Devil May Cry (Nintendo Switch) - Análise - Dantes é que era

Pela primeira vez numa consola da Nintendo.

O primeiro jogo da série numa consola da Nintendo. Está relativamente bem conservado em algumas coisas, mas noutras já mostra a sua idade.

Devil May Cry para a Nintendo Switch é o primeiro jogo da série a chegar a uma plataforma da Nintendo. Com uma base instalada de consolas difícil de ignorar para qualquer editora - mais de 34 milhões de unidades vendidas - a Capcom tem lançado versões de alguns dos seus clássicos para Switch como Okami, Resident Evil 4, Street Fighter 30th Anniversary Collection, entre outros. Devil May Cry é o mais recente lançamento da Capcom para a consola da Nintendo, mas diferente do que aconteceu noutras plataformas, não está inserido numa colectânea com os restantes jogos da série lançados originalmente para a PS2.

A versão para a Nintendo Switch de Devil May Cry é a mesma que encontras na Devil May Cry HD Collection que foi lançada para a PC, PS4 e Xbox One em 2018. Os 60 fps foram mantidos e a resolução foi aumentada para alta-definição, mas tirando isto, a Capcom não fez mais nenhum tratamento. Para um jogo lançado originalmente em 2001 (já tem quase 20 anos!), aguentou razoavelmente a passagem do tempo, mas não é definitivamente um jogo bonito para os padrões actuais. Neste momento, o primeiro Devil May Cry precisava mais de um remake - como Resident Evil - do que uma remasterização. Nesta versão da Switch (e nas outras também) as texturas até gritam de tanto esticadas que estão.

Fora as questões técnicas que são sempre inevitáveis quando se fala numa remasterização, o apelo da versão Nintendo Switch de Devil May Cry é a mesma do que tantas outras conversões para a consola: a portabilidade. Para quem nunca jogou Devil May Cry, esta é uma oportunidade para jogar o título que iniciou a saga num formato apelativo para quem está sempre em movimento, mas existe um preço a pagar. Devil May Cry custa 19,99 euros na Nintendo Switch, mas podes comprar neste momento a Devil May Cry HD Collection por 29,99 euros para as outras plataformas. Em termos de valor, com esta versão para a consola da Nintendo estás efectivamente a pagar mais por menos.

Para um jogo que completa 19 anos no próximo mês de Agosto, a jogabilidade de Devil May Cry é surpreendentemente fluída e de fácil assimilação, uma prova viva do motivo pelo qual se tornou num dos pilares do género hack and slash. Mas se a jogabilidade ainda continua em parte actual, os ângulos fixos da câmera (uma herança dos primeiros Resident Evil) podem causar estranheza, ainda mais se estiveres a lutar em sítios apertados contra múltiplos inimigos. O sistema de lock-on também não é o melhor, bloqueando sempre o inimigo mais próximo (ou seja, não podes escolher o inimigo fixado).

"Para um jogo que completa 19 anos no próximo mês de Agosto, a jogabilidade de Devil May Cry é surpreendentemente fluída"

Apesar das inevitáveis debilidades que o jogo apresenta, Devil May Cry ainda é divertido. Não é tão bom como o mais recente Devil May Cry 5 ou Devil May Cry 3 (sem dúvida o melhor da era da PS2), mas ainda tem algo para oferecer para quem gosta de jogos de acção. Por um lado, o sistema de combate não é tão complexo como nos títulos mais recentes, o que torna os combates menos espectaculares, mas por outro, a simplicidade é benéfica para quem se quer iniciar na série. O facto do sistema de combate ser mais simples não é o mesmo que dizer que o jogo é fácil. Devil May Cry consegue ser um jogo impiedoso que requer reflexos apurados e destreza.

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De um ponto de vista técnico, não há problemas a apontar nesta versão Nintendo Switch. O jogo tem um aspecto datado, mas é igual às versões HD de outras plataformas.

Como as missões de Devil May Cry são relativamente curtas (dificilmente duram mais do que 20 minutos), este é um jogo que encaixa bem no espírito portátil da Nintendo Switch. O jogo não é muito longo, mas o tempo da primeira playthrough dependerá se já conheces Devil May Cry ou não. Os jogadores experientes não terão problema em concluir todas as missões entre 6 a 8 horas. Os restantes poderão demorar 10 horas ou talvez um pouco mais. É uma longevidade aceitável para um jogo de acção.

Se já tens a Devil May Cry HD Collection, esta versão para a Nintendo Switch só pode ser justificada pelo capricho de jogar em qualquer lado (isto se não te importas de pagar uma segunda vez para jogares algo que já tens). Para novos jogadores que desejam conhecer Devil May Cry desde o início, esta é uma versão tão válida como as restantes. O preço podia, todavia, ser um pouco menor - 9,99 euros seria mais justo sabendo que a Devil May Cry HD Collection custa 29,99 euros e inclui os três jogos da era da PS2.

Prós: Contras:
  • Ainda oferece alguma diversão
  • Jogabilidade fluída e acessível
  • É Devil May Cry!
  • Portabilidade
  • O preço devia ser menor
  • Visuais datados
  • Ângulos de câmera fixos

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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