Diablo III - Análise

O início, a sua fidelidade e o gameplay.

O lançamento de um título da Blizzard é por si só um acontecimento especial, pelo peso do estúdio, e porque é daquelas companhias que só faz bons jogos, e além disso, são jogos que normalmente proporcionam conteúdo durante vários anos. Se considerarmos por exemplo o número de pessoas que ainda hoje jogam o segundo Diablo, este é mais do que um simples lançamento, é o início de uma nova etapa para a legião de fãs da companhia Norte Americana.

Um lançamento com este peso acaba por ser transversal aos vários tipos de público e de jogadores, e por isso a anunciada intenção da Blizzard em trazer Diablo III para as consolas. Sem perder muito tempo com isto, deixem-me dizer que sim, seria uma boa oportunidade para quem não tem PC, mas tendo em conta as garantias de longevidade que a companhia nos habituou para os seus jogos, tenho algumas dúvidas que a atual geração de consolas, já perto do seu final, consiga cumprir essas garantias.

O objetivo de uma análise não é explicar como funciona a engrenagem de um jogo, mas neste caso, julgo que será melhor perder algum tempo a desmistificar alguns aspetos, até para evitar possíveis doses de desconhecimento, típicas das discussões posteriores às análises. Vamos começar pelo género, Diablo III pode ser categorizado de várias formas, um "hack-and-slash", um RPG, um "point-and-click" de ação e aventura, todas elas são designações válidas, mas eu prefiro o velhinho termo "dungeon crawler".

As origens dos "dungeon crawler" são muito anteriores a Diablo, remontando ao pen-and -paper e aos primeiros MUD (multi user dungeon) no PC. Nos videojogos tiveram a sua época dourada nos anos oitenta, mas depois foram-se eclipsando e confundindo no meio de outras designações mais globais. Em termos simplistas, esta designação é conhecida por três aspetos fundamentais, a exploração de masmorras labirínticas, o exterminar de hordas de inimigos, e as montanhas de recompensas, normalmente em forma de equipamento que vêm com os massacres ao longo da ação.

Outro aspeto que importa desmistificar tem a ver com a estrutura da dificuldade de Diablo, que se mantém neste terceiro título. Normalmente, os níveis de dificuldade nos videojogos são estruturados para que qualquer tipo de jogador possa ter basicamente acesso à mesma experiência, só que com um nível de desafio correspondente à sua "skill". Assim, duas pessoas podem jogar o mesmo título em dificuldades diferentes, e terão exatamente a mesma história para contar. Pode mesmo acontecer que um jogador experiente tenha facilidade em acabar um jogo no nível máximo de desafio, enquanto um jogador mais casual lute para conseguir passar o jogo em nível fácil. Este é o "standard" dos videojogos modernos.

Mais sobre Diablo III

Diablo funciona de forma fundamentalmente diferente. Não é dividido entre dois momentos claramente distintos (leveling e end game) como acontece com os MMO's, mas é similar. O jogo tem quatro níveis de dificuldade, normal, nightmare, hell e inferno. Inicialmente apenas podemos jogar em modo normal, e só terminando a história principal podemos aceder ao modo de dificuldade seguinte. É verdade que a história do jogo é completamente consumida logo na primeira "playthrough", mas o conteúdo global do jogo está muito longe de ser acessível apenas com o modo normal.

As masmorras geradas aleatoriamente e espalhadas pelo jogo escondem os mais terríveis desafios, os mais duros inimigos, e as melhores recompensas. O próprio Diablo é uma brincadeira de crianças quando comparado com alguns monstros elite, sempre acompanhados de centenas de amigos. Existem várias peças de equipamento exclusivas aos níveis de dificuldade superiores, e o próprio "crafting" só se desenvolve verdadeiramente depois do nível nightmare. Se julgam que acabaram Diablo III em 7 horas de modo normal, pensem de novo.

Em termos narrativos Diablo III mantém-se fiel às suas origens, mas diferente do que os RPG's modernos atualmente oferecem, e que muitos jogadores poderão estar habituados. Passado vinte anos depois dos eventos do segundo jogo, o sinal dos céus vem confirmar aquilo que o sábio Deckard Cain refere no seu "Book of Cain", a eterna luta entre arcanjos e demónios vem novamente assombrar o Sanctuary.

Diablo III promete fazer-vos sofrer.

A linha de quests principal é absolutamente linear, não existem escolhas por exemplo, e o jogador não tem qualquer influência no desenrolar dos acontecimentos. É uma história pré-determinada, para ser aproveitada exatamente da forma que a Blizzard escolheu. Dividido em quatro atos com vários capítulos, Diablo III é o melhor da série até agora a transmitir a sua história ao jogador. Nota-se imenso esforço nesta matéria, sempre com várias "cutscenes" que explicam o desenrolar dos acontecimentos, e depois no final de cada ato a clássica cinemática épica a que a Blizzard nos habituou.

A estética global teve algumas críticas em relação ao aspeto mais "cartoon" das personagens e ao ambiente menos sombrio dos cenários. É o traço característico da Blizzard, pode não se gostar da direção, mas as personagens e equipamentos estão com um excelente aspeto. Já os ambientes, apesar de perceber a crítica, é bom lembrar que vivemos em tempos diferentes, as possibilidades de detalhe que temos hoje é completamente diferente do que havia quando Diablo II saiu.

"É difícil descrever a quantidade e variedade de criaturas inimigas em Diablo III, são literalmente montanhas de monstros para eliminar a toda a hora."

Assim, os cenários são de facto mais "iluminados", mas em termos de grotesco o detalhe nos cenários compensa a falta do preto que alguns jogadores reivindicam. O jogo com as especificações no máximo é um festim de luz, a contrastar com as animações dos heróis, com o vómito dos monstros, com a erupção de lava no chão, as abelhas a voar em nossa direção e as estátuas a rachar dinamicamente no cenário. Chega a ser deslumbrante.

Entrando no campo do gameplay propriamente dito, uma das vantagens que sempre caracterizou a franquia é a sua acessibilidade, qualquer pessoa consegue jogar Diablo. A Simplicidade inicial do jogo permite que qualquer um seja capaz de navegar pelos ambientes clicando desenfreadamente num botão do rato, enquanto elimina as hordas de inimigos com o outro botão. Depois claro, o jogo vai ganhando complexidade à medida que novos elementos vão sendo apresentados, chegando mesmo a um campo apenas acessível pelos mais dedicados.

É difícil descrever a quantidade e variedade de criaturas inimigas em Diablo III, são literalmente montanhas de monstros para eliminar a toda a hora, com dezenas de mecânicas que exigem adaptação. Este é aliás um dos pontos fortes da série, o ritmo. A ação é absolutamente frenética, se jogado com três outros companheiros então, é um festim permanente de sangue, luz e diversão. A variedade de criaturas também é de salientar, nunca combatemos contra o mesmo tipo de criaturas muito tempo.

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