O gameplay incrivelmente simples não significa diversão e este mirone fighter rapidamente se torna aborrecido.

Depois de The King of Fighters 14, lançado em 2016, SNK Heroines: Tag Team Frenzy representa o mais recente esforço da SNK após renascer das cinzas. A popular produtora Japonesa está à procura de revitalizar o seu catálogo, tentando actualizar as suas mais aclamadas propriedades intelectuais para se enquadrarem com as especificidades da actual indústria.

Ao contrário do que seria de esperar, SNK Heroines não é um fighter profundo e repleto de mecânicas que te vão desafiar. É um jogo altamente acessível, ridiculamente simples e, como nome indica, protagonizado somente por mulheres dos fighters da SNK. Essa é mesmo a forma mais fácil de resumir SNK Heroines - um jogo de luta incrivelmente simplificado cujo grande foco são as mulheres.

Se sentias que a série Dead or Alive dedicada demasiada atenção às mulheres, prepara-te para SNK Heroines. Este jogo poderia ser descrito como uma espécie de "perv fighter" e parece que a SNK quer mesmo criar um novo subgénero. O próprio enredo do jogo resume-se a isso mesmo - uma rebuscada desculpa para justificar o tom mirone. As mulheres da SNK (e ainda Terry Bogard que virou mulher), vão parar uma outra dimensão e são forçadas a enfrentarem-se enquanto uma figura misteriosa acumula o desespero que geram e as filma.

Isto é possível descobrir no modo história, uma sucessão de combates onde podes assistir a algumas cenas com diálogos extremamente tontos e que servem apenas para ver melhor os corpos destas mulheres. No final, poderás enfrentar o boss misterioso, totalmente cheap como é esperado da SNK, para receber de prémio um final para cada uma das duas mulheres (cenas estilo anime). Se terminares o modo com uma determinada dupla, recebes ainda uma imagem especial e super sensual delas em fato de banho - que podes rever à vontade na galeria.

SNK Heroines está repleto de diferentes modos de jogo e em todos eles ganhas dinheiro que será investido na personalização das mulheres, um dos maiores destaques do jogo. Na verdade, a SNK destaca três elementos em SNK Heroines - a sensualidade de um elenco composto exclusivamente por mulheres, um gameplay extraordinariamente simples e a personalização das mulheres.

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Tudo em nome daquele fato com menos tecido, pela pose mais sensual.

A SNK gaba-se que este seu jogo é um jogo de luta verdadeiramente acessível, graças aos seus inputs simplificados, não sendo necessário um grande conhecimento do género. Isto materializa-se num jogo onde não precisas de executar movimentos complicados, nada daquelas meias luas ou quartos de lua que geralmente um jogo de luta apresenta e os aprofunda. Em SNK Heroines, apenas precisas martelar o botão de soco e os combos executam-se de forma automática. Poderás ainda usar um outro golpe mais forte e num só botão (combinado com as quatro diferentes direcções) executas os movimentos especiais.

Poderás alternar entre alguns destes três ataques e até podes executar um grab, mas o gameplay básico resume-se a isto. No entanto, onde a SNK acredita que SNK Heroines enverga potencial para os fãs hardcore das suas séries e até para eventos competitivos é nos restantes sistemas de jogo. Em SNK Heroines, a partida não termina quando a barra de vida se esgota - termina quando a a SP Gauge (a barra que decresce quando usas um movimento especial) está cheia o suficiente para despoletar um movimento Dream. Se o adversário tiver a barra de vida dele a vermelho, perderá.

Combinado com o uso de itens e o sistema tag (tens uma equipa composta por duas mulheres), esta mecânica é o grande trunfo da SNK para este Tag Team Frenzy e através da qual acredita ter alcançado potencial para oferecer um gameplay simples, mas ainda assim capaz de viciar. A verdade é que não é tão simples assim. Quando os movimentos dos personagens são sempre os mesmos, os mesmos combos, repetidos combate após combate, por mais ágil que sejas para encadear algumas das poucas variações para espancar o adversário quando ele abre a defesa, SNK Heroines não é um jogo com o desejado equilíbrio entre acessibilidade e profundidade como a SNK deseja ou apregoa.

Se conseguires encontrar argumentos para insistir nos diversos modos de jogo, poderás até adquirir vários itens e personalizar as mulheres, poderás até usar um só Joy-Con na versão Switch para jogar contra outra pessoa na mesma consola. Poderás entrar em modos como Survival ou Arcade, poderás insistir e tentar espremer mais desta simplicidade - almejando visionar a profundidade referida pela SNK.

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O estilo visual é engraçado, mas nada de grande destaque.

SNK Heroines tem o potencial para se tornar divertido e a sua acessibilidade até poder servir se procurares um jogo do género que não exija tanto de ti. No entanto, vivemos numa era onde os jogos de luta estão de boa saúde. Existem vários títulos recentes que conciliam acessibilidade, espectacularidade e diversão de uma forma que está completamente fora do alcance deste SNK Heroines - basta olhar para os recentes esforços da Arc System Works.

É um título estranho, cujas fragilidades têm mais peso do que o pouco de bom consegue. Mesmo a performance na Switch consegue sofrer um pouco e quando estás perante visuais tão simples, não deixas de sentir que é estranho tal acontecer. Além disso, os loadings entre combates durante cerca de 20 segundos e quando cada combate pode durar pouco mais de 40/50 segundos, o ritmo da experiência torna-se incomodativo.

SNK Heroines: Tag Team Frenzy é um jogo confuso de avaliar, um jogo cujo público alvo parece difícil de definir. Os veteranos e apaixonados pelas séries da SNK provavelmente não querer perder o seu tempo com um gameplay tão simples que precisa de elementos artificiais para aumentar a dificuldade, sem a possibilidade de encadear combos ou sentir que está tudo em automático. O foco no tom pervertido e sensual poderá ser inicialmente curioso e até engraçado, mas passadas meras horas, o fulgor desaparece. SNK Heroines apresenta-se como um fighter sensual e altamente acessível, mas esqueceu-se que precisava ser divertido.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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