Eurogamer.pt

RiME na Switch - Emoção híbrida

A experiência está lá, mas com alguns compromissos.

A performance sofre imenso e em modo portátil a experiência é demasiado comprometida.

RiME foi lançado em Maio de 2017 na PlayStation 4, Xbox One e PC, mas o novo jogo da Espanhola Tequila Works estava ainda previsto para a Nintendo Switch, figurando-se como mais um indie de grande qualidade na popular híbrida da Nintendo. Recém lançada para o mercado no momento em que os Espanhóis estavam a terminar o jogo, a versão Switch precisou de alguns meses adicionais para o seu desenvolvimento e recrutou até a ajuda da Tantalus Media, conhecida por converter vários jogos para outras plataformas além das principais. Os Australianos converteram Twilight Princess HD para a Wii U e assinaram a versão Switch de Sonic Mania, o que mostra que já têm experiência na conversão de jogos para a híbrida da Nintendo.

Ao voltar ao jogo passados cerca de 6 meses, é fascinante voltar a confirmar que RiME é uma daquelas experiências pessoais que nos apaixonam com a sua capacidade para aguçar a nossa curiosidade a cada novo evento. É um mundo onde não são expressas palavras e onde a criatividade artística assume o papel de destaque e faz a "conversa" com o jogador. Ao voltar a um jogo numa outra plataforma, o mais interessante é descobrir a qualidade da conversão, mas podemos na mesma recuperar as palavras escritas na análise.

Relembrando o que escrevi em Maio, quando joguei a versão PlayStation 4, RiME é um daqueles jogos que desafia conceitos, um título que procura caminhar naquela linha extremamente fina que separa uma experiência interactiva de um videojogo. Que é um jogo não há dúvida. Um jogo que procura comunicar com o coração do jogador, que procura despertar os seus sentimentos. Talvez seja até possível ser descrito como um mergulho numa sessão de poesia interactiva, com um saudável apelo à interpretação para que cada um forme a sua identidade e comece a saborear um mundo virtual. RiME segue na veia de marcantes experiências como Journey e talvez possa acusar alguma familiaridade no conceito, mas o produto Espanhol é muito mais jogo do que a obra de Jenova Chen e da Thatgamecompany. Não o digo porque dura mais tempo, digo-o porque consegue um equilíbrio muito melhor entre as mecânicas e funcionalidades que caracterizam um jogo convencional e os tons de uma experiência interactiva.

RiME é um fascinante exercício numa indústria que evoluiu para um patamar em que permite experiências abstractas, permite experiências em diferentes géneros, permite experiências artísticas interactivas e permite também converter emoções em segmentos jogáveis. Remetendo mais uma vez para análise original, é uma viagem tocante e emocional, com lições para dar, lições que merecem ser aprendidas e que serão individualizadas por cada pessoa que aceitar a responsabilidade de conduzir aquele jovem rapaz a bom porto. Quando o rapaz sem nome acorda naquela praia sem saber onde se encontra, inicia uma jornada pela procura de respostas, pela procura de chaves que possam abrir as portas para grandes mistérios. RiME poderá eventualmente ser descrito como uma narrativa visual interactiva sobre a necessidade de encontrarmos respostas

"RiME na Switch é um jogo adorável e emocionante, manchado pela performance inconsistente."

RiME pode ser descrito como poesia em movimento, uma narrativa visual que qualquer jogador à procura de experiências diferentes certamente vai adorar interpretar. O maior deslumbre que senti ao jogar RiME foi mesmo a forma como o jogo me ensinou a interpretar as pistas visuais e quando dei por mim, sem esforço ou sequer pensar nisso, já procurava pelos cenários encantadores e coloridos os elementos que indicassem possíveis pontos de interesse. Os quebra-cabeças são na sua maioria simples, apesar de um ou dois forçar uma maior exploração, mas cumprem muito bem a sua parte para se tornarem num elemento respeitável desta narrativa. RiME não é um jogo que se importa se estás a ser o mais rápido ou o mais inteligente, é um jogo que se preocupa em transmitir a sua mensagem e se está a cumprir bem o seu dever, que é transportar-te para a ilha

Na adaptação para a Nintendo Switch, a Tantalus e a Tequila conseguem manter a experiência que muitos jogadores conheceram nas plataformas originais, mas existem fortes compromissos. A qualidade de imagem não é tão limpa e nítida em modo dock, mas a queda na resolução durante o modo mobile poderá ser demasiado acentuada para o gosto de alguns. São pequenos compromissos da portabilidade, uma contra-partida de conseguir jogar RiME em qualquer lado. A performance poderá causar ainda mais problemas, especialmente quando o rácio de fotogramas cai a pique e o jogo soluça de forma grave (acontece em modo portátil e na dock, como podes ver no vídeo em cima aos 10:40). Este é o jogo que a Tequila Works imaginou, agora a correr na palma das tuas mãos, está tudo aqui, apenas com uma performance e qualidade visual muito inferiores. Este é o elemento que separa a versão Switch das restantes, os fortes compromissos que podem roçar o insuportável em modo portátil.

Mesmo com os problemas na performance, muito acentuados quando tens panorâmicas mais vastas, RiME continua a pertencer a um grupo muito específico e singular de videojogos. Ainda mais na Nintendo Switch, que de mês para mês recebe mais conversões de aclamadas produções que tentam capitalizar com a popularidade da consola. De qualquer das formas, será preciso ter em conta que RiME na Switch é uma espécie de conversão frágil à procura de uma actualização urgente. Olhando para o jogo em si, a conclusão da análise original pode ser aplicada à versão Switch, uma vez que somente a performance e qualidade gráfica se distinguem das demais versões.

RiME é a magnífica e gloriosa prova viva da moderna era dos videojogos. Um título impensável há 10/15 anos atrás e que agora desfruta de uma nova mentalidade, madura o suficiente para se render a propostas que quebram os moldes e preconceitos de uma indústria que quer ser mais. São casos como os de RiME que dignificam os videojogos e nos fazem sentir alegria quando dizemos que "é por isto que eu jogo videojogos". É um jogo que sabe o que quer ser, que valoriza a mensagem que tem para entregar, mas ao mesmo tempo desafia o jogador como este merece ser desafiado. RiME é uma fascinante narrativa visual com uma mensagem forte para entregar e apesar de traçar território já conhecido, consegue-o frequentemente fazer de forma melhor.

Publicidade

Comentários (25)

Criar uma nova conta

OU