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The Walking Dead - Season 2 - Análise

Um videojogo ou história interativa?

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O universo The Walking Dead entrou no mundo do entretenimento como um furacão, e tem varrido um misto de críticas positivas e negativas por todo o mundo, não importando o formato, se comic, série TV ou videojogos. No caso da série TV, o apoio tem vindo muito da parte do público, criando uma legião de fãs. Pessoalmente a série TV é um misto de frustração e vício, algo incompreensível, pois muitas vezes dou por mim a dizer, "nunca mais vou ver", mas no fundo quero saber tudo. É uma sensação estranha que é partilhada por muitos outros espetadores.

Já sobre os videojogos, debaixo do estúdio Telltale Games, é completamente outra história. Depois de ter devorado a primeira temporada em linha reta, Clementine tornou-se numa das minhas personagens preferidas nos videojogos, e é estranho pois pouco jogamos com ela, ou com qualquer outro personagem. Este é um dos enormes problema de The Walking Dead - Season 2, pouco ou nada é um videojogo.

Já na primeira temporada as opções de gameplay eram poucas, mas sempre tínhamos alguns pequenos puzzles, fazer isto e aquilo. Em The Walking Dead - Season 2 dei por mim a estar sentado a ver uma série TV, e apenas a carregar com a mão direta em X, Quadrado e Círculo (versão PS4). É certo que a história prende o espetador, mas será que não foram longe demais? Por esta razão fiquei perante um enorme dilema. Como irei avaliar The Walking Dead - Season 2? Um videojogo? Uma história interativa?

Depois dos acontecimentos da primeira temporada (têm que a jogar para poderem desfrutar de tudo que traz a segunda temporada), Clementine encontra-se sozinha num mundo hostil, cheio de perigos, e não estou a falar apenas dos walkers. Os walkers são os adversários mais comuns, mas não os mais complicados de lidar. Aliás, em Walking Dead o maior desafio está nas decisões que teremos que tomar, do que propriamente o que temos que matar. Toda a série é um enorme drama em volta das personagens. Já foi assim nos comics, é também na série e é simplesmente fantástico nos videojogos do Telltale Games. A história prende-nos, leva-nos a decisões morais e transforma as personagens à nossa frente.

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É triste vermos uma menina como Clementine a ter que tomar decisões tão fortes e importantes. É injusto uma menina perder a sua adolescência e saltar à velocidade de uma bala para o estado adulto. Mas a maior tristeza é saber que sou responsável por essa evolução brusca. Sei que se tivesse decidido por outro caminho, talvez, e digo talvez porque não sei o que está do outro lado da historia, ela fosse mais acarinhada, e não tivesse tantas responsabilidades nos seus ombros. Clementine nunca deveria ter matado alguém, muito menos ser a pessoa mais importante em toda esta história.

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"A história prende-nos, leva-nos a decisões morais e transforma as personagens à nossa frente."

Em todos os universos de Walking Dead o objetivo principal é a sobrevivência individual e depois do grupo, quem quer que este seja. Aqui talvez pudesse incluir o objetivo de chegar a algum lado. É interessante que temos sempre uma terra, um local, um nome onde nos agarrar. "Temos que chegar lá", "temos que continuar", "não está longe", "mais um pouco", são os nossos incentivos para continuar na jornada. Pelo caminho iremos levar diversos murros no estomago, mas com tanta violência que nos deixa tristes e deprimidos por termos escolhido mal, ou se é que podemos dizer que existe algo de mal em toda esta história. Neste aspeto Walking Dead é simplesmente genial. A decisão que parece ser a ideal rapidamente se transforma em algo caótico, descontrolado, sem sabermos como reagir e decidir logo a seguir.

O estúdio Telltale Games já nos tem habituado com enredos geniais, com conversas super interessantes, e com desenlaces da história com poucas dúvidas. É claro que existem buracos no enredo, algo por explicar aqui e ali, mas ficamos sempre com a sensação que no futuro seremos surpreendidos. No fundo posso dizer que os amigos de agora não são na verdade os amigos daqui a pouco. Tudo muda rapidamente, pois afinal de contas no final o que vale é estarmos vivos.

Como referi no início, jogamos muito pouco em The Walking Dead - Season 2. A jogabilidade resume-se a percorrer poucos metros, e vasculhar três ou quatro coisas em cada cenário. Na maioria das vezes os QTEs são básicos, sem qualquer desafio ou margem de erro. Para além dos QTEs para abrir isto e aquilo, temos os QTEs de ação, evitar um walker, matar ou derrubar um walker por apontar a arma ou objeto que temos numa uma pré-determinada zona do corpo. E é isto, pouco mais temos que fazer. A história é que nos leva e não o gameplay.

Se gostam do universo Walking Dead e gostam de um enredo fabuloso, cheio de reviravoltas e personagens marcantes, então The Walking Dead Season 2 é para vocês. Mas não se esqueçam que têm que jogar os episódios da temporada anterior para poderem aproveitar ao máximo os cinco episódios da segunda temporada. Mas para aqueles que não conhecem o universo Walking Dead e nunca jogaram um jogo do estúdio Telltale Games deverão comprar por conta e risco.

7 / 10

The Walking Dead - Season 2 - Análise Jorge Soares Um videojogo ou história interativa? 2014-11-04T00:35:00+00:00 7 10
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