James Cameron's Avatar: The Game

Guerra e traição.

As adaptações de filmes ao mundo dos videojogos já não são novidade para ninguém. Mas se alguns títulos conseguem ser verdadeiros marcos na indústria dos videojogos, como é o caso de GoldenEye 007 para a N64, ou mais recentemente Batman: Arkham Asylum, fazendo-nos pensar que o investimento valeu a pena, noutros ocorre precisamente o contrário. James Cameron's Avatar: The Game, baseado na obra cinematográfica homónima com data de lançamento para o próximo dia 16 de Dezembro, apresenta-se, infelizmente, nesta última categoria, dando a sensação que é um produto inacabado devido aos vários problemas que apresenta.

A história do jogo segue os acontecimentos do filme, onde a nossa personagem (é possível escolher entre vários modelos do sexo masculino ou feminino) é enviada para Pandora, um planeta habitado pela raça Na'vi, de forma a reforçar o exército RDA. O problema é que uma das características humanas é a falta de tolerância a tudo o que difere dos ideais da sua sociedade, o que leva a um inevitável confronto com a raça Na'vi, um povo que vive em pequenas tribos em harmonia com a sua natureza. No fundo, é como se pegássemos numa boa história de índios e “cowboys” e lhe adicionássemos um toque de ficção científica.

Com toda a tecnologia que os humanos levam para o planeta, até é possível, graças ao “programa Avatar”, transformar a nossa personagem num Na'vi, o que altera por completo a sua estrutura corporal e força. No entanto, devido às reviravoltas e traições, e não revelando muito sobre a história, não tarda até que tenhamos de singrar por um dos dois lados, o que basicamente quer dizer que existe em Avatar: The Game dois jogos diferentes; um onde controlamos um soldado humano, e outro onde teremos as forças dos guerreiros azuis Na'vi.

Com um suposto tempo de produção apertado, a Ubisoft Montreal certamente não conhece a máxima “pouco é mais”, e preferiu criar um título que, além de duas aventuras distintas, tem entre 10 a 14 horas de jogo. Apesar de os conteúdos estarem lá, era preferível que a aventura fosse mais reduzida, mas que tivesse mais qualidade, algo que não é possível encontrar graças aos muitos problemas ligados principalmente à jogabilidade, algo que notamos logo nos primeiros momentos do jogo.

Os movimentos das personagens são um dos primeiros pontos que nos desapontou, parecendo que saíram de um jogo da geração passada. Além de pouco realistas, quando pretendemos andar, movendo apenas o analógico ligeiramente para a frente, o que acontece realmente é que observamos o mesmo movimento de corrida mas em “câmara lenta”. Isto talvez explique o facto de só em raras excepções termos de seguir outras personagens no jogo.

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Duelo de titãs.

Apesar de não existirem grandes tempos de loading, quando fazemos a transição ente o exterior para um edifício, ou vice-versa, temos de ser descontaminados ou colocar uma máscara, respectivamente. Apesar de ao início ser interessante, principalmente pelos efeitos, torna-se irritante ao fim de pouco tempo, principalmente quando temos pressa em realizar uma missão, já que o tempo entre a abertura de cada porta pode superar os cinco segundos. Pode parecer pouco, mas somem as vezes que temos de aceder a edifícios e irão chegar à conclusão que perdemos vários minutos desnecessariamente.

Nota-se que houve um esforço em fazer de Avatar um jogo de mundo aberto, onde não são as missões a virem até nós, mas sim o contrário. Ao estilo de GTA, vemos no mapa onde se encontra o próximo objectivo e dirigimo-nos à referida personagem, de modo a sabermos que tarefa é necessário realizar – salvar alguém ou recolher amostras de plantas são algumas delas. Ao fim de concluída, e tendo em conta a complexidade da mesma, somos recompensados com pontos. Mas pelos cenários verdejantes não vamos apenas encontrar missões. Para nos ocupar, existem ainda várias criaturas que nos irão dar uma carga de trabalhos. Apesar de algumas delas serem inofensivas, existem outras, como é o caso dos Viperwolves, semelhantes a lobos, que nos perseguem tanto na forma de soldados como de Na'vi. Tendo em conta que estes estão espalhados por toda a floresta, cada vez que temos de completar uma missão é impossível não dar de caras com estas criaturas. Infelizmente, também é impossível não chegar a uma altura e passar por estas criaturas, ignorando-as por completo, já que o facto de as estarmos sempre a matar torna-se monótono.

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