Street Fighter x Tekken • Página 2

No final apenas pode haver Ono.

Um dos maiores e mais espantosos pontos de Street Fighter IV foram as animações e as expressões faciais dos personagens. Altamente cómicas e divertidas de ver mas que ao mesmo tempo conferiam verdadeiro dinamismo e envolvimento nos combates. Quem não adorava aplicar, por exemplo, um Metsu Shoryuken com Ryu em Super Street Fighter IV? O som dos furiosos golpes a encaixar e as expressões de Ryu e da sua vítima eram simplesmente deliciosos de ver e ouvir.

Tal vai continuar a ser um dos elementos de destaque neste novo jogo e é a prova de que o motor tem muitas formas de ser aplicado. A inserção de um esquema de combates no qual podemos trocar de personagem é altamente diferente do que Street Fighter IV nos deu e vai ao encontro do que vimos em Tekken Tag Tournament. Isto permite não só movimentos estrondosos a nível visual como também altera completamente o esquema e o equilíbrio da jogabilidade, sem contar com o ritmo de jogo muito mais alto (mais similar a Tekken).

É precisamente um dos aspetos que mais me espantou, o primeiro contacto com a jogabilidade derrubou completamente quaisquer reticências que restavam. O jogo tem um ritmo alto e o mais cativante é que se sente natural e a diversão resultante é enorme. O controlo dos personagens é igual ao de Street Fighter, não tivemos a oportunidade de experimentar o controlo alternativo para os personagens de Tekken, e se os personagens da série da Capcom estavam em casa, os jogadores de Tekken surpreendem por se sentirem tão naturais nos controlos e a jogabilidade base do produto é refrescante.

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A jogabilidade é intuitiva e imediata e prepara-se para cativar qualquer céptico.

Com um ritmo mais elevado o equilíbrio e profundidade continuam na mesma a reinar. Todos os personagens estão rápidos, alguns como Guile estão mais rápidos que o habitual e viram os seus atributos modificados para satisfazer melhor os padrões deste novo jogo. Guile, por exemplo, tem movimentos mais rápidos e combinações mais acessíveis (algo que é padrão comum a todo o elenco) mas ao mesmo tempo retém a força defensiva e os ataques de longo alcance. No entanto com movimentos tão rápidos e um ritmo elevado, já não é tão aconselhado usar a defesa pois o inimigo investe furiosamente sobre nós.

Ryu e Kazuya eram a dupla da praxe, aquela que mais cativou os fãs e mais vezes era escolhida. Rápidos e com golpes simples de aplicar mas extremamente eficazes e furiosos, permitiam um jogo bem elaborado mas de alto ritmo. Todos os personagens têm novas combinações, e iniciações aos combos bastante intuitivas e rápidas de aplicar e a partir daí é livre para "brincar" como quer. Caso o queiram, ou caso um combo seja aplicado de forma efetiva e assim o desejarem pois fica aberta uma pequena janela de tempo para isso, podem chamar o colega de equipa e continuar o espetáculo visual.

Combinar diferentes lutadores, tendo em conta os seus atributos e estilo de luta, pode ser extremamente recompensador. Claro que usar sempre a mesma equipa e aperfeiçoar o seu jogo é algo que cativa alguns mas a sensação que combinar e experimentar oferece uma experiência diversificada e a longo prazo recompensadora foi a impressão com que ficamos. A forma como os movimentos tão famosos dos personagens de Tekken surgem nesta versão também foi um dos atrativos e deixou-nos impressionados.

Utilizando Kazuya, efetuar e aplicar alguns dos seus mais famosos golpes foi tão natural quanto se podia pensar e sentiu-se como um personagem Street Fighter, como se sempre tivesse existido assim. Os combos mais poderosos de alguns jogadores surgem na forma de Ultras como visto no universo Street Fighter e usufruem da mesma aparatosa qualidade visual que todos os movimentos especiais vistos até à data nos diversos jogos da série da Capcom.

Iniciar uma grande combinação de golpes é algo fácil mas sentiu-se que existe aquela profundidade que tanto caracteriza ambas as séries, à sua maneira em cada uma. Ter diversão imediata pode ser possível, até mesmo martelar os botões o pode oferecer, mas só mesmo os mais dedicados que investirem tempo vão desfrutar a completo do jogo. Durante o tempo que passei com o jogo enfrentei alguém que já tinha passado algum tempo com o jogo e que era dedicado a Street Fighter. O que aconteceu foi que a minha curva de aprendizagem ainda nem a meio ia, falando das bases, das nuances na jogabilidade e dos ajustes feitos a toda a base de Street Fighter IV para receber Tekken e combates de 2 vs. 2, e já via alguém jogar de forma natural e a despachar combinações.

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Este não é uma simples troca de galhardetes, é o confronto que nunca se pensou ser possível.

A Capcom conquistou um espaço só seu com Street Fighter IV e algo espantoso está em germinação com a Namco Bandai, um confronto de titãs que finalmente ganha vida. Falando de jogos de luta por equipas, Street Fighter x Tekken parece ostentar irreverência e imprevisibilidade tão ou maior quanto Marvel vs. Capcom 3 mas já dá indicações de ter uma profundidade que Fate of Two Worlds nem sequer conseguiu visualizar.

A convicção que ficamos foi que este é o próximo grande título dentro dos jogos de luta e esperamos que o bom trabalho surja em grande força na sua versão final. Visualmente espantoso, é uma maravilha de ver em movimento com as suas personagens dotadas de animações surreais e cenários repletos de vida, com uma jogabilidade rápida, irreverente mas profunda, Street Fighter x Tekken já tem um espaço dentro de nós que espera pela sua chegada.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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