Chorus review - guerras nas estrelas

Odisseias espaciais.

É um jogo diferente com combates divertidos, mas o enredo, estrutura e alguns problemas técnicos não o deixam brilhar.

Chorus é um daqueles jogos que se consegue destacar de imediato pela sua mera existência, afinal de contas, um jogo de combate com naves no espaço é algo raro de ver e após Star Wars Squadrons, certamente que os adeptos do género ficaram com vontade por mais. Após anos a desenvolver a série Galaxy on Fire para mobile, a alemã Fishlabs decidiu que estava na hora de expandir os horizontes e apostar nas consolas e PC para uma nova experiência de combate espacial. O resultado é Chorus, um jogo com muito de bom e com uma dose equivalente de elementos menos bons.

Em Chorus, jogo de combate e exploração espacial na terceira pessoa, controlarás Nara que pretende libertar a galáxia de um culto opressivo, uma espécie de império malvado. Nara já pertenceu a esse culto, mas após cometer incontáveis atrocidades a mando do Grande Profeta, decidiu que estava na hora de se libertar e tentar emendar os erros. A bordo da Forsaken, uma nave especial que pode adquirir novas habilidades, ajudarás Nara a salvar a galáxia e pelo caminho ajudarás imensas pessoas que precisam de ajuda em missões mais banais.

Enquanto jogo de ação espacial em mundo aberto, Chorus é de imediato uma proposta muito específica e curiosa. Confesso que não me imaginava a gostar de Chorus, mas assim que o comecei a jogar senti que é uma proposta inesperadamente divertida, mas afligida por alguns problemas que provavelmente revelam a falta de experiência da Fishlabs em projetos de maior escala.

"Chorus é um jogo muito específico com elementos muito divertidos, mas existem outros mais banais.

Um dos maiores trunfos de Chorus é o gameplay, o controlo da nave e a maioria das batalhas espaciais que terás contra diversos tipos de inimigos. A Fishlabs conseguiu acertar no tom da experiência, ajustada para uma escala gigantesca, mas que rapidamente passa de um foco micro para macro. Inicialmente, a tua nave está desprovida de habilidades especiais de ataque (tem apenas uma espécie de sonar para ajudar a encontrar objetivos e pontos de interesse), mas consoante avanças no jogo vais desbloquear novas peças. Desta forma, podes aumentar o poder de fogo, a armadura e equipar mais habilidades ou perks. É uma forma de sentir a evolução e progressão em Chorus, a nave vai ficando mais rápida e poderosa consoante desbloqueias melhores componentes.

A sensação de sentir a constante necessidade de mudar de velocidade, ajustar a câmara à procura do inimigo pelo ecrã e sentir que estás em desvantagem ou com inimigos atrás de ti e aflito para contornar as situações está bem conseguida. Este é um dos melhores valores de Chorus, mas apesar do gameplay de combate ser divertido, especialmente quando começas a desbloquear mais habilidades especiais, a gestão da nave e o design da experiência em si poderá aborrecer alguns jogadores.

Equipar partes da nave adiciona uma camada extra de profundidade e gestão à experiência de jogo, mas poderá tornar-se incomodativa se quiseres desfrutar das batalhas com a nave e de uma experiência mais imediata. O próprio mundo aberto poderá tornar a experiência menos dinâmica no início, mesmo com os sistemas para acelerações espontâneas. Se adicionares um enredo que pouco te apelará e ocasionais problemas que te forçam a reiniciar as missões, Chorus torna-se numa experiência que exigirá um pouco de paciência e quase insistência. Se conseguires resistir a esses problemas, descobrirás um jogo com diversos pontos interessantes.

As missões secundárias são outro ponto sensível em Chorus, um jogo cuja qualidade visual deixa imenso a desejar quando jogado numa consola de nova geração, mas cuja banda sonora merece especial atenção (criada pelo português Pedro Macedo Camacho). As tarefas opcionais mostram o quão grande é este mundo aberto, mas também revelam que a exploração nem sempre é divertida. No entanto, precisas delas para melhorar a nave e isso acaba por afetar a experiência. Especialmente porque o mapa do jogo é demasiado confuso.

Com um gameplay divertido e uma proposta que ainda é rara de ver, Chorus tem tudo para entreter os apaixonados por combates espaciais que imaginam uma experiência em mundo aberto. Star Wars Squadrons saciou um pouco desse apetite, mas a campanha é focada em missões lineares. Chorus expande essa ideia para um mapa enorme e consegue entusiasmar com as suas batalhas. No entanto, a gestão da nave, missões secundárias, narrativa confusa e pouco interessante, sem esquecer que o design visual não tem grandes destaques, fazem com que seja um jogo para um público muito específico e mesmo assim, para alguns com a paciência para quebrar a barreira inicial.

Prós: Contras:
  • Gameplay da nave é divertido
  • Banda sonora conta com temas envolventes
  • É um jogo diferente e raro de ver atualmente
  • Qualidade gráfica deixa a desejar
  • Demasiados sistemas para aprender e gerir
  • Alguns problemas técnicos que te forçam a reiniciar missões
  • Enredo e missões extra aborrecidas

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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