de o ciclo de desenvolvimento ter sido mais curto, a atenção prestada aos detalhes continua a ser impressionante. Outro aspeto que conecta todos os aspetos do jogo é a iluminação: desde ruas melancólicas a ruínas com um ambiente imersivo, Uncharted continua a proporcionar iluminação realística, apesar de ser estilizada. A reflexão também recebeu atenção por parte da Naught Dog, alterando as misteriosas técnicas de iluminação global pré-calculadas de Uncharted 4, enquanto que a empresa também fez bom uso da iluminação volumétrica, criando sequências bonitas com vários raios de luz. Resumidamente, não há dúvida de que O Legado Perdido seja um jogo estonteante. Até podes ficar surpreso com o facto de que a tecnologia usada neste jogo não evolui na mesma forma que aconteceu no jogo anterior, de acordo com aquilo que a Naughty Dog. Relativamente à tecnologia da próxima geração teremos que esperar pelo The Last of Us 2.

Aqui podes ver um vídeo de comparação entre a revelação inicial e a versão final de O Legado Perdido!

Mas e então, como se compara O Legado Perdido na PS4 e na PS4 Pro? Tal como devias suspeitar, é um re-run de Uncharted 4 em vários aspetos. O developer entrega imagens de topo de gama em ambas as consolas graças ao excelente Temporal Anti-aliasing que elimina o shimmering e as extremidades dentadas. A PS4 standard corre o Legado Perdido em 1080p nativos, mas a situação na Pro é mais ambígua. A nossa opinião é que corre a 1440p, mas o pixel-counting produz diversos resultados. Tal como era esperado, a média são os 1440p, mas algumas áreas ficam abaixo deste número, enquanto que algumas vão mais além e ultrapassam estes números. É complicado descobrir se estamos perante uma resolução dinâmica, se simplesmente estamos perante um caso de post-processing passes, ou se é o Temporal Anti-Aliasing que está interferir com o pixel-counting. De qualquer forma, o resultado final continua a ser uma apresentação melhorada nos ecrãs 4K, virtualmente não tem nenhum tipo de manipulação, mas continua a ter o inevitável upscaling, enquanto que os jogadores podem fazer downsampling caso queiram jogar num ecrã 1080p.

No entanto, para além disto, não existem outras melhorias para os utilizadores da Playstation 4 Pro. Estamos perante uma situação interessante: por um lado, é muito bom que os jogadores de ambas as consolas tenham uma experiência semelhante, mas por outro lado, a implementação na PS4 Pro não parece ser tão robusta ou ambiciosa como a de outros jogos, tal como a de Horizon Zero Dawn. Não sabendo qual é o limite, é difícil saber se a Naughty Dog podia ter levado a implementação na Pro mais além, mas a Naught Dog deverá ser capaz de nos mostrar todo os seu potencial na PS4 Pro com o Last of Us Part 2, pois a tecnologia melhorada pode ser construída a pensar nesta consola.

Relativamente à performance, as notícias são maioritariamente positivas. Ambas as consolas correm o jogo com 30 fps bloqueados, mas fluídos na maioria do jogo. Alguns cenários mais exigentes devido a chuva torrencial, vegetação e outros efeitos de transparência podem fazer com que o Legado Perdido possa cair abaixo dos 30 fps. Mas de forma geral, estes slow-downs são extremamente raros, fazendo com que estes momentos tenham um maior impacto quando realmente acontecem. Para um jogo focado no single-player, tal como o Uncharted é, a performance é sólida, equilibrando gráficos bonitos com uma taxa de fps estável, a qual funciona bem independentemente se estiveres usar uma PS4 ou uma Pro.

Há algumas semanas atrás abordamos o Legado Perdido pela primeira vez, focando-nos no gameplay linear mas mais extenso, aquilo que faz com que este jogo se destaque.

Não podemos testar o multiplayer devido ao estado pre-release do jogo e à falta de jogadores, mas jogamos um pouco do modo survival, um modo adicionado ao Uncharted 4 no ano passado. Ao contrário do modo competitivo, este está limitado a 30 fps, tal como a campanha. Tendo em conta que este modo é focado na IA das diversas ondas de inimigos, isto não é uma grande surpresa, mas por outro lado, a resolução é de facto impressionante. Na PS4 standard, o modo survival corre a 1080p, enquanto que o modo competitivo corre a 900p. No entanto, na PS4 Pro o modo survival também é limitado a 1080p, em vez de ter suporte para resoluções mais elevadas tal como no modo campanha, algo um bocado desconcertante para os utilizadores da Pro.

Em suma, o Legado Perdido é uma experiência interessante, a qual oferece a melhor proporção de tempo de desenvolvimento e de duração de gameplay proporcionados por este estúdio. Sim, isto pode ser uma forma estranha de avaliar um jogo, mas estamos acostumados a esperar bastante tempo por cada projeto da Naughty Dog. Por outro lado, é muito fácil de descobrir como é que este jogo foi produzido num período de tempo mais curto, tendo em conta que não possui tantos momentos bombásticos como o Uncharted 4 possui. Reduzir a ênfase nos aspetos característicos desta série pode ser uma consequência de um orçamento mais pequeno e de um tempo de produção mais curto, mas aquilo que é fascinante é a forma pela qual a Naughty Dog encaminhou o jogo em novas direções a nível de game design, de forma a compensar.

As mudanças no ritmo e na fluidez são fascinantes em alguns aspetos, o design do mapa é mais semelhante ao de Crysis do que ao de um mundo aberto típico, e isto é algo definitivamente bom. Continua a ser algo restrito, mas agora existe mais liberdade na forma pela qual abordas cada cenário. As mudanças que a Naughty Dog introduziu focam-se mais no aspeto stealh do jogo, no qual até mesmo pequenas mudanças podem ter um impacto profundo na forma como se joga este jogo. Um exemplo disto foi a introdução da pistola silenciosa: esta arma era exclusiva do modo multiplayer do Uncharted 4, mas agora está presente no modo single-player de o Legado Perdido, fazendo com que o stealth seja mais divertido do que nunca.

Mas a ideia crucial a reter é a forma pela qual a Naughty Dog criou um jogo de mundo aberto dentro de uma estrutura linear, e vai ser interessante ver como é que este design influencia o Last of Us Part 2. Baseando-nos naquilo que vimos aqui, é fácil imaginar o próximo jogo desta equipa a tomar partido de espaços maiores, enquanto que mantém os aspetos que tornaram estas séries tão cativantes e atraentes. No entanto, focando-nos no presente, vale a pena jogar o Legado Perdido. Está a ser vendido por um preço razoável, tem bastante conteúdos, e mantém a apresentação impressionante da série Uncharted. Os valores de produção continuam a ser fortes, os visuais são ricos e apesar de haver um sentimento de familiaridade no núcleo do gameplay, o Legado Perdido é um produto do espírito mais experimental da Naughty Dog: usou as ferramentas e tecnologia que tem à sua disposição para criar algo familiar e reconfortante, ao mesmo tempo que cria algo mais extenso e vasto. Tal como o Uncharted 4, este jogo é obrigatório.

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