Dynasty Warriors 9 - Análise

Oportunidade perdida.

Comete imensos erros que magoam a diversão e atrapalham a ambiciosa visão da Koei Tecmo para a sua controversa série.

Há muito que os fãs da série Musou esperavam por Dynasty Warriors 9, um jogo que prometia revolucionar a fórmula da Omega Force, que dura há cerca de 18 anos e promete a cada novo jogo diversão com o cérebro desligado. Sim, nós fãs de Musou sabemos que isto é um martelar de botões em que fazemos o mesmo vezes sem conta, somos nós que os jogamos, mas também é por essa razão que sabemos o que é e o que pode oferecer. A série Musou assenta no conceito de "um contra centenas". A espectacularidade dos combos ou golpes especiais e a simplicidade da proposta sempre atraiu uma classe específica de jogadores. Dynasty Warriors 9 desde logo entusiasmou com a passagem para mundo aberto e tudo o que isso poderia representar para o futuro. No entanto, muito não correu como desejado e o que poderia ser um marco na série, torna-se na sua maior mancha.

Depois de Fire Emblem Warriors, Samurai Warriors: Spirit of Sanada ou Dragon Quest Heroes 2, que através de pequenas novidades ou melhorias foram expandindo a fórmula, Dynasty Warriors 9 apresentava-se com o potencial para se tornar no maior avanço jamais visto na série Japonesa. No entanto, são cometidos graves erros que afectam fortemente a experiência. É compreensível que os primeiros passos para a converter num mundo aberto não resulte à primeira, mas os problemas em Dynasty Warriors 9 são muito mais graves do que isso. Aliás, o mundo aberto não é um problema e até demonstra imenso potencial para futuras experiências Musou. O problema está na sua interpretação, na implementação básica e na forma como a fraca qualidade tecnológica mancham o título.

Até agora, Musou estava dividido por níveis que te apresentam pequenos mapas abertos nos quais martelavas os botões para chegar ao boss do mapa e o derrotar. Pelo caminho, tinhas que conquistar áreas específicas para avançar, baixar o poder do exército adversário ou cumprir com uma outra qualquer mecânica que podia reforçar ou suavizar a profundidade estratégia do mapa/jogo. Tudo dependia do tipo de proposta na série e nos seus spin-ofs. Dynasty Warriors 9 perspectivou-se como a gloriosa adaptação dessa fórmula para mundo aberto, formato tão popular nos dias de hoje. Ao invés de percorres menus entre missões, tens todo um mapa aberto que podes percorrer livremente e uma série de adaptações para enquadrar a fórmula Musou com as possibilidades de percorrer livremente um só mapa.

Apesar de dividido por capítulos de história, quando és colocado no mapa aberto tens uma missão principal e várias secundárias. Podes recolher itens e materiais para craft de armas, atacar acampamentos e conquistar mais terreno no mapa, ajudar o teu exército nas várias missões secundárias ou até ajudar aldeões a encontrar itens. Tudo isto para ganhares mais XP e subir de nível, que te ajudará a enfrentar o boss desse capítulo de história. É basicamente a mesma estrutura, mas convertida para um gigantesco mapa. É uma ambiciosa expansão do conceito Musou, mantendo-se fiel ás raízes, mas que exige muito mais da criatividade e empenho da equipa na sua capacidade de oferecer conteúdo que possa manter o jogador divertido.

"O mundo aberto não foi bem aproveitado e as exigências que representa afectam a performance de forma drástica".

A passagem para mundo aberto muda a estrutura do jogo, mas não muda a forma como funciona. Tens o local da missão principal (um espaço equivalente a um nível num Musou anterior) e à volta tens o mundo aberto. Podes passear livremente, escolher missões secundárias e decidir como queres levar a tua vida de combate. Apesar desta estrutura, não existem muitas tarefas adicionais divertidas. O melhor de Musou continua a ser os combates e isso podias fazê-lo sem o mundo aberto. Os pontos de viagem rápida asseguram que podes saltar rapidamente entre missões e ajuda imenso para quem não quiser explorar o mundo vazio. No geral o sistema de combate permanece muito similar ao que viste no passado. Existem novos movimentos alternativos, mas na sua grande maioria, o sistema permanece altamente similar.

Dynasty Warriors 9 continua a oferecer a diversão que sempre gostaste na série, o mesmo sistema de combate e a mesma filosofia, isso não mudou. O que mudou foi o mundo aberto e isso não apresenta propriamente uma melhoria nesta experiência em particular. Nem todos os jogos precisam de ser em mundo aberto. O que tu gostas num Musou permanece aqui, mas sentirás que o mundo aberto vazio e desprovido de locais ou actividades interessantes não traz nada de valioso. Pelo contrário, coloca mais exigências na tecnologia e reduz a qualidade da performance, algo que afecta negativamente Dynasty Warriors 9, muito mais do que algo de bom que possa trazer.

No que prometia ser o maior avanço na série Musou, a Omega Force apresenta um mundo aberto vazio, desprovido de propósito e no qual não existe nada que acrescente valor à série. Dynasty Warriors precisa reinventar-se e, infelizmente, este novo jogo apenas veio cimentar essa ideia, quando supostamente seria a concretização dela. O mais chocante é a constatação que existe uma série falta de polimento em praticamente todos os aspectos. A passagem para mundo aberto resulta num mapa enorme praticamente vazio, palácios enormes sem ninguém e o tamanho do mapa causa um incrível impacto negativo nos gráficos. Ausência de texturas, geometria incrivelmente básica e aliasing estão numa qualidade muito abaixo do esperado de uma equipa com tantos anos de experiência. O mapa vazio e a qualidade gráfica dão a ideia de um jogo ainda em fase alpha, impróprio para consumo.

"Dynasty Warriors precisa reinventar-se e infelizmente este novo jogo apenas veio cimentar essa ideia"

Os personagens são o único elemento visual com qualidade aceitável, mas o pior é verificar que mesmo com toda esta fraca qualidade gráfica, Dynasty Warriors 9 apresenta uma performance horrível. Quem joga Musou está habituado a uma performance estável, com ocasionais quedas, mas boa o suficiente para permitir despachar centenas de inimigos de forma fluída. Dynasty Warriors 9 deita tudo por água abaixo. Existem dois modos de jogo: Acção e Gráficos. O primeiro consegue uma performance aceitável, mas o segundo é mau demais e a melhoria gráfica é praticamente imperceptível.

Dynasty Warriors 9 prometia serum jogo sensacional, ambicioso e capaz de elevar a série Musou acima das suas amarras. Colaborações recentes mostraram que é possível expandir o gameplay e que existe profundidade numa fórmula aparentemente simples. Mas a verdade é inegável, a série Musou é uma espécie de guilty pleasure - permite-te desligar o cérebro, mas ainda assim altamente divertida. A passagem para mundo aberto revelou imensas debilidades na equipa e não acrescenta nada de verdadeiramente interessante ou novo à série, devido à má implementação e aproveitamento. A performance desastrosa, os gráficos maus e básicos, são apenas duas das suas maiores falhas. Custar a acreditar que Dynasty Warriors 9 tenha sido feito por uma equipa de experientes programadores num estúdio com o historial do da Omega Force.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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