CD Projekt: É mau se Xbox 720 não permitir jogar jogos usados

Vai contra a forma de estar da produtora.

Ao contrário da Volition, a CD Projekt Red não vê com bons olhos a ideia da próxima Xbox não permitir que as pessoas joguem jogos usados.

Em declarações ao Eurogamer, Adam Badowski, gestor do estúdio responsável por The Witcher 2, falou sobre a tão especulada tecnologia da próxima Xbox dizendo que, "Pode ser uma coisa má."

"Suponho que vocês saibam que decidimos não continuar a nossa magnífica jornada com os advogados à procura de piratas...," explicou ele.

"Estamos a perder dinheiro e não é por causa dos piratas; estamos a perder dinheiro porque as pessoas decidiram não comprar o nosso jogo."

"Devemos investir mais em poder para melhorar e polir os nossos produtos e assim convencer os jogadores a ficarem com os nossos produtos, a ficarem connosco, para perceberem as nossas necessidades - porque nós somos uma produtora independente, temos que nos prevenir dos despedimentos, precisamos de crescer e de ter o poder para criar novos jogos."

"Nós queremos ser tratados de forma justa."

"A maior parte das soluções de hardware são boas por curtos períodos," relatou Badowski, "mas uma forte relação com os jogadores e consumidores, pode mudar a situação. E para nós, esta é uma melhor forma."

Michal Platkow-Gilewski, chefe de marketing da CD Projekt Red, acrescentou que, "Os nossos jogadores fazem as suas escolhas, eles querem continuar connosco porque acreditam que o nosso produto vale a pena, vale a pena ficar nas suas prateleiras, mesmo que eles já tenham terminado o jogo duas ou três vezes. E eles fazem isso porque têm o livre arbítrio, e se nós lhe tirarmos isso, talvez seja bom para o negócio, mas se alguém me forçar a ficar com um jogo que eu já não quero, isso vai contra a minha vontade."

"Queremos fazer o máximo possível pelos nossos jogadores. Não queremos forçar ninguém a nada. Foi como o que fizemos com o DRM. Demos aos jogadores a liberdade e acreditamos que eles continuam connosco."

A CD Projekt Red parece ter usado a sua confiança nos jogadores para combater a pirataria no PC. The Witcher 2 foi vendido no GOG sem qualquer sistema anti-pirataria, e o jogo teve um apoio incansável no que diz respeito ao lançamento de novos conteúdos, características e correcções. O melhor é que tudo isso foi gratuito.

A equipa espera ter deixado uma mensagem claríssima: Se estás a ser tratado assim, compra o nosso jogo.

No entanto nas consolas, os jogos usados parecem ser ainda mais prejudiciais que a pirataria.

"Estamos um pouco preocupados," admitiu Badowki, "porque este é um mercado totalmente novo para nós, e esta é uma segunda oportunidade para o jogo. É uma espécie de experiência para nós."

A CD Projekt acredita que o ano que passaram a adaptar e a melhorar The Witcher 2 na Xbox 360 seja suficiente para conquistar o coração dos jogadores.

"Estamos a oferecer um RPG enorme," contou Badowski. "E penso que o coração e a alma de um jogador de RPGs é diferente da dos outros jogadores - a maioria deles querem ter os melhores jogos na sua prateleira pessoal. O jogo está cheio de conteúdo - este é um dos melhores RPGs do mercado."

Nas consolas para se combater o mercado dos jogos usados é frequente os passes online e os DLCs. Oferecer conteúdos gratuitamente pós lançamento, tal como aconteceu em The Witcher 2 no PC, não é um ideal que agrade à Microsoft.

"Existe um problema, porque a politica da Microsoft não nos deixa dar às pessoas conteúdos gratuitamente," sublinhou Badowski.

"Prometemos dar aos nossos fãs coisas como pequenos DLC com atualiações e conteúdos extra de graça. É a nossa política. Por isso temos um grande problema aqui. Precisamos de pensar sobre isso."

A CD Projekt tem uma reputação invejável e de bom relacionamento com o público do PC, e os seus métodos dão motivos para as grandes companhias pensarem. E não existe razão para que essas práticas não possam ser usadas também no desenvolvimento de jogos para consolas.

"Estamos a tentar mudar um pouco os padrões de cada plataforma," referiu Platkow-Gilewski, explicando como a edição normal de The Witcher 2 na Xbox 360 virá com muito mais do que é normal na indústria: dois DVDs e um guia impresso, um manual e um grande mapa. "É já uma das melhores edições que podes encontrar nas lojas, e é vendida a um preço normal," disse ele.

"A cada passo tentamos mudar algo e a influencia algo tal como fazemos no mercado do PC," acrescentou Platkow-Gilewski.

"Essa é a nossa forma de estar, a nossa política - queremos mudar a indústria," acrescentou Badowsky. "Nós somos... Rebeldes!"

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Luís Alves

Luís Alves

Colaborador

É o nosso super-homem. Não existe nada que o Luís não saiba e o seu conhecimento da indústria é longo, permitindo-lhe estar sempre à frente de todos. É o homem que nunca dorme.

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