Nier

Por amor de pai.

Versão testada: PlayStation 3

Nier é certamente mais um dos jogos que representa a tentativa de interpretar e agradar o público ocidental por parte dos estúdios japoneses. Outrora vivendo numa redoma de vidro, onde o poder do mercado japonês ditava em grande parte muita da forma artística e de fundamentos na criação de um videojogo, hoje isso está completamente ultrapassado, e a sensação de uma crise japonesa nos videojogos não é assim tão descabida.

A razão talvez seja o simples facto de que o mercado agora é global, e como os custos de produção dispararam, as software houses necessitam de alargar os seus horizontes e olhar para além do seu próprio umbigo. Mas isto traz consigo algo de mau também, principalmente na ineficácia de compreender um mercado diferente(nós também temos dificuldade de os compreender) e de querer agradar a dois mundos. Nier vive muito desta instabilidade criativa.

Como já tinha referido na antevisão, Nier foi um jogo que captou quase de forma imediata a minha atenção, principalmente pela forma artística que o jogo é apresentado. É um jogo onde o principal tema é amor paternal e a amizade. Em certos momentos, principalmente pelos actores que deram a voz ao jogo, esse sentimento é transmitido para o jogador, nada comparado como o enredo de Heavy Rain, mas com algumas nuances bastante agradáveis.

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Farei de tudo para te proteger.

Somos um pai dedicado que fará tudo para curar a sua filha, a frágil Yonah, da doença Black Scrawl. O nosso nome, ou nickname, é o que o herói usará em todo o jogo. O nosso objectivo é recolher as mais variadas informações sobre a doença que aflige Yonah. Embora o jogo tenha como data de acontecimentos num futuro, todo o cenário é mais parecido com o tempo do Japão feudal, com misturas de uma civilização perdida e mais industrial. Neste mundo, vivem os Shades que são os inimigos com os quais teremos que nos confrontar. Variam em número e tamanho, e conforme avançamos no jogo, tornam-se mais poderosos e ágeis.

Os elementos RPG estão presentes, nomeadamente os níveis, os poderes, a busca de artefactos e peças que possam aumentar o poder de nossas armas. Mas tudo isto não é tão "complicado" como possa parecer, visto que tudo é quase automático, onde a única intervenção que fazemos é colocar em cada arma ou habilidade as "Palavras", e mesmo aí podemos escolher de forma automática a melhor execução. Não existe uma ligação evidente com o nível adquirido. Embora isso aconteça em pano de fundo, em termos gráficos e animações nada é alterado. Tudo se resume a saber que tipo de poder ou arma serão utilizados.

Podemos alocar a cada gatilho os poderes que quisermos ou habilidade. As habilidade apenas se resume em se esquivar e proteger. O esquivar será certamente uma das mais usadas, mas o de proteger simplesmente é ineficaz, sendo que qualquer inimigo nos derruba com um único golpe. Quando falo em armas, apenas considero espadas ou outros materiais metálicos como lanças, e machados. Em termos de poder, iremos adquirir mais conforme avançarmos no jogo. Não serão em si mais fortes, mas sim variam em termos de acção, sendo que uns são mais úteis para situações de aperto em que muitos inimigos nos rodeiam e outros são mais eficazes à distância.

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