Mafia II • Página 2

História acima de tudo o resto.

A cidade não tem muita vida. Ao andar a pé pelas ruas percebe-se isso. Vemos as pessoas a passear (sempre em pouca quantidade) e os carros a passar. Nada mais. Não existe algum tipo de interacção que nos faça sentir que podemos interagir com Empire Bay. Se matarmos alguém no meio da rua ou excedermos o limite de velocidade a polícia vem atrás de nós, é a única interacção que vão ter. Quem andar sempre de carro e cumprir a rotina que imposta pelo jogo, não vai conseguir perceber que a cidade é quase como se fosse um deserto. Isto está muito bem disfarçado pois com os carros, vestuário e música é criada uma atmosfera muito fiel aos anos 40/50.

O grafismo beneficia da pequena dimensão de Empire Bay. As caras e as expressões faciais das personagens estão melhores que outros jogos do género. A cidade consegue ter mais detalhes que por exemplo, Liberty City. Ainda assim existem texturas de baixa qualidade bem notáveis, é só olhar para a vegetação. Uma das melhores coisas é a destruição nos cenários. No meio de uma troca de tiros escondam-se atrás de uma pilar e verão as arestas a desgastarem-se e bocados de cimento a saltarem. Em outras ocasiões é o vidro que se parte e lascas de madeira que saltam. Os carros ficam com as marcas das balas, mas quando se dá um embate o dano poderia ser maior.

As missões por vezes surpreendem com alguma variedade, vai haver ocasiões em que temos de seguir um carro, fazer um assalto, esconder um corpo, bater em alguém, sentimo-nos como um verdadeiro membro do crime organizado. Mas a maioria das vezes as missões resumem-se a entrar num local e matar vagas e vagas de inimigos. Existe um exagero neste tipo de missões. No final do jogo a ideia que transparece é que a mafia passa a vida em tiroteios.

Existem limitações em certos campos. Para exemplificar, temos o sistema de luta corpo-a-corpo que é demasiado básico. O botão X (versão Xbox 360) serve para punhos leves e Y para punhos fortes. Ao pressionar no A esquivamo-nos dos ataques e com o B contra-atacamos. Quando o nosso adversário está quase derrotado, executamos uma espécie de “finishing move”, a animação é sempre a mesma. Há várias missões em que vão ter de usar obrigatoriamente os vossos punhos, e devido a isso, exigia-se um sistema melhor.

Vito Scarletti possui limitações físicas, não consegue saltar. Consegue passar por cima de obstáculos, mas saltar não. Vito também não consegue nadar e recusa-se a entrar na água. A única maneira de entrar nela é com o carro, e quando entram o ecrã fica preto, de seguida Vito aparece miraculosamente fora da água como se nada tivesse acontecido. Outra limitação é não conseguir disparar sem fazer mira, uma pequena habilidade que daria jeito quando as balas estão a voar por todos os lados e não queremos arriscar meter a cabeça de fora. A última limitação de Vito é não conseguir disparar enquanto conduz.

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Não consegui por a vista em cima deste carro.

Apesar dos seus defeitos existem pormenores agradáveis em Mafia II, a inclusão de neve é um deles, embora apenas apareça nos primeiros capítulos. É possível personalizar os nossos veículos e guardá-los na nossa garagem. Podem alterar as jantes, a cor, a matrícula e afinar o motor. Arranjar o motor quando o carro está danificado e poder meter gasolina são bons detalhes.

Estranhamento não dá para continuar a história depois de determinada. Ao seleccionar essa opção, o jogo remete-nos para o meio da missão final.

O única aspecto que realmente brilha em Mafia II é a sua história, o resto é apenas razoável. Acabei o jogo em 10 horas e meia. Após concluírem não há muito para fazer, podem recolher as revistas da Playboy e posters ou passar na dificuldade Hard caso não o tenham feito na primeira vez. Se estão à procura de uma boa história e a temática do jogo é do vosso agrado tem aqui uma excelente opção. Para ser sincero, adorei a experiência que Mafia II me proporcionou, o problema é que para um jogo de 2010, apresenta limitações inadmissíveis e mecânicas datadas.

7 /10

A versão analisada foi a da Xbox 360. A versão PS3 inclui o conteúdo adicional e exclusivo "The Betrayal of Jimmy".

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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