LittleBigPlanet 3 - Análise

Cria o teu mundo ou descobre o do teu amigo.

Por incrível que possa parecer, o primeiro jogo LittleBigPlanet foi lançado em 2008, e apesar dos seus anos de vida o Sackboy continua fofo como no início. O estúdio Media Molecule reinventou na altura a forma como encaramos os jogos de plataformas, trazendo consigo um motor de jogo no qual podíamos criar os nossos próprios níveis, deixando assim nas mãos da comunidade o seu sucesso.

Milhões de níveis mais tarde temos o LittleBigPlanet 3, agora nas mãos do estúdio Sumo Digital, que apesar de ter sido lançado na PS4 ainda deixa um pé na anterior geração. Muito mudou desde então, e no caso da versão nacional, temos a ausência de Nuno Markl como narrador, estando esse papel agora ao cuidado de Miguel Guilherme. Não desconsiderando a sua qualidade como ator, pessoalmente acho que Markl fez um trabalho bem mais satisfatório. A versão de Miguel Guilherme parece muito uma versão lida, demasiado presa ao texto e não fluída em contexto com o que se passa no ecrã. As pausas são demasiadas e não havendo piada, mesmo quando se pretende que tenha.

O Sackboy não tem voz, por isso atores como João Lagarto, Cláudia Cadima, André Gago, Fernando Luís e Jorge Mourato dão a sua voz aos NPCs do jogo, nomeadamente as personagens que ligam a história, e ajudam o Sackboy e seus amigos a percorrer o mundo de Bunkum. Por falar em amigos, LBP3 traz-nos três novas personagens jogáveis, sendo eles OddSock, Toggle e Swoop.

Miguel Guilherme conduz-nos desde o início pelas mecânicas do jogo, o que podemos fazer, jogar e criar. Mas é claro que o que iremos tentar fazer desde o início é completar o modo história, onde iremos percorrer o mundo de Bunkum. Em síntese temos os três Titãs que num passado remoto tentaram eliminar a criatividade e imaginação de Bankum, mas com a ajuda dos três heróis OddSock, Toggle e Swoop, o povo de Bankum viu-se livre da ameaça por aprisionar os Titãs em caixas de chã. Muitos anos mais tarde, Newton, uma personagem armada em esperta, liberta os Titãs, na esperança de ganhar criatividade, mas as coisas não acontecem como esperado e, é claro, Sackboy está no local e altura certa.

Os heróis OddSock, Toggle e Swoop não tinham muito que fazer, estavam aborrecidos e foram descansar, e a nossa tarefa no modo história é percorrer o mundo de cada herói e o acordar, apanhando berlindes para o efeito. Assim não esperem jogar desde o início com cada herói, e toda a ação estará ao cuidado de Sackboy. Apesar de percorrermos o modo história sozinhos podemos a qualquer momento incluir um amigo, quer local quer online. Mesmo que não tenhamos amigos com o jogo, podemos sempre entrar numa "party" com alguém de forma aleatória que está a jogar no mesmo nível, ou alguém pedir para entrar no nosso jogo.

Como em qualquer outro jogo LBP, existem zonas onde apenas poderão ser jogadas ou acedidas por dois ou mais jogadores. Estas zonas não são obrigatórias, mas darão acesso a novos autocolantes, vestimentas, etc. Para além de existirem zonas especificas para dois ou mais jogadores, ainda temos zonas que apenas poderão ser acedidas por um determinado herói, ou se tivermos um determinado gadget. Por isso irão encontrar zonas que têm elementos para cada herói e sua características, "obrigando" o jogador a repetir os níveis quando tiver acesso às personagens ou gadget.

O Sackboy terá acesso, conforme desbloqueia cada zona, a novos gadgets, por exemplo botas de impulso, capacete com um gancho ou até mesmo uma arma para nos ajudar a teleportar para zonas que não conseguimos aceder. Temos ainda o lluminator que apanharemos num nível de desafio, que nos ajuda a revelar áreas escondidas. Com a introdução de três novos personagens seria de esperar que lhes déssemos mais uso, mas não. É estranho o estúdio ter promovido tanto estas personagens e depois, no modo história, não as usarmos muito.

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Chama-se Newton, mas não muito inteligente.

As suas potencialidades são imensas, principalmente quando saltamos para o modo criação, ou jogamos níveis de outros. Para além dos milhões de níveis que vêm de jogos anteriores temos também os níveis criados de raiz para LBP 3. Na prática LittleBigPlanet 3 não tem fim, o seu modo história oficial é apenas um pretexto para descobrir as novas mecânicas, descobrir o que podemos fazer nos mundos, deixando ao nosso "cereumbilical" em alta produção criativa.

Dentro do mundo (literal) de Bankum, que se separa em quatro zonas, o Prólogo, Manglewood, Ziggurat e Lagoa de Bunkum, temos alguns níveis de desafio, que não são obrigatórios, mas que darão novas regalias e apetrechos para usarmos na criação de níveis. Estes desafios mostram novamente o que podemos fazer no modo criação, mas são em si bastantes simples, aliás, como todo o modo história. Existem ainda os puzzles do Popit, que são níveis/puzzles criados para dar usar ao Popit, explicar o seu conceito de criação e claro desafiar a lógica e raciocínio do jogador. É uma boa ferramenta que funciona como um excelente tutorial.

Todo o jogo foi construído para podermos jogar mais e mais o modo história e seus níveis interiores até desbloquear tudo. O primeiro jogo surpreendeu na altura, mas LittleBigPlanet 3 já se torna muito mais do mesmo, atirando para a criação todo o trabalho. Os níveis não são nada criativos, que é aliás um dos temos principais do jogo, a imaginação, inspiração, arte e ir mais além com as ferramentas. Muitas são as vezes que dá mais frustração em jogar que divertimento. As mecânicas, apesar de bem conseguidas, são muito de tentativa e erro, onde a construção do nível obriga-te a morrer para saberes afinal como se passa. É claro que isto existe em outro jogos, e compreende-se até na forma que está construído, mas isso poderá significar voltar atrás 10 minutos de jogo com loadings de níveis enormes, que é algo que não se compreende.

"Quem se lembra do nível de porrada?"

Mas nem tudo está perdido, e é no modo criação que reside todo o segredo de LittleBigPlanet. Aliás, como já referi, o jogo não tem fim, novas e novas histórias serão contadas pela comunidade. O mais interessante é que o formato side-scroll nem é obrigatório, pois temos uma tela em branco onde podemos criar diferentes tipos de jogo, desde corridas, puzzles, jogos de ação e muito mais. A comunidade tem uma liberdade de votar nas criação de cada jogador dando assim um feedback bem apreciado para podermos escolher bem os jogos que queremos experimentar. A equipa do Sumo Digital tem também a sua própria tabela dos níveis/jogos criados pela comunidade que mais gostaram, ajudando assim na escolha.

"Agora, para além de níveis individuais, podemos criar ligação entre níveis, criando um enorme modo história, tal como o original que acompanha o jogo."

Diferente de outros jogos LBP, agora temos até 16 camadas de profundidade, permitindo uma jogabilidade num misto de 2,5D com verticalidade e profundidade. Para criar um nível temos que aceder ao nosso mundo, ou Lua. Cada nível criado, tal como já acontecia em jogos anteriores, tem um limite de objetos/texturas, referências, que podemos ter, sendo medido como se fosse um Termômetro.

Mas LBP 3 traz consigo muitas novidades no modo criação. Podemos criar os nossos próprios Power-Ups, o que é excelente pois mexe com a própria lógica de cada nível e temos que pensar como criar em função de determinado Power-Up que tenhamos criado. Podemos assim pegar num objeto que tenhamos adquirido em loja, ou ganho a jogar, e atribuir funcionalidades quando o tivermos a usar em jogo. Podes pegar numa bola e atribuir por exemplo o modo tiro.

Agora, para além de níveis individuais, podemos criar ligação entre níveis, criando um enorme modo história, tal como o original que acompanha o jogo. Desta forma temos que pensar antes em mundos e não apenas em níveis, para que toda a história faça sentido. Escusado será dizer que nestes mundos podemos determinar quais as personagens jogáveis, usando de diversas variáveis, e até que NPCs iremos interagir. Podemos acrescentar a toda esta equação o tempo, se chove ou com sol radioso.

Gostaram do filme A Origem? Então vão certamente gostar do novo modo de criação, onde é possível criar níveis onde o jogador que irá jogar possa dentro do nível usar o seu Popit de criação para resolver puzzles. Ok, talvez fui longe demais na comparação com A Origem, mas no fundo está tudo do lado do jogador.

Por último, sobre o aspeto gráfico e design, a versão PS4, a testada, é diferente da versão PS3 principalmente na qualidade das texturas, iluminação e efeitos em simultâneo. Se jogarem a versão PS3 de raiz não irão perder quase nada em função da versão PS4. O jogo mantém a mesma qualidade gráfica, que apesar de não ser nada de especial, não deixa de nos transportar para um mundo colorido, animado e fofo.

LittleBigPlanet 3 é um excelente jogo para quem se dedicará à produção de conteúdos e quiser experimentar as criações de outros. Se forem pessoas para a comunidade, então LBP 3 é para ti. Mas se por outro lado esperas apenas consumir aquilo que o jogo te dá de raiz, LBP 3 não é para ti. É um misto de sensações que nos colocam em confronto com outro igual a nós e não contra o criador oficial do jogo. Como aconteceu nos jogos anteriores, existem níveis e puzzles geniais, onde até mesmo o estúdio produtor não imaginou que se pudesse fazer.

7 /10

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Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

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