Enslaved: Odyssey to the West

Os fugitivos.

Versão testada: PlayStation 3

A Ninja Theory não fez por menos com Enslaved na tentativa de inscrever a sua produção no cardápio das grandes produções. A presença do conhecido actor Andy Serkis (movimentos e voz de Monkey) e o argumento desenvolvido pelo guionista Alex Garland são apenas alguns dos atributos que pretendem demonstrar firme seriedade depois de Heavenly Sword, a primeira obra do estúdio que apesar de satisfatoriamente aceite junto da crítica e dos fãs ficou algo distante de balizar novos padrões para o género. É certo que padecia (como outras produções) de alguns defeitos geralmente à mostra nos títulos de estreia, quanto mais não seja pela incapacidade de explorar um novo patamar tecnológico.

No fim de contas, Enslaved pretende corrigir essas dificuldades e inscrever um conteúdo mais sólido, prolongado, com melhores e mais elementos para interagir e sobretudo prender o jogador pela narrativa envolvente que a cada capítulo o deixa na expectativa. No fundo é uma obra original, e ainda que não modifique rotundamente muitos elementos que lhe garantem sustento em interactividade, vive sobretudo do ambiente pós-apocalíptico que lhe serve de sustento e da interacção entre as personagens, num relacionamento inevitavelmente próximo capaz de recordar outras produções como ICO, pela fatalidade com que certos destinos se cruzam.

Assim, iremos controlar e seguir de perto a aventura de Monkey e Trip nuns Estados-Unidos despedaçados, começando por uma visão nova-iorquina distante 150 anos do presente tempo, uma cidade e país mergulhados em absoluto estado-choque: arranha céus em ruínas, cobertos por uma densa e viva vegetação (a natureza cobre tudo), sem viv'alma. Pela frente só os obstáculos dos edifícios tombados e o perigo da maquinaria robótica em alerta vermelho. Enceta-se a fuga.

Monkey é um escravo feito prisioneiro numa colossal máquina voadora. Em tempos combateu criaturas mecânicas, vulgo robôs, que pelo domínio orquestrado no planeta fizeram valer a sua força diante dos humanos, agora seres em extinção sob ameaça permanente. Ele encarna o espelho da resistência e Trip, também prisioneira quer regressar a casa para junto da sua comunidade isolada nas montanhas.

Mais sobre Enslaved: Odyssey to the West

A ligação entre as duas personagens tem lugar no primeiro capítulo, num dos segmentos mais explosivos e empolgantes da obra. Enslaved entra com a força toda. Na verdade, Monkey consegue evadir da cápsula, observando pela janela que é uma rapariga hábil em tecnologia que abre as celas e causa dificuldades ao aparelho voador. Apesar de liberto, nem tudo lhe corre bem já que Trip certifica-se de aplicar a seu favor um mecanismo preso à cabeça do protagonista, ficando ambos irremediavelmente atados a partir daí. Além disso, se ela perder a vida, ele absorve uma carga letal de energia que o liquida imediatamente.

Durante a fuga uma boa parte do tempo é passada em corredores internos; não se sabendo do lugar, apenas do alerta geral que soa com gravidade. Eis, porém, que a dado momento uma explosão rasga uma secção lateral e logo damos conta que afinal estamos a bordo de uma colossal nave, um cruzeiro dos céus, que não é mais do que uma enorme prisão ambulante e que aos poucos vai perdendo peças. Caminha para destruição e despenhamento.

É uma das passagens mais fascinantes pois em fundo e no meio daquela fuga onde cada pedaço de chapa descola, observamos os primeiros sinais de uma Nova-Iorque pós apocalítica, onde a vegetação cobre betão e os edifícios não são mais que vultos dilacerados e vazados pela força de um confronto. As famosas pontes sobre o rio Hudson, com os seus tabuleiros quebrados permanecem desligadas, sobra ferro amolgado, chapa e destroços acumulados. Monkey e Trip conseguem escapar momentos antes antes da nave se desfazer algures na cidade, causando uma enorme nuvem de fumo negro.

A convivência entre Monkey e Trip pauta-se pela surpresa e a princípio o espadaúdo quase aperta o pescoço à "engenheira" depois de descobrir que a peça que leva atada ao cérebro é controlada por ela e que à custa disso ela quer servir-se de um meio para chegar à sua comunidade. A partir desse instante ambos serenam e ele providencia a força e habilidade para o combate enquanto que ela dá pistas e utiliza mecanismos para desbravar caminho ao longo dos destroços.

Comentários (25)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!