Steel Diver • Página 2

Torpedo neles!

A ação é lenta e repetitiva, contudo, ao final de umas horas conseguimos controlar melhor os movimentos do nosso veículo, conhecer as posições dos inimigos, e as melhores formas de evitar os obstáculos. Assim com alguma prática, o desafio de bater sucessivamente o melhor tempo dos níveis revelou-se uma tarefa estranhamente gratificante. Os submarinos inimigos têm uma posição fixa, e disparam na nossa direção quando estamos perto, enquanto os navios bombardeiam a nossa unidade largando cargas explosivas que precisamos evitar. É possível regressar à superfície para recarregar o nosso escudo, mas existe uma forte hipótese que sejamos vítimas de ataques aéreos. Neste sentido, a melhor forma de ultrapassar as missões é evitando a maioria das ameaças, principalmente quando jogamos com o submarino mais pequeno, o ND-01.

É possível desbloquear um modo expert, bastante mais interessante que a campanha normal que já por si é demasiado curta. Para além disso, um modo onde podemos correr contra um fantasma controlado pelo jogo, representa um incentivo extra para repetir os níveis. O único problema neste caso é que repetir os mesmos níveis pela quinquagésima vez, apenas aumenta em nós a desilusão por não existirem pelo menos alguns níveis novos.

Os dois modos extra parecem ter sido atirados para o jogo à pressa, apenas para compensar o jogador pela ridícula escassez de conteúdo do modo missions. Ainda assim, o modo Periscope Strike consegue ser engraçado, e abre a caça aos navios inimigos. Neste modo podemos controlar o periscópio de duas formas diferentes, utilizando o touchscreen, ou com o giroscópio de forma semelhante à de Face Raiders, o pequeno jogo que vem incluído com a Nintendo 3DS. Enquanto rodamos a consola à procura de unidades inimigas para as enviarmos pelos ares, temos que estar atentos para mergulhar no momento certo para evitar os ataques inimigos, podemos ainda fazer zoom para conseguir melhor enquadramento com os navios que queremos destruir. O Periscope Strike é introduzido no modo missions por breves momentos quando acabamos cada nível, o facto de os produtores terem decidido criar um modo independente de jogo só para sessões de periscópio é difícil de entender. Pessoalmente preferia mais níveis no modo principal, com a pequena sessão de Periscope Strike no final, seria muito melhor.

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Exemplo das missões com o periscópio (Periscope Strike).

A prenda final dos produtores vem sob forma de um outro modo extra de jogo, este completamente independente e diferente dos outros, o modo Steel Commander. Este funciona basicamente como um combate estratégico por turnos, ao estilo de Final Fantasy Tatics por exemplo, onde os movimentos das unidades estão limitados a um número de tiles (pequenos hexágonos neste caso). Temos três tipos de unidade à disposição, todas com capacidades diferentes. Os Submarines capazes de utilizar o sonar para detetar unidades inimigas e disparar torpedos, os Escorts aptos a largarem cargas explosivas a várias profundidades, e por fim os Supply ships incapazes de disparar mas fundamentais já que são eles que determinam o vencedor da batalha.

O primeiro jogador a ficar sem supply ships perde, um bocado como o rei do xadrez. O movimento é bastante limitado, e apenas podemos mover uma unidade a cada turno. Não conseguimos ver a localização das unidades inimigas até o sonar ser utilizado, ou uma unidade inimiga se encontrar lado a lado com uma das nossas. Depois de descoberto o inimigo, o submarino utiliza o periscópio para atacar os navios, enquanto o Escort pode largar uma carga explosiva até três níveis diferentes de profundidade para derrotar os submarinos inimigos. Este modo de jogo requer imensa paciência e irá fartar rapidamente depois de completar os nove mapas disponíveis, no entanto, certamente irá entreter os fãs deste género por mais algum tempo depois de derrotarem o modo principal. Foi introduzido ainda a possibilidade de Download Play, onde podemos jogar este tipo de batalhas com alguém que possua outra Nintendo 3DS.

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Exemplo do modo de jogo Steel Commander.

Graficamente apesar de ser um jogo razoável, Steel Diver não faz grande coisa com as capacidades 3D da consola da Nintendo. A camada extra perde grande parte do seu apelo debaixo de água. Ainda assim, este título representa um estranho teste de skill e paciência ao jogador, a dificuldade do jogo apresenta um desafio considerável, mas quase exclusivamente ao nível da execução. Apesar de toda a sua originalidade raramente consegue ser divertido, confesso que até me habituar definitivamente aos controlos, chegou a ser frustrante. Existem alguns momentos em que a ação no touchscreen consegue ser gratificante pelo cálculo antecipado que precisamos fazer, mas na maioria do tempo é bastante monótona.

Em suma acabou por ser uma desilusão especialmente pelo potencial no conceito básico do jogo, como já referi, shoot'em up de submarinos em side-scrolling era algo que nunca tinha experimentado, numa indústria carregada de sequelas e remakes de baixo risco. A longevidade de Steel Diver é extremamente baixa, e o replay value é praticamente zero, ou seja, dificilmente terão vontade de repetir a aventura depois do final. Apesar dos pontos contra, é uma experiência que recomendo a quem procura algo novo, ficando ao critério dos jogadores decidir se o preço justifica a oportunidade.

6 /10

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Sobre o Autor

Aníbal Gonçalves

Aníbal Gonçalves

Redator  |  Darthyo

MMOs e RPG são com o Aníbal. Aliás existe um rumor na redação que a sua primeira casa é o World of Warcraft. Mas às vezes também o vemos a fazer uns exercícios. Não é mau de todo.

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