Dynasty Warriors é uma das séries mais peculiares que existe na atualidade, uma das mais estranhas também. A sua dedicada base de fãs parece não ter motivos para crescer pois estamos perante um produto para o qual a Koei parece teimosamente não permitir evoluir. No entanto, ao longo da infindável lista de lançamentos da série, e derivados, que se vai sucedendo a grande ritmo anual, vão sendo implementadas novidades, feitos ajustes, melhoradas mecânicas de jogo, introduzidas algumas novas, e a profundidade vai crescendo a bom ritmo, fazendo com que os fãs possam manter o interesse.

Mas a linha que separa a postura comum de que a série está parada à 10 anos da perceção das novidades é tão fina que facilmente Dynasty Warriors se vai afundando fora da vista das massas e vai pavimentando o seu percurso dentro de nichos específicos. Dynasty Warriors NEXT é então o mais recente produto desenhado pela Koei para a série e não deixa de ser intrigante que NEXT seja provavelmente o título com que tive contacto que mais novidades confere à sua gameplay.

NEXT usa como base Dynasty Warriors 7: Xtreme Legends, lançado para PlayStation 3 e Xbox 360, implementa algumas novidades e ainda faz uso de algumas das novas funcionalidades da PlayStation Vita. Tendo em conta que o jogo mais divertido dentro da série e derivados que joguei foi mesmo Strikeforce na PSP não me espanta que NEXT seja o jogo mais divertido que já joguei e tal é devido mesmo ao combinar da gameplay clássica com as capacidades únicas da Vita. Esta sintonia permite que a experiência fuja um pouco aos moldes tradicionais mas mesmo assim não deixa de ser demasiadamente igual a si mesmo.

O grande modo presente aqui é o modo Campanha. Com uma história inspirada em Romance dos Três Reinos, NEXT permite que o jogador assista a pequenas conversas entre as principais figuras do jogo, os generais, que desenrolam a história e estabelecem um enquadramento com a narrativa global. Tudo bastante banal e sem grande capacidade para cativar o jogador, sem contar que todos os diálogos são servidos num Inglês cujos atores nem parecem ter feito qualquer esforço.

Este é o modo no qual vamos desbloquear novos personagens, novos itens ou colecionáveis e ao longo dos sete cenários existentes, cujos episódios consistem de vários níveis, vamos ter a possibilidade de testar novos personagens e elaborar estratégias de jogo graças a um sistema de cartas e respetivos atributos. Antes de cada batalha o jogador pode selecionar cartas que lhe conferem melhorias e habilidades especiais, como ataque ou defesa melhorados, e após isso podemos escolher o personagem que vamos controlar e alguns dos outros generais que nos vão apoiar ao longo do campo de combate.

Após isto entramos no jogo propriamente dito e temos então a mesma gameplay de sempre mas agora numa forma aprimorada. Nada de muito fascinante mas com alguma profundidade para cativar quem tiver paciência para tal. Temos então um enorme campo de batalha para percorrer com vários pontos fulcrais que desempenham um papal altamente importante no rumo dos acontecimentos. A Koei imprime maior estratégia a este hack'n'slash desmesurado e incessante quando nos força a não correr para a última base do inimigo mas a viajar por todo o mapa conquistando pequenos acampamentos cujas características podem ditar a vitória.

O jogador pode ter o caminho aberto para o último bastião do general inimigo principal mas ao chegar lá pode correr o risco de conhecer por si mesmo que quanto mais depressa mais devagar. Se pelo caminho for derrotando o número necessário de inimigos para cada um dos locais que os albergam, vai estar a privar a sua fortaleza principal de reforços, comida e outro tipo de elementos especiais que os iriam tornar mais fortes no último confronto. Conquistar acampamentos, armazéns de armas ou até de comida vai fazer com que as nossas forças sejam mais fortes e as dos inimigos mais fracas.

Enquanto vamos pelos níveis martelando combinações que consistem no alternar entre dois botões de ataque, e variadas consoante o personagem, o jogador vai perceber facilmente que as suas conquistas ao longo do nível ditam a maré do último confronto. Em momentos singulares face a generais inimigos o jogo larga o esquema de controlo clássico (analógicos e botões tal como nas consolas caseiras) e introduz duelos nos quais os controlos por toque reinam. O jogador tem que deslizar os dedos pelo ecrã frontal para desferir ataques e em momentos mais acessos tem que rapidamente tocar nos pontos que surgem no ecrã para repelir os ataques inimigos e o deixar aberto a novos ataques.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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