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Knack 2 - Análise

O dobro do empenho.

Knack 2 é um jogo de uma equipa com algo a provar. Isso é o combustível para impulsionar a maior qualidade.

A sequela procura ser mais épica, sólida e divertida. Não era difícil e consegue-o, apesar de desperdiçar um grande potencial.

Finalmente chegou a hora desejada, Knack está de regresso! A Sony Japan Studio, liderada pelo veterano Mark Cerny, voltou à sua adorada personagem e começou o projecto com uma atitude totalmente diferente. Se o primeiro Knack foi desenvolvido com um espírito de curiosidade em torno do potencial de uma nova consola, a PlayStation 4, Knack 2 nasce da vontade de uma equipa em mostrar do que é realmente capaz de fazer. A sátira na qual o nome Knack se tornou, as duras críticas e a suas graves falhas, incentivaram a equipa a voltar ao personagem, mas agora com todo o intuito de criar um título mergulhado na qualidade. A equipa até se inspirou em clássicos como Jak and Daxter e Spyro para apresentar uma aventura mais energética e um design mais envolvente. Será que conseguiram?

Knack é um daqueles jogos de acção e plataformas que tenta caminhar naquela linha que separa videojogo de filme animado em CG, ao estilo da Pixar. Apresenta uma história muito fácil de assimilar, personagens jovens numa aventura e uma pequena mascote que espera ser do teu agrado. É um jogo que desde logo parece mais orientado para os mais pequenos, que passaram ao lado de anteriores gerações e não conheceram os maiores símbolos do género. Como em qualquer jogo de acção e plataformas que se preze, existe uma mecânica no gameplay através da qual se tenta diferenciar dos demais. Em Knack é a capacidade do personagem em mudar o seu tamanho a qualquer momento, graças às centenas de peças do seu corpo. Este é o elemento que define a experiência Knack 2, sobre a qual os combates e plataformas foram preparados.

Knack 2 é um jogo que procura construir sobre as fundações do primeiro, mas que procura especialmente eliminar todos os seus erros de forma a apresentar uma divertida experiência com melhor ritmo e maior variedade de secções. Como em quase tudo, Knack 2 consegue-o pela metade. A procura por um design e gameplay mais variado e divertido, permite a apresentação de um jogo mais satisfatório, que tira melhor proveito desta natureza particular do seu protagonista. Uma melhoria notória é a postura perante os checkpoints: uma falha irritante do primeiro, é agora um sistema normal que te deixa reiniciar secções sem desejar partir o comando. Ao longo da jornada de knack, vais alternar constantemente entre secções de combate e secções de plataformas, onde o tamanho de Knack é a sua principal ferramenta. Nos combates, quanto mais cresce mais forte fica, mas nas plataformas, o tamanho nem sempre é o mais importante.

"Knack 2 aprendeu algumas lições com os grandes clássicos, mas não consegue chegar ao mesmo patamar."

Knack 2 é um jogo que rapidamente alterna entre o banal e o empolgante. Isto é válido para os visuais, o design de níveis, quebra-cabeças, secções de plataformas e tudo o resto. É confusa esta natureza inconstante de Knack 2 e a sua principal falha. Knack recebeu novos movimentos para combater os robôs e goblins maléficos (até apresenta uma árvore de habilidades que podes desbloquear com pontos ganhos ao lutar) e despacha os inimigos com grande estilo. Pode desferir socos e pontapés, pode desviar-se e até pode executar socos poderosos que quebram escudos. Terás de combinar os diversos golpes para melhores resultados, mas no geral pressionar círculo para o soco forte extensível é a única coisa que precisas fazer. Existem poucos momentos dignos de menção em termos de combate e Knack 2 assume-se como um jogo meramente competente.

As secções de plataformas já conseguem apresentar vários momentos dinâmicos e agradáveis. Especialmente porque frequentemente terás de encolher Knack ao seu tamanho original (muito pequeno mesmo) para caber em sítios de outra forma inacessíveis. Pelo meio encontrarás buracos com os imensos segredos espalhados pelo jogo, preparados para aumentar a longevidade e a curiosidade. A constante necessidade de alternar entre diferentes tamanhos, temporizar os saltos e descobrir como chegar a locais mais escondidos, dão uma dinâmica empolgante a Knack 2, representando os seus melhores momentos. É quando Knack 2 se consegue desprender da banal simplicidade e demonstrar o potencial para secções bem desenhadas e com um desafio saudável que o jogo brilha como deveria, mas são momentos escassos no jogo geral. A ideia que fica é mesmo que Knack 2 se assume como um jogo para os mais pequenos e que rapidamente se tornará demasiado simples para os mais habituados a isto.

A equipa consegue injectar uma maior dinâmica e variedade na sua experiência e até utiliza essa vontade em demonstrar o apelo de Knack como a catapulta para um jogo melhor. O exemplo disso são os diferentes níveis de dificuldade, os vários momentos de gameplay mais cinematográficos, o ritmo dinâmico com que alternas entre diferentes tamanhos, sem esquecer a forma como joga com a sensação de escala em vários momentos. A existência de uma quantidade saudável de desafios adicionais que te convidam a jogar novamente os níveis é muito bem-vinda e no geral, Knack 2 é um jogo muito melhor pensado e desenvolvido do que o original. Pena que não consiga ir mais longe do que isso.

"Knack 2 é melhor jogado em modo cooperativo. Assim a companhia de outra pessoa ganha um valor maior do que o da simplicidade do jogo."

Knack 2 foi jogado na PS4 Pro, onde desfrutei de uma experiência consistente em modo 30fps bloqueados. Se quiseres, podes optar por desbloquear o rácio de fotogramas, mas as variações podem tornar a experiência demasiado inconsistente para o gosto de alguns. A qualidade visual de Knack 2 é no verdadeiro sentido da palavra um reflexo da sua identidade: repleta de potencial mas longe dele na maioria das vezes. Ao longo das 11 horas necessárias para terminar o jogo na dificuldade Normal (podes optar pela Difícil se quiseres) vi locais deslumbrantes que pareciam quase enganar e sugerir que estavas perante uma espécie de filme interactivo, para logo no momento seguinte ver cenários básicos que nem parecem pertencer a esta geração. Esta falta de consistência encontrada a nível visual é representativa de Knack 2 no todo: um jogo inconsistente que tropeça sobre si mesmo na escalada pela grandiosidade.

Será fácil sentir que num momento estás perante um jogo divertido e com bons segmentos, algumas boss fights ou secções de plataformas deixam boas memórias, para no momento seguinte sentires que é um jogo que se repete demasiadas vezes. Ainda assim, Knack 2 releva bons níveis, seja pela qualidade visual ou pelo seu design e como incorpora alguns quebra-cabeças simpáticos, mas no geral, é demasiado inconsistente para triunfar como desejado. É estranho ver um jogo que se esforça tanto para ser bom e mesmo assim faltar-lhe algo para conseguir.

Knack 2 é um jogo que revela intenções de alcançar o estatuto de clássicos aclamados da PlayStation, como Crash Bandicoot ou Jak and Daxter. A vontade de melhorar e criar um jogo divertido é em certa parte materializada num título mais apelativo. No entanto, Knack 2 ainda está muito longe do patamar de excelência onde permanecem os grandes jogos de acção e plataformas. Rapidamente se torna demasiado simples para os mais graúdos e talvez seja demasiado longo para o seu próprio gosto. Especialmente quando repete alguns locais e segmentos. Ainda assim, Knack 2 poderá ser um jogo mesmo à medida dos mais pequenos lá de casa, que não jogaram os clássicos da PSone ou PS2 e procuram algo que partilha uma boa parte das suas filosofias.

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