Halo Wars

Comandar a expansão do universo Halo.

Versão testada: Xbox 360

É de admirar a sintonia entre a comunidade Halo e os seus criadores. A mais bem sucedida série alguma vez lançada numa consola Microsoft, Halo conquistou o seu lugar entre os destaques desta indústria e é também de admirar a gestão feita do franchise. Calculo que se fosse em outras companhias, a esta hora já tínhamos o Halo: Pinball, Halo: Master-Kart Racer, Covenant Football 2009, The Flood SuperStar Tennis 4 ou quem sabe um Halo Fantasy 3. Dado o sucesso desta série seria de esperar algo nesses moldes mas não, a Bungie e a Microsoft seguiram outro caminho e optaram por manter o estatuto icónico deste franchise não pelo exagero e saturação mas sim pela qualidade dos seus títulos e pelo apoio continuado à comunidade. Halo 3 ainda é um dos títulos mais jogados no Xbox Live, Halo 2 também, novos mapas estão a caminho e uma expansão chega no final do ano.

Quase diria que conseguiram encontrar o equilíbrio perfeito de forma a evitar o exagero e a manter a série dinâmica e activa. Prova de tal é este mesmo Halo Wars que assim que anunciado conquistou a atenção da comunidade, incluindo mesmo os que não são adeptos dos RTS e isto porque Halo vai muito mais para além do comum e tradicional shooter, Halo tem uma rica e abundante história que pode ser explorada e cujos fãs estão sedentos de conhecer.

Se em Halo 3: ODST os fãs vão poder viver um dos momentos mais importantes da trilogia numerada, em Halo Wars vão assistir a eventos ocorridos vinte anos antes do original Halo: Combat Evolved. Halo Wars tem início no planeta Harvest, um planeta que está em guerra há já cinco anos. Depois de muito esforço finalmente os humanos conseguiram recuperar Harvest mas existe algo aqui que os Covenant insistem em obter, algo que poderá ditar a extinção da humanidade. Caberá à tripulação da Spirit of Fire descobrir o que tanto desejam os Covenant e agir de acordo, cabendo ao jogador liderar as forças da UNSC durante as batalhas que estão para chegar.

Com uma linha temporal tão vasta para explorar e tão repleta de acontecimentos dignos de interesse, não é de admirar que Halo Wars apresente um forte foco na história e faz questão de dar a conhecer ao jogador que as missões que está a cumprir tem um efeito imediato. Ligados por várias sequências cinematográficas de bela qualidade, vamos descobrir o que se está a passar em Harvest e vamos descobrir o que andam os Covenant a tramar. De salientar que para os fãs estas sequências são um verdadeiro mimo e toda a história é cativante e interessante. Mesmo tendo mudado de género é inegável e agradável verificar que Halo Wars consegue captar o espírito necessário e tem o mesmo sentimento que um jogo Halo. Contribuição inevitável de vários elementos do universo em que se baseia desde veículos, soldados e respectivas classes, locais, inimigos e até pela presença de algo nada comum no género, um herói, ou personagem principal se preferirem, que quando perde toda a energia a recupera aos poucos e nos fornece grande parte da perspectiva sobre os eventos.

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Este é Forge, um herói de guerra. Graças a fantásticas sequências CG como esta, vamos conhecer mais um pedaço de toda esta interessante história.

Especialmente porque ao contrário do habitual no género, aqui não vamos travar confrontos só para enriquecer ou conquistar determinado território, em Halo Wars o género foi usado para servir este universo e deixa de lado a ênfase no tradicional defender e construir bases ou conquistar de territórios. Tentando conferir dinamismo de forma a servir a narrativa, a Ensemble dá-nos missões que em alguns casos quase nos fazem esquecer que estamos num jogo de estratégia em tempo real. Sem querer revelar muito para não correr o risco de estragar eventuais pontos de interesse na narrativa, em Halo Wars vamos ter que reconquistar bases atacadas pelos Covenant mas apenas com as tropas que vamos ajudando ao longo do nível, vamos ter que investir contra pontos protegidos pelos Covenant e até vamos ter que fugir de determinado ponto ou proteger civis. Missões inseridas na história e ligadas por sequências que tornam a vontade de ver e saber mais uma constante. Pena que somente o podemos fazer pela perspectiva da UNSC, pois seria muito interessante ter uma campanha do lado dos Covenant, mas caso queiram controlar o Arbitrer e as suas forças, apenas o podem fazer nos modos multiplayer online.

Um RTS com forte ênfase na acção e com uma componente cinematográfica de realce, tudo o que os fãs do franchise Halo poderiam pedir nesta transição de género, mas talvez não seja propriamente o que se poderá indicar para um fã do género em si.

Esta será potencialmente a única condicionante que se poderá colocar a Halo Wars. A percepção do público alvo ao qual se destina e como irá assumir-se dado o género no qual se apresenta mas com os elementos impostos a condicionar. Halo Wars é extremamente fácil de assimilar e do mais intuitivo que vão encontrar no género disponível para uma consola, mais do que perfeito para os fãs do universo que nunca se interessaram por este género pois de forma alguma ficam privados de conhecer mais do seu franchise favorito, um dos pontos mais fortes a favor. No entanto se forem adeptos do género e habituados a estas lides, Halo Wars poderá oferecer pouca profundidade a nível de opções e ficamos perante uma questão. Para quem se destina Halo Wars? Nós acreditamos que Halo Wars se destina a todos os fãs do franchise e também aos do género que procurem uma opção interessante na sua consola mais orientada para a acção.

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