OlliOlli - Análise

STEEZY.

Glória retro de outra era nascida em 2014.

Versão testada: PlayStation Vita

Um pequeno grupo de programadores decidiu criar um exclusivo PlayStation Vita que entre muitas outras coisas, mostra como o talento independente pode ter o rasgo e criatividade singulares. Vindo do Reino Unido, OlliOlli mostra como a sensação retro-futurista poderá ser um dos caminhos mais especiais para no futuro próximo se obter produtos espectaculares sem ser precisa grande evolução tecnológica. OlliOlli é um simulador de skate que parece ter nascido há mais de 20 anos atrás, como se o jogador estivesse perante uma Mega Drive Collection de alguma espécie. No entanto, a realidade é que a simplicidade e o engenho podem ser realmente recompensadores quando bem usados.

Olli é o primeiro trabalho para consolas do Roll7 e poderia ser descrito como um endless runner para iOS/Android no qual temos um enorme desafio, uma só vida para completar nível e toda a profundidade e alcance que os controlos dedicados conseguem oferecer além do controlo por toque. Na verdade, toda a interface entre jogo e jogador é um louvar aos controlos físicos e como os analógicos são ponto fundamental na forma como interagimos com experiências em forma de videojogo e como estas se tornam fundamentais na percepção de qualidade do produto como um todo.

Ao longo de cinco cenários diferentes, divididos por cinco níveis (cada um com uma variante PRO mais difícil) temos que controlar um Skater que terá que de uma vez só ultrapassar todos os obstáculos até ao final do nível. Em gloriosa arte desenhada à mão, este trabalho aposta numa postura de "dá tudo ou vai para casa" e recompensa os que arriscam mais e os que adoram um bom exibicionismo. OlliOlli deveria até vir com contra-indicações: "pode causar uma forte dose de adição quando tomado intervalos curtos".

Torna-se um pouco difícil de explicar mas a verdade é que OlliOlli é mesmo desafiante, cativa mesmo o jogador e deixa-o realmente sempre à procura de mais. Começando logo pelo modo Carreira, temos que enfrentar os tais níveis separados por zonas para ir desbloqueando mais zonas e níveis. A loucura pode chegar a níveis extremos e sem sabermos bem como, quando perdemos sucessivamente não queremos culpar o jogo ou largá-lo, sentimos que a culpa é nossa, seja por desatenção ou falta de jeito, e queremos retificar as nossas falhas e conseguir chegar ao final do nível.

"OlliOlli chega a €9.99 para combinar com estilo e profundidade uma experiência que lembra os casuais mobile com um engenho que apenas é possível numa plataforma dedicada."

Chegar ao final do nível é somente a parte mais direta e simples desta experiência. Isto porque logo no início nos são apresentado desafios que podemos cumprir ou não. Se os cumprirmos, será quase impossível cumprir todos de uma só vez, temos acesso a esse mesmo nível mas numa versão bem mais difícil: quer pelo desafio na gameplay como nos objetivos. Isto irá permitir desbloquear o modo RAD onde só mesmo os mais habilidosos serão recompensados.

São 50 níveis com 250 desafios e todos eles ali a "brincar" com o jogador e a perguntar: "Porque não nos tentas derrubar"? Ao som de uma espectacular banda sonora que nos lembra clássicos de outrora com uma sonoridade mais atual, OlliOlli promove um espírito competitivo e aventureiro incutindo no jogador interesse para executar o máximo possível dos 120 truques num só nível para elevar a sua pontuação máxima acima da dos amigos. Pelo meio vai medindo de "desleixado" a "perfeito" todos os movimentos que executamos enquanto os vai multiplicando.

O melhor de tudo é que OlliOlli até se sente como uma experiência casual, estruturada de forma a poder ser jogado em curtas sessões para quando existe pouco tempo as tudo em si transpira uma essência que remonta a outras gerações. O desafio de conquistar a gameplay é um dos principais pontos a esse respeito. Não por ser difícil ou por artificialmente enganar o jogador para que este perca e passe mais tempo com o jogo, pelo contrário, é pela forma como o alicia para assim que o conquista não mais o larga. Pelo caminho diz-lhe que quando falha é culpa sua e não do jogo.

Aqui usamos dois botões principais: um para aumentar a velocidade e outro para executar os truques. Não temos qualquer botão para saltar pois executar um truque automaticamente executa um salto. Esta é a fundação básica desta experiência e a forma como vão levar os dedos à exaustão de tanto tentar dominar para conseguir chegar mais longe. Seja para se tornarem mais rápidos a executar movimentos em sequência e evitar escarrapachar a cara num corrimão, seja para executar novos e variados movimentos uns após os outros para aumentar a pontuação ou até para se adaptarem ao esquema de controlo e não trocar os dedos, OlliOlli é um festival de tentativa e erro com o jogador de sorriso na cara.

Claro que quando consegue assimilar as funções dos dois botões para as conciliar com os timings corretos tudo parece altamente fácil mas para elevar a pontuação e bater os desafios será preciso destreza. A premissa é simples a execução é danada. Será frequente trocarem o botão que deveriam pressionar porque a velocidade começa a aumentar a ritmo feroz e a sequência de obstáculos parece impossível de ultrapassar. Por outro lado existem vários extras espalhados por alguns níveis e a vontade de os apanhar a todos estará lá, assim como terminar um nível com vários Perfeitos em sequência.

Existem vários Spots secretos espalhados pelos níveis e será de prever que a comunidade se junte primeiro para os descobrir e depois para os vencer. A ideia que o estúdio pretende colocar a comunidade em competição saudável é evidente mas fica ainda mais com os Desafios Diários. Aqui os jogadores têm 24 horas para completar um conjunto de desafios com a melhor pontuação que lhes é possível para poderem gozar com os amigos.

Aumentar a velocidade, deslizar o analógico (botão para executar os truques) em diversas direções diferentes entrando num nosegrind vindo de um nollie bigspin flip 180 preparando para pressionar o botão no timing correto para aterrar de forma Perfeita é um grande desafio que se torna doce de triunfar. Quando dizem que isto é Tony Hawk em side-scrolling não estão a brincar.

OlliOlli é um verdadeiro hino à diversão, sejam fãs do Skate ou não. Parece uma pérola da era 16-Bit, como se Tony Hawk tivesse tido a sua estreia nos videojogos nessa era e toda a sua estrutura e dificuldade relembram essa era de ouro. Por outro lado, quase pode ser confundido com um dos inúmeros casuais iOS/Android mas a sua profundidade e resultante prazer que oferece ao jogador estão bem além do que essas plataformas ainda podem oferecer. É muito divertido e único sem quaisquer falsas esperanças de grandiosidade.

9 / 10

Lê o nosso Sistema de Pontuação OlliOlli - Análise Bruno Galvão STEEZY. 2014-01-21T17:00:00+00:00 9 10

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