Razer Raptor 27 165Hz Review - Suprema elegância

Mas está longe de ser perfeito.

Com a chegada das consolas de nova geração e de placas gráficas mais potentes da Nvidia e AMD, começou uma corrida da indústria para fornecer aos consumidores melhores ecrãs - sejam televisões ou monitores - que consigam mostrar com todo o esplendor os jogos mais recentes. A Razer juntou-se em 2019 a esta corrida com o primeiro Razer Raptor e, ainda que tradicionalmente não seja uma marca conhecida por monitores, causou impressões positivas com a sua primeira investida neste mercado. Dois anos depois, o Razer Raptor foi renovado, mantendo muitas características do original mas com um upgrade de 144 hz para 165 Hz. Este aumento significa que a nova edição do Raptor actualiza com mais frequência as imagens (neste caso, 165 vezes a cada segundo), resultando numa maior fluidez e tempo de resposta.

Embora o 4K esteja bastante em voga e seja actualmente um dos chavões do gaming, a Razer preferiu manter o Raptor de 27 polegadas com resolução de 2560 x 1440 (1440p). Pode parecer estranho à primeira vista, mas segundo o inquérito de hardware mais recente do Steam (Agosto de 2021), os monitores 1440p são consideravelmente mais populares do que monitores 4K. Os dados revelam que 9.27% dos utilizadores têm um monitor 1440p. Entretanto, apenas 1.99% têm um monitor 4K. É fácil perceber o porquê. Jogar a 4K com excelente qualidade e desempenho é uma possibilidade nos dias que correm, mas ainda bastante cara devido ao hardware necessário para tal coisa. A resolução de 1440p é um óptimo meio termo, ficando acima dos tradicionais 1080p, mas abaixo do 4K. É resolução ideal para os PCs mid-range.

Design engenhoso, prático e arrumado

A arrumação dos cabos de um monitor geralmente fica a cargo do próprio utilizador, mas com o Raptor a Razer desenhou uma solução engenhosa em que a organização dos cabos integra na própria estética do monitor. O ecrã é capaz de rodar 90° na vertical para que as portas fiquem convenientemente viradas para ti, assim não tens que andar a rodar o monitor ou a esticar-te por cima da secretária para encaixar os cabos. Colocados os cabos nas respectivas portas - estão incluídos cabos HDMI, DisplayPort, USB-C e USB-A em cor verde - apenas precisas de rodar o monitor para que o painel fique virado de frente para ti. Os cabos, em que uma das pontas faz um ângulo de 90°, fazem uma curvatura côncava, ficando escondidos atrás do monitor e bem arrumados.

Cada um dos cabos passa por uma fileira incutida na parte traseira do suporte e ficam lá presos quando colocada uma peça rectangular por cima. Enfim, uma solução prática e elegante que torna os cabos invisíveis. Todo o design e materiais escolhidos pela Razer são irrepreensíveis. A base é feita de uma única peça de metal, o que dá uma forte solidez ao monitor. A traseira está revestida de um tecido suave muito agradável ao toque e à volta da base está a característica iluminação Chroma dos produtos Razer. Para aumentares ou reduzires a altura do monitor, para que fique perfeito para a tua posição na secretária, só tens que fazer um pouco de força para cima ou para baixo. O monitor fica imediatamente fixo na altura que definiste.

A precisão de cores é fantástica, depois de alguma calibração

O Razer Raptor cobre 95% do espaço de cores DCI-P3 (o padrão para indústria cinematográfica). Não é o melhor ecrã de todos neste quesito, mas é muito respeitável, o suficiente para ficares impressionado quando iniciares jogos bastante coloridos. Supostamente, o Razer Raptor vem calibrado de fábrica, mas isso não podia estar mais longe da realidade (pelo menos, na unidade que nos chegou às mãos). Inicialmente as cores expressas no ecrã pareciam um pouco deslavadas, a fugir para o cinzento. Após uma calibração recorrendo às definições do monitor e às ferramentas do Windows, o painel ganhou outra vida. Apesar disto, o contraste podia e devia ser melhor. Confere a galeria em baixo com amostras de vários jogos PS5 com HDR activado. Há boa expressividade de cor, mas um pouco mais de contraste tornaria a imagem melhor.

O HDR é uma das funcionalidades mais requisitadas num monitor ou televisão porque faz realmente diferença. O Razer Raptor tem suporte para esta tecnologia, mas o HDR deste monitor pertence à categoria mais baixa. Há muitas categorias diferentes de HDR e, se já andaste a ver televisões recentemente, provavelmente já te apercebeste disso. O Raptor tem HDR 400, o que significa que tem um pico de luminosidade que ronda os 400 cd/m2 (é 50% mais brilhante do que um ecrã SDR). Basicamente, cumpre os requisitos mínimos para entrar na categoria de HDR, mas quanto mais brilhante é um ecrã, melhor será o HDR. Dito isto, é preciso levar em conta que a maioria dos monitores não conseguem ser tão brilhantes como uma televisão e compensam noutras características.

165Hz e suporte para G-Sync e FreeSync

O Raptor é um monitor desenhado para gaming. Uma das características mais importantes num monitor deste categoria, superando inclusive o HDR, é a taxa de actualização do painel e a rapidez da resposta. Esta segunda versão do Razer Raptor consegue uma taxa de actualização de 165 Hz e tempo de resposta de 1 milissegundo. Por outras palavras, qualquer jogo que coloques a correr no monitor terá um aspecto extremamente fluído e responderá num piscar de olhos. Estas pequenas coisas realmente aumentam a qualidade da experiência enquanto jogas e fazem a diferença até em jogos single-player. O monitor também já vem preparado para as tecnologias G-Sync e FreeSync incluídas nas placas gráficas da Nvidia e AMD, reduzindo os rasgos de ecrã e mantendo a fluidez das imagens mesmo quando a framerate soluçar.

"Qualquer jogo que coloques a correr no monitor terá um aspecto extremamente fluído e responderá num piscar de olhos"

O menu de definições do ecrã é acedido através de um botão rotativo colocado na traseira, no canto inferior direito (visto de frente). Um clique abre a primeira roda de definições, onde podes trocar as fontes de imagem e aceder às opções de imagem. As opções de imagem são abrangentes e podes alternar entre diferentes configurações pré-definidas para diferentes géneros de jogos como FPS, MMOs ou até para quem faz livestreamings. A Razer aclama que o Raptor tem certificação THX e nas definições de imagem podes activar este modo, mas francamente, reduz bastante o brilho do ecrã e não me pareceu a opção ideal para assistir a filmes e a séries. O mesmo vale para a opção de reduzir o motion blur - o ecrã perde muita vivacidade quando activas este modo. Outras opções disponíveis são a escolha do Color Gamut (natural ou DCI-P3) e Gamma (1.5, 1.8 ou 2.2)

razer-raptor-color-settings

Sem local dimming

O Raptor tem um painel IPS e a nossa unidade tinha um pouco de backlight bleed no canto superior direito, perfeitamente visível em cenas escuras ou quando te aparece um logótipo num ecrã todo preto. O backlight bleed pode variar consideravelmente de unidade para unidade, pelo que isto não significa que todas as unidades do Raptor vão sofrer deste problema. Uma forma de mitigar o problema teria sido o local dimming, uma tecnologia em que regiões específicas de LEDs podem ser desligadas para atingir pretos mais reais. Este é o maior problema que encontrei neste monitor, porque nas cenas escuras, de facto, é retirada um pouco da imersão quando reparas que há zonas do ecrã que estão brilhantes e deviam estar escuras. A imagem logo a seguir evidência este problema.

razer-raptor-backlight-bleed

Na imagem podes ver backlight bleed no canto superior e inferior direito (mas em menos quantidade na parte inferior). Repara também que o preto é na realidade cinzento escuro. Embora dificilmente repares nisto noutras circunstâncias, é uma falha que não deveria existir num monitor premium como este. O Razer Raptor tem um preço oficial de 999.99€ - é muito mais caro do que monitores com características semelhantes de outras marcas.

Razer Raptor 165 Hz review - Conclusão

Este monitor da Razer foi idealizado para jogar e, em grande parte, cumpre o seu propósito. O calcanhar de Aquiles é o preço, que não seria problema caso não existissem os problemas apontados como o HDR básico, o backlight bleed e falta de contraste. Os 165 Hz aliados à resolução de QHD e suporte para G-Sync e FreeSync são muito desejados nos monitores gaming. Com um design brilhante e uma qualidade de construção que não vais encontrar noutros monitores deste segmento, a Razer tem aqui um produto com bastante potencial para o futuro, desde que as falhas mencionadas sejam eliminadas. Ainda assim, é uma opção a ter em conta se o encontrares a um preço menor do que os oficiais 999.99€.

Prós: Contras:
  • Design elegante, fica bem em qualquer secretária
  • Construção sólida e com materiais de qualidade
  • Suporte para G-Sync e FreeSync
  • Os 165 Hz garantem enorme fluidez enquanto jogas
  • Boa resposta, sem atrasos notáveis
  • Gestão de cabos impressionante
  • O HDR podia ser melhor
  • Backlight bleed arruína as cenas escuras
  • Falta de contraste
  • Preço muito elevado

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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