Os gráficos dão-te a sensação de uma anime em mundo aberto, mas o gameplay deixa imenso a desejar em quase todos os aspectos.

One Piece: World Seeker é um jogo que facilmente deixa qualquer fã da obra de Eiichiro Oda entusiasmado - um jogo de acção e aventura em mundo aberto, desenvolvido com o Unreal Engine 4, que te leva para uma ilha nova onde podes conhecer novas pessoas e viver novas aventuras. Tinha tudo para dar certo, mas não deu.

World Seeker marca o regresso da parceria entre a Bandai Namco e a Ganbarion num novo jogo neste universo, após One Piece: Unlimited World RED em 2014, o que significa que não são alheios a jogos de acção e aventura com Luffy e amigos. World Seeker aposta num tom mais ambicioso e tenta de tudo para captar a essência dos Straw Hat Pirates, mas existem demasiadas debilidades.

Em One Piece: World Seeker, Luffy, Zoro, Nami, Usopp, Sanji, Robin, Chopper e Franky são atraídos até uma ilha onde supostamente estão escondidos diversos tesouros. No entanto, tudo não passa de uma armadilha de um cruel oficial da Marinha para os apanhar. Após o confronto inicial, Luffy e amigos conseguem escapar e caem dessa prisão no céu para a ilhar que está debaixo dela.

Nesta ilha, Luffy (a única personagem jogável), conhecerá novas figuras relacionadas com a trama, mas também reencontrará faces conhecidas, inseridas nesta ilha apenas pelo puro fan-service. Enquanto controlas Luffy, poderás passear pela ilha livremente, correndo, saltando e agarrando-te a árvores ou edifícios para te arremessares como uma bala. Como seria de esperar, Luffy terá de reencontrar os seus amigos e ajudar as pessoas da ilha - divididas entre os que apoiam ou detestam a Marinha.

Isto traduz-se em missões principais que avançam a história e missões secundárias incrivelmente aborrecidas e banais (uma grande quantidade delas pede-te para encontrar objectos ou materiais pela ilha). One Piece: World Seeker envergava o potencial para algo glorioso, mas infelizmente apenas os visuais conseguem estar à altura do que inicialmente foi prometido.

Se os visuais parecem transportar-te para uma autêntica anime, em esplendoroso mundo aberto com locais que revelam ambição, o gameplay, controlos, tarefas opcionais, câmara e até as formas artificiais encontradas para prolongar a longevidade fazem com que fique irremediavelmente aquém de qualquer potencial que poderia envergar.

Ao explorar a ilha, Luffy encontrará Piratas e Marinheiros cujos modelos são repetidos incessantemente e cuja inteligência artificial é do mais aleatório e horrível que podes imaginar. Ocasionalmente, One Piece: World Seeker poderá tornar-se irritante devido à IA inimiga e a alguns dos seus comportamentos, mas as animações e controlos de Luffy também deixam a desejar.

Frequentemente senti que faltava agilidade a Luffy, velocidade na reacção dos controlos, sem esquecer que apenas apresenta dois combos (um para cada modo ao dispor). Num dos modos, Luffy pode desviar-se dos ataques e noutro pode proteger-se. Podes desbloquear habilidades que expandem os movimentos de combate e exploração (como a Red Hawk), mas o repetir incessante dos mesmos movimentos, a IA totalmente quebrada e a dificuldade manipulada para ser mais difícil sem mecanismos gameplay que o justifiquem, fragilizam a imagem deste World Seeker.

"World Seeker tinha tudo para dar certo e isso é o que mais nos entristece."

Ocasionalmente, vais-te divertir nesta ilha e será nesses momentos que perceberás o que este jogo podia ter sido. Passear pela ilha tem alguns bons momentos, mas quando estás a combater, poderás entrar num pesadelo. Especialmente contra os vários bosses. A câmara é o teu maior inimigo e raramente acompanha a acção, enquanto o sistema de lock-on é uma autêntica piada que mais parece querer gozar com a tua cara.

Existem falhas e problemas em One Piece: World Seeker que podem ser corrigidas com actualizações, especialmente na câmara e lock-on, mas o leque limitado de movimentos, as estranhas regras dos combates (os inimigos caem e tens de esperar que se levantem para dar mais golpes ou as rajadas de tiros que tiram imenso dano e impedem Luffy de se mover) já não. Isto sem falar na quantidade de banais tarefas que são repetidas apenas para que passes mais tempo na ilha - mesmo que não te estejas a divertir.

Cheguei a pensar que a Ganbarion perdeu o juízo em alguns momentos. Existem algumas missões secundárias (uma afecta outra principal) onde tens de procurar por uma pessoa sem qualquer pista sobre o seu paradeiro. Isto significa que tens uma ilha inteira ou parte dela para explorar de forma totalmente aleatória sem direcção. Uma procura por Zoro diz-te para falar com pessoas num determinado raio de alcance e não tens forma de saber com quem falar. Resta-te perder tempo a falar com todos os habitantes que encontrares. Este tipo de missão faz-me pensar no que passou pela cabeça dos criadores do jogo.

Por muito que adores One Piece, terás de suportar muito de mau para desfrutar do bom que há em World Seeker. Fica até a sensação que o jogo precisava ainda de uma camada adicional de polimento e, frequentemente, ficarás a questionar como passou no controlo de teste e qualidade. Não é terrível, de forma alguma, mas é insuficiente. Ficarás a sentir que os controlos estão abaixo do aceitável, o número de ataques é limitado, as animações rígidas e que, no geral, One Piece: World Seeker precisava de mais atenção para brilhar como merecia.

Prós: Contras:
  • O mais ambicioso jogo de One Piece
  • O Unreal Engine 4 permite visuais de grande qualidade
  • A câmara é o verdadeiro inimigo e o lock-on é terrível
  • Existem problemas nos controlos
  • Demasiadas tarefas banais como apanhar itens aleatórios
  • Apenas podes jogar com Luffy
  • Várias missões onde tens de procurar alguém em toda a ilha sem qualquer pista
  • Apenas existe um combo para cada modo




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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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