Resogun - Análise

Empenho é preciso, diversão é garantida.

Quando os Finlandeses do Housemarque anunciaram RESOGUN durante a Gamescom 2013, tive desde logo a certeza que este seria o primeiro jogo que iria experimentar na PlayStation 4. Não porque tenho qualquer mania de querer ser diferente e de procurar algo mais extravagante, simplesmente porque as lições que aprendi com a PlayStation 3 e com a PlayStation Vita é que o encanto pode estar onde menos se espera. Aclamado como o sucessor espiritual de Super Stardust HD, Resogun é um jogo que assenta na fórmula dual-stick shooter e que promete deliciar todos os que se deixarem cativar.

A premissa é simples, a execução fácil e a profundidade existe para criar uma boa sensação de recompensa. Aqui não nos limitamos a disparar para as naves que nos atacam, aqui temos toda uma nova estrutura de jogo que resulta numa gameplay cativante. Tudo isto num jogo que é oferecido a custo zero a todos os membros PlayStation Plus e que serve como um fenomenal ponto de partida para a vossa nova consola. Por outro lado, é igualmente um produto que se encaixa bem ao lado dos jogos de alto perfil de retalho que a maioria vai querer comprar.

Mas então onde está a razão para tamanho entusiasmo? Isso é fácil, estamos perante uma fórmula de jogo clássica que remonta ao passado mas agora numa consola futurista que nos permite visuais incríveis enquanto corre a 1080p e a 60 fotogramas por segundo. Podem ter a certeza que isto não são meros detalhes tecnológicos, são preciosidades num videojogo que tornam a experiência numa total diversão. Já mencionei que sem nos aperceber-mos nos deixa fascinados com os analógicos do novo DualShock 4?

Geometry Wars na Xbox 360 e Super StarDust HD na Playstation 3, quem os jogou sabe a importância dos mesmos no lançamento das suas consolas e sabe bem o poder que este tipo de jogos pode ter para marcar todo um serviço. Nesta era de transição é importante ter este tipo de experiências que se sentem familiares mas que ao mesmo tempo dão a sensação de apenas serem possíveis numa consola já mais avançada. Resogun não só dá essa impressão como a concretiza e isso não se fica apenas pelos visuais, todas as mecânicas parecem demonstrar claramente que apenas poderiam funcionar com esta sintonia numa máquina de topo.

Resogun é frenético, caótico, recompensador, vicia, motiva e é um espectáculo de cores e efeitos visuais que nos fazem sentir que estamos perante o melhor fogo de artifício que já vimos na vida. Mas tudo isto é quase padrão neste género de jogos por isso em que se destaca este novo jogo? Dizer que o Housemarque foi além de Super Stardust HD é um grande elogio mas o que interessa é explicar porque e como o consegue. Através de engenhosas artimanhas na gameplay que vamos aprendendo para depois respeitar e quando confiantes desafiar.

Assim que o nível começa ouvimos "Save The Last Humans" (até o nosso DualShock 4 o diz) e este é o elemento mais importante da experiência. Tudo aqui está assente neste pequeno detalhe que molda toda esta clássica fórmula repetida imensas vezes ao longo de mais de 20 anos. Todos os jogos precisam do seu "quê" que os distingue, o de Resogun é este. Existem dez humanos por nível que temos que salvar do fim do mundo e todos eles estão ligados a inimigos específicos e todos eles nos dão bónus e extras.

O jogo recorre aos analógicos para movimentar e disparar (a regra essencial que define um dual-stick shooter) e enquanto disparamos nos inimigos e desviamos dos seus tiros sentimos que o andamento simples rapidamente cresce para se tornar infernal. Assim que ouvimos "Keepers Detected" sabemos que surgem no nível inimigos rodeados por uma luz verde que temos que destruir rapidamente e sem morrer para um humano ser liberto da sua prisão. No meio de todo o caos teremos que rapidamente recolher esse humano para o entregar num portal de salvamento.

Muito fácil de explicar e fazer mas quando a dificuldade começa a subir e as adversidades se tornam implacáveis, sentimos que o jogo tem uma profundidade incrível e que a simplicidade é um embuste para nos apanhar. Tudo isto decorre num ambiente 2D no qual o mundo é cilíndrico e voamos à volta do mesmo. Existem momentos em que teremos que ser altamente ágeis e saber por onde ir e como agir porque manter o multiplicador a crescer ao destruir inimigos enquanto salvamos humanos é um dos maiores gostos que o jogo dá.

Empenho é preciso, diversão é garantida. Em alguns instantes Resogun torna-se demasiado para nós, nessa hora teremos que aplicar um dos três especiais ao nosso dispor. O Turbo permite viajar rapidamente pelo nível ficando temporariamente invencível destruindo os inimigos pelo caminho, a Bomba varre o nível como uma onda de choque derrotando tudo no seu raio de alcance e o Overdrive coloca um escudo à volta da nave enquanto disparamos um brutal raio laser. Todas estes ataques especiais convivem em alta sintonia com todos os elementos do jogo portanto a sua gestão depende inevitavelmente da nossa habilidade.

Recomendo começarem em Novato pois assim podem aprender as mecânicas e como utilizar melhor o que temos ao dispor. A dada altura vão sentir que são capazes de tudo e que até poderiam tirar finos enquanto jogam Resogun. Hora de passar para uma dificuldade superior e assim consecutivamente. Quando dominarem por completo um nível numa dificuldade (salvando os humanos e conseguindo o multiplicador máximo) sobem a dificuldade e vão pelo caminho ficando melhor e vão sentir uma maior sensação de recompensa.

A realização bem sucedida das tarefas exigidas recompensa o jogador com um aumento no multiplicador, escudos, Overdrive restabelecido e também melhorias nas armas. Tudo isto é altamente importante pois temos que saber quando é melhor usar os especiais e como gerir o Turbo (um elemento essencial de Resogun) e é precisamente a coerente e firme gameplay em harmonia com um espectáculo áudio-visual que eleva Resogun acima da maioria. Quando estiverem frente a um mar de inimigos que parece preencher todo o ecrã vão perceber que o desespero de nada ajuda, a rapidez de execução sim.

Resogun pode querer sugerir que estamos nas arcades há 20 anos atrás mas os visuais quase nos querem enganar a acreditar que estamos bem no futuro. Um festim de cor que corre a uma velocidade incrível é o que podem esperar do novo jogo do Housemarque. Além dos efeitos e acontecimentos que decorrem no cenário em si, além dos efeitos e balas que os inimigos vão deixando, Resogun ainda maravilha o jogador com efeitos especiais fantásticos e por vezes acontece demasiado ao mesmo tempo para a nossa cabeça aguentar.

Existem inimigos de diversos tipos com comportamentos e ataques diferentes, efeitos como o Turbo ou o Overdrive são fenomenais de assistir, assim como o largar de uma bomba. São detalhes que ficam e que começamos a atribuir ao poderio visual do jogo. A sensação que nunca estamos parados é real mas o departamento visual mais do que contribui para isso e quando terminamos uma fase existe uma alteração no nível que o pode mudar drasticamente. Pena os bosses de final de nível não terem muita graça mas o espectáculo visual que surge consoante destruímos os seus cubos é de arregalar a vista.

O principal problema de Resogun é mesmo a sua curta longevidade, temos apenas cinco níveis. O convite para o prolongar passa pela aprendizagem das mecânicas para consequente repetição dos níveis em modos de dificuldade superior. Consoante o jogador cresce e vai tentando salvar os humanos mantendo o multiplicador sempre em ascendente, vamos dominando o jogo até obter o modo de dificuldade Mestre. A partir daqui só mesmo os Troféus poderão manter um jogador mais empenhado além do puro vício de jogar apenas pela diversão.

Um jogador normal poderá conseguir em média 35-40% dos Troféus bem rapidamente mas o restante é onde está o verdadeiro apelo. Essa é a linha que separa os curiosos e novatos dos intermédios e dedicados. Alguns só mesmo os experientes terão capacidade para isso. Daí a nova forma de catalogar a raridade dos Troféus na PlayStation 4 se tornar tão curiosa e deliciosa. Agora saberemos quantos têm o que todos os outros querem mas não conseguem.

Para tentar prolongar ainda mais essa longevidade, Resogun inclui um modo cooperativo para dois jogadores e tudo é suave como seda, de outra forma não poderia ser. Dois jogadores enfrentam os níveis em conjunto tanto no modo Arcade como em níveis separados. Tudo funciona tão bem quanto a solo e se estiverem cansados de jogar o jogo esta poderá ser uma boa forma de prolongar o vosso tempo com ele, caso comecem a sentir algum cansaço.

Resogun é um espectáculo visual e uma delícia de jogar e pena mesmo não incluir mais naves e mais níveis. Capacidades de personalização e até quem sabe mais modos de jogo poderiam ter beneficiado ainda mais o jogo mas tal como está é na mesma um produto de alta qualidade. O cooperativo online, a reprodução remota na PlayStation Vita e a sua gameplay clássica mas ao mesmo tempo avançada, fazem com que seja um ótimo passaporte de entrada para a PlayStation 4. Após algumas horas com o jogo percebem facilmente porque a Sony o inseriu no PlayStation Plus, mais do que demonstra qualidade visual e é fantástico para habituar os jogadores ao Dualshock 4.

8 /10

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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