Como é normal neste género de jogos, o tutorial suporta-se demasiado em texto explicativo. No início tudo bem, vamos construindo os poucos edifícios e unidades disponíveis, se perdermos algum detalhe vamos ao Data Log e rapidamente continuamos. No entanto, fiquei com a clara sensação que nunca tive apoio quando realmente precisava. Lembro-me por exemplo de um objetivo onde tinha que entregar uma carga a um armazém específico, mas o jogo não se deu ao trabalho de me dizer onde era o armazém. Provavelmente era suposto eu saber mas "hey", pensava que isto era um jogo de construção de edifícios, tinha a memória semi-desligada. Apesar dos contratempos o ritmo mantém-se lento mas agradável durante os três capítulos desta campanha estilo tutorial.

Existe a possibilidade de jogar missões isoladas, mas o modo mais apelativo vai continuar a ser o contínuo (continuous game), onde temos toda a liberdade e tempo para desenvolver a nossa civilização. A fórmula tradicional de Anno mantem-se intacta, a construção e manutenção de uma civilização ao nível económico e industrial, com um crescente nível de dificuldade suportado por novas tecnologias e unidades ao longo do tempo, que fazem de nós um estratega e um bombeiro virtual ao mesmo tempo.

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Com o tempo ficamos mais organizados.

De uma forma simplista o gameplay segue a seguinte ordem - Extrair recursos básicos, produzir materiais para a construção de residências, aumentar a população, construir estradas para ligar os vários edifícios, cobrar impostos, desenvolver a indústria, controlar o nível de poluição e colonizar novas ilhas à procura de novos recursos. Isto quando combinado com missões variadas, manutenção das relações diplomáticas com as outras civilizações e controle da poluição, já oferece a complexidade que os adeptos deste género procuram.

Uma das mudanças neste novo título está no facto de os armazéns (warehouses) partilharem a mesma "stack", ou seja, desde que ligados por uma estrada, temos acesso aos materiais guardados em qualquer armazém, e a partir de qualquer armazém. Isto remove completamente a necessidade de transportar recursos de um lado para o outro, clássico de outros jogos deste género. As ilhas nunca possuem todos os recursos que necessitamos, e isso forçar-vos-á a procurarem novas terras para explorar. A vantagem é que depois basta construir um armazém e temos acesso a toda a nossa panóplia de bens.

A desvantagem é que o jogo acaba por centrar demasiado o objetivo na otimização do espaço limitado que vamos adquirindo. Não há muito a considerar, qual é o número máximo de edifícios que consigo colocar nesta ilha? Construímos a maior zona residencial possível, juntamente com os edifícios industriais e de serviços que permitam à população evoluir. Acaba por se tornar um ciclo agradável, que aumenta gradualmente a dificuldade de gestão da civilização, mas é algo repetitivo na sua essência, desenvolver a economia para fazer avançar a população, e desenvolver a economia novamente.

A principal novidade de Anno 2070 está nas suas características persistência, suportadas pela plataforma que corre o jogo, a Uplay. Precisam ter uma conta Uplay e efetuar o respetivo login para jogar, no entanto, o jogo não fecha se ficarmos sem ligação. A plataforma oferece uma lista de contactos, e um chat global para encontrarmos parceiros de jogo. Todos os dias temos acesso a uma quest de uma das fações à nossa escolha. Por vezes somos confrontados com a possibilidade de votar numa decisão política no senado global, escolhendo entre os três maiores grupos. Estas decisões têm influência direta no tipo de missões e recompensas que podemos adquirir. Existe esperança para o futuro, os Eco ganham quase sempre as votações, 54% dos votos no total das votações a quando desta análise.

Visualmente Anno 2070 consegue ser um festival de detalhe com as opções gráficas ao máximo. Os ambientes não são variados mas são extremamente detalhados, desde a vegetação até à atividade da população no dia-a-dia. Os edifícios também acompanham este padrão de qualidade, mas tive um tremendo problema até conseguir distingui-los propriamente. Primeiro como têm um aspeto futurista são mais difíceis de identificar, e depois esteticamente partilham a mesma palete de cores. Isto torna difícil de selecionar as estruturas individualmente, e torna a micro gestão apenas possível em zoom máximo, ao nível da rua.

Julgo que de uma forma geral, o salto para o futuro foi uma boa aposta por parte da Ubisoft. Possibilitou a combinação da fórmula já estabelecida da série Anno, com elementos de ficção científica. Deu uma pele renovada a um modelo que arriscava cansar, em conjunto com um tema moderno com o qual nos relacionamos de imediato. As mecânicas básicas são antigas e repetitivas, mas a plataforma online que sustenta o jogo oferece possibilidades imensas para missões e colaboração com outros jogadores. Em relação à sua longevidade, Anno 2070 é um exímio consumidor de tempo, o modo contínuo é infinito, mas mesmo as missões singulares podem demorar várias horas.

7 /10

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Sobre o Autor

Aníbal Gonçalves

Aníbal Gonçalves

Redator

MMOs e RPG são com o Aníbal. Aliás existe um rumor na redação que a sua primeira casa é o World of Warcraft. Mas às vezes também o vemos a fazer uns exercícios. Não é mau de todo.

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