The Crew é mais uma oportunidade desperdiçada pela Ubisoft pela sua ambição irrealista de querer lançar jogos megalómanos num curto período de tempo, o que durante o mês anterior de novembro lhe prejudicou a reputação e, consequentemente, abalou a confiança dos fãs nesta editora que passou de um dia para o outro de uma das mais respeitadas a uma das mais criticadas.

O problema de The Crew é algo que podia ser resolvido com mais tempo. Simplesmente precisava de ser adiado por vários meses para ser polido e refinado. Como conceito, tem imenso potencial. Nunca antes houve um jogo com um mapa tão grande como este, cuja premissa é explorar os Estados Unidos de uma ponta à outra. O factor da socialização e de estar sempre ligado à Internet também são valiosos, não fosse uma falha crucial.

Para um jogo chamado The Crew, é irónico que tenha encontrado várias vezes dificuldade em formar uma Crew (equipa), uma das funcionalidades centrais do jogo e que inclusive foi usada para promove-lo. É igualmente lamentável que sejam precisos longos períodos de tempo para encontrar uma partida PvP (multijogador online). É inadmissível que um jogo chegue às lojas neste estado e que passado uma semana após o lançamento continue a ter problemas destes.

A principal novidade de The Crew para os jogos de corridas é o tamanho do mapa. No resto, segue os mesmos passos de outros títulos do género. Começamos por baixo, com um carro que não dá muito gozo conduzir, e vamos subindo a escada do ranking até desbloquearmos as grandes máquinas. Para dar contexto às corridas, a Ubisoft escreveu uma história que também já vimos em outros jogos.

Em The Crew somos um infiltrado do FBI num gangue (os "510") que usa automóveis para praticar todo o tipo de crimes. A nossa missão é ganhar a confiança deste grupo criminoso e subir nos rankings para ganhar acesso a informações valiosas para que o FBI possa prender os manda-chuva e desmantelar a operação, que se alastrou pelo mapa inteiro dos Estados Unidos. É a típica história que já observamos várias vezes em anteriores Need For Speed e com tragos dos filmes Fast Furious. Felizmente, se não ficarem interessados, podem sempre passar as cinemáticas à frente e ir directamente para as corridas.

A alma de um jogo de corridas está sempre na condução, tudo o resto até pode ser péssimo, isto é que não pode falhar. Aprofundado mais a desilusão, conduzir em The Crew não dá uma sensação de prazer. Os carros melhores controlam-se melhor e andam mais rápido, mas a diversão e satisfação nunca chegam aos níveis desejados. Um jogo de carros tem que transmitir emoções fortes e colocar-nos a vibrar com o rondar dos motores, mas The Crew falha neste quesito.

"Conduzir em The Crew não dá uma sensação de prazer"

A condução parece sofrer de uma ligeira latência que atrasa a resposta dos carros e torna as curvas em momentos frustrantes nos quais não sentimos que estamos em pleno controlo da direcção. O efeito parece desaparecer ou diminuir quando trocamos para a câmera no interior do carro, o que é no mínimo estranho.

À medida que vamos progredindo nas corridas e completamos desafios de condução que aparecem abundantemente pelo mapa, ganhamos acesso a várias melhorias que supostamente melhoram o desempenho e pontuação do nosso carro, mas nada disto parece importar para as corridas. Foram várias as vezes em que se tornou evidente que a IA está programada para nos ultrapassar em certos momentos das corridas, não dando importância nenhuma à velocidade do vosso carro ou à vossa habilidade de condução.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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