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Splatoon 3 review - Danados para a pintura

Esta tinta não seca.
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Grande parte da sua estrutura é herdada dos jogos anteriores, mas a nova campanha reforça a experiência a solo e no online há novas armas e cenários.

Com uma sequela lançada para a Switch em 2017, Splatoon 3 é o segundo Splatoon a chegar à consola híbrida da Nintendo, ainda que com um intervalo de 6 anos. O original da série mostrou-se refrescante, quando foi lançado em 2015 para a Wii U, especialmente no quadro dos shooters na terceira pessoa, ao levar a que os jogadores pintem mais área de jogo com a tinta da sua equipa, no modo online, enquanto que na aventura para um só jogador o prato forte é constituído pelas batalhas contra exércitos inimigos e vários puzzles embrenhados nas mecânicas. Do ponto de vista artístico, Splatoon sobressai pelo colorido, pelas estética vibrante e por uma certa espessura da tinta, o que confere uma dimensão bastante realista no meio envolvente quando as batalhas atingem o auge, ao mesmo tempo que as personagens e o próprio universo parecem oriundos de uma autêntica animação.

Nestes sete anos que leva Splatoon, a Nintendo conseguiu apurar um conceito de batalhas com tinta no âmbito dos shooters na terceira pessoa. Partindo de influências como o “paintball” ou mesmo Super Mario Sunshine, que com a sua bomba às costas era capaz de apagar as manchas de tinta da ilha Delfino, atravessou territórios menos convencionais, como a transformação dos Inklings, na sua forma humana, numa lula capaz de mergulhar e nadar ao longo do rasto de tinta projectado pela sua arma. Esta transformação adquire um sentido estratégico e posicional nas batalhas, ao permitir que os jogadores avancem camuflados ao mesmo tempo que recarregam o depósito de tinta. Splatoon é um shooter diferente, irreverente, que não é difícil de aprender mas pode tornar-se num desafio quando jogado ao mais alto nível.

Olhando para esta terceira edição, o que ressalta é desde logo a manutenção das mecânicas presenteadas nos jogos anteriores. A Nintendo optou por não mexer no crucial das regras de jogo e no funcionamento do conceito. Até na própria estrutura do jogo se divisa uma definição algo conservadora ao constatar-se que quase todos os modos de jogo transitam do anterior, ao ponto de inicialmente se confundir um pouco a experiência de Splatoon 2 com o novo jogo. No entanto, há toda uma nova campanha single player, com novos níveis, um desenvolvimento das opções de jogo dentro das emblemáticas Turf Wars, mais armas novas, opcionais, acessórios e roupas. No fundo Splatoon 3 desenvolve as bases do pretérito jogo. É menos revolucionário do que muitos gostariam de ver, mas nem por isso deixa de proporcionar magníficos desafios, tanto online, como na vertente single player. E aquilo que faz mais uma vez é de forma consolidada e consistente.

A caminho de Splatsville

Se jogaram a última Splatfest por certo que tiveram oportunidade de conhecer a nova localização chamada Splatsville, que à semelhança da anterior Inkopolis funciona como área central ou “hub” a partir da qual acedem aos mais diferentes destinos. A representação desta mega metrópole, algo futurista e inspirada nas grandes cidades asiáticas é o ponto de partida, na qual se juntam as personagens Inklings e Octolings. Existem inúmeras lojas onde podem adquirir uma variedade de objectos. Desde roupas e acessórios, até aos adereços do vosso cacifo, quase tudo pode ser adquirido e gerido a partir dali, circulando livremente pela cidade ou acedendo directamente através de um menu para um mais rápido acesso. No entanto, alguns destes serviços e lojas só ficam disponíveis após a subida de nível proporcionada pelas batalhas online, o mesmo sucedendo com os modos de jogo.

Com a nova Splatsville chega também uma nova história (Return of the Mammalians), desta vez numa zona específica e gelada que compreende seis grandes áreas, chamada Alterna. Funciona como uma dimensão alternativa que resulta do caos verificado após um evento pós apocalíptico. O território e as suas áreas, com uma área central de um foguetão, estão cobertas por uma estranha substância que encobre grande parte, bloqueando acessos e retendo a progressão da nossa personagem. Este organismo vivo é no entanto sensível aos ataques do pequeno acompanhante “Smallfry” da nossa personagem, o New Agent 3, que a troco de ovos de salmonids ganhos nos níveis completados, abre caminho, dando acesso a novos níveis e desafios.

A estrutura destes níveis corresponde a um conjunto de desafios. No fundo eles servem de aprendizagem a todos os movimentos e sobretudo às armas disponíveis e aquilo que podemos fazer com elas. A primeira parte, de acesso a Alterna, é quase similar à de Splatoon 2, mas assim que entramos nos níveis mais avançados do mundo de Alterna, surgem mais desafios, com objectivos novos e diferenciados. Desde pintar a totalidade de uma Moai, uma enorme cabeça da ilha da Páscoa, até ao zipcaster, como arma nova, com a qual projectamos a corrente a uma coluna ou superfície distante, quase todos os níveis funcionam como áreas desenhadas para um determinado desafio.

Por em prática as habilidades proporcionadas pelas armas, assim como a melhoria dos poderes da nossa personagem e de “Smallfry”, através de um sistema útil de evolução, só torna o desafio mais consistente e proveitoso. Talvez não seja pela componente “single player” que Splatoon 3 mais se distingue, mas a sua estrutura é consolidada em torno destes desafios que nos mostram a versatilidade das armas e dos poderes que nos são entregues. De dimensão significativa, antecipa as batalhas e o desenvolvimento das opções online.

Mais do que simples Turf Wars

Se as Turf Wars começaram por se distinguir em Splatoon, ao ponto de duas equipas de quatro jogadores competirem num cenário de dimensão variável horizontal e vertical, pela maior quantidade de tinta despejada, depressa foram chegando adaptações e opções de jogo diferenciadas. As Turf Wars ainda constituem o grosso e o ponto nuclear das batalhas online em Splatoon 3, para um avanço rápido, mas existem mais opções a considerar, nomeadamente a Anarchy Battle.

Estas batalhas integram um sistema de escalonamento (ranking), o que significa que sobem ou regridem na tabela consoante a prestação da vossa equipa. Estas batalhas só ficam disponíveis após o alcance de um determinado nível (se jogaram Splatoon 2 poderão avançar mais depressa), o que significa que nestas batalhas militam os jogadores mais experimentados, que podem assim optar por combater num modo fechado, no qual cada jogador compete dentro de uma equipa da qual não conhece os colegas, ou então em modo aberto, podendo juntar-se para uma batalha a contar para o ranking com os amigos.

Introduzindo mais opções de combate online, as Anarchy Battles proporcionam quatro modos: Splat Zones, Tower Control, Rainmaker e Clam Blitz. Há no entanto uma nuance, já que estes modos derivam do antigo sistema de Ranked Battles de Splatoon 2, o que significa que não são propriamente uma novidade. Nas Splat Zones o objectivo passa por dominar determinadas áreas, assegurando que o adversário não neutralize o tempo que entra em contagem decrescente até à vitória. Em Tower Control vence a equipa que conseguir levar a torre até um determinado ponto da área adversária. O transporte da arma Rainmaker até à base da equipa adversária é a condição de sucesso em Rainmaker, enquanto que em Clam Blitz o objectivo consiste em apanhar amêijoas e levá-las até à baliza.

Entre os cenários colocados à disposição destas batalhas voltam a primar pelas possibilidades de avanço horizontal e também vertical, com secções onde é possível arriscar alguma actividade para os snipers e preparar as armas especiais. O Museum D’Alfonsino destaca-se pelas colecções de arte em exibição. É uma área rebuscada graças às suas redes de transportes, mas há outros cenários igualmente aprazíveis e interessantes como a Hammerhead Bridge, Mahi-Mahi Resort e o parque de diversões Wahoo World. Ainda que muitos destes cenários sejam novos, regressam cenários dos jogos anteriores, com algumas adaptações.

Salmon Run Next Wave dá sequência ao modo cooperativo no qual até quatro jogadores enfrentam hordas de Salmonids e procuram levar de vencida as sucessivas vagas. Não sendo propriamente um modo novo já que é uma importação significativa de Splatoon 2, no qual fora introduzido pela primeira vez, dá lugar a novos bosses, muitos dos quais com grande capacidade de resistência e habilidades. Estas batalhas podem ocorrer em diferentes áreas, sendo que o objectivo se mantém, vencer as sucessivas vagas de inimigos. As equipas terão alguns recursos à disposição, sendo que estas “runs” decorrem sem o espartilho dos horários anteriormente existentes. Em conclusão, as “splatfests”, como puderam experimentar há semanas, assim como as “Big Runs” funcionam como os únicos desafios adicionais em períodos específicos, com um determinado conjunto de regras, podendo os restantes modos de jogo ser usufruídos livremente a qualquer altura.

Em termos de equipamento, há muitas armas novas, a juntar às armas dos anteriores jogos, o que contribui para um reforço das diferentes categorias. Das Dualies, às Splatlings, passando pelas Chargers, Rollers e Shooters, as possibilidades de escolha são inúmeras e muito pode ser trabalhado em termos estratégicos, em função da combinação possível com os restantes membros da equipa e da forma como progridem no decurso do combate. Entre as novidades as Splatana Wipers são óptimas para cobrir maior distância e ao mesmo tempo causar ataque directo nos adversários.

Com maior versatilidade horizontal e vertical a Tri-Stringer dispara 3 linhas de esguicho de tinta, óptima para alvos em movimento mas menos eficaz na cobertura do terreno. Juntar as bombas à equação de um ataque surpresa no reduto adversário é outra possibilidade que volta a ser explorada, contando ainda com uma bateria de armas especiais para os mais variados efeitos visuais e destaques, como o zipcaster cujos tentáculos permitem à personagem alcançar plataformas elevadas e distantes entre si. Muitas delas, e à semelhança das armas, derivam dos jogos anteriores, mas há prazer a retirar de cada equipamento adicionado e usado para futuros combates.

"Há muitas armas novas, a juntar às armas dos anteriores jogos, o que contribui para um reforço das diferentes categorias"

Isto traz-nos até aqui, que Splatoon 3 recupera boa parte da estrutura do jogo anterior. É normal que os fãs dos anteriores, especialmente de Splatoon 2 reconheçam o ambiente, as mecânicas e o tipo de desafios. Splatoon 3 soa muito mais a evolução, no entanto apresenta uma nova aventura single player bem mais consistente e inventiva, com diferentes puzzles que nos levam a testar as mecânicas e a tomar conhecimento das armas e das armas especiais, com boas recompensas e muitas áreas secretas.

Em termos online é sobretudo a consistência que prevalece, e embora muitos modos e opções de jogo sejam recuperados há uma boa variedade dos meios à disposição, com ajustes e novas armas que tornam ainda mais caóticas as batalhas. Splatoon 3 não surfa a onda gigante de novidades, mas consolida o online e produz uma bem desafiante e entusiasmante campanha “single player”. Outros modos serão adicionados em tempo, pelo que também estaremos de olho nessas futuras adições.

Prós: Contras:
  • Nova e extensa aventura single player
  • Interacção com "Smallfry", o novo parceiro da aventura
  • Novas armas e armas especiais
  • Mais possibilidades de ataque e evasão
  • Novos bosses desafiantes em Salmon Run Next Wave
  • Mais verticalidade e zonas de transição rápida nos cenários
  • Splatsville com mais lojas e objectos em que investir
  • As Anarchy Battles repetem modos de jogo anteriores
  • Estrutura herdada do segundo jogo

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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