Chrono Trigger

Clássico Intemporal.

Versão testada: DS

É engraçado reparar como alguns jogos conseguem, por uma razão ou outra, resistir à passagem do tempo. Seria de esperar que um jogo lançado em 1995 - para a já defunta, mas ainda saudosa, Super Nintendo – fosse agora uma relíquia do passado. Que os sistemas de jogo escolhidos fossem agora desinteressantes, que o aspecto gráfico não fosse equiparável ao que se espera hoje em dia e, ponto mais importante, a experiência no seu todo não estivesse à altura daquilo que é oferecido no género no espectro desta consola.

É, portanto, especialmente irónico que esta seja a primeira oportunidade para um jogador Europeu (que não tenha já optado pela importação) de jogar este título. Muito se fala sobre jogos que não atingem o nosso continente, e Chrono Trigger era sempre ponto de contenda. Lançado inicialmente para a Super Nintendo (no Japão e América do Norte), fazia parte de “Final Fantasy Chronicles” - para a Playstation 1, juntamente com Final Fantasy IV – mas também esta compilação se limitou a marcar presença na América. Fosse este “primeiro” lançamento do jogo em terras Europeias o seu primeiro lançamento literal, o jogo seria, provavelmente, recebido como um clássico.

Uma das características chave de Chrono Trigger é o facto de apostar em aprofundar o passado dos diversos personagens e suas motivações, algo que em muito contribui para que o jogador se sinta embrenhado em toda esta história. Com o seu punhado de personagens originais e interessantes, inova (ou pelo menos, para a altura fazia-o) introduzindo na narrativa viagens no tempo, utilizadas de forma extremamente interessante. Seja por nos permitir ver o resultado das nossas acções ao longo do tempo, seja pela maneira como gere a viagem dos personagens pelas diversas épocas. É uma história dinâmica, que consegue - também por oferecer várias missões opcionais - quase fazer esquecer que este se trata de um jogo bastante linear.

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O segundo ecrã mostra-se muito útil na gestão do inventário.

A nível gráfico o jogo continua tão impressionante agora como antes, com sprites e fundos em 2d que continuam acima dos de muitos jogos a utilizar este estilo hoje em dia. Neste aspecto nada foi alterado em relação ao original, tendo apenas sido introduzidas as sequências animadas desenvolvidas para a versão Playstation 1 do jogo. Já o guião foi retocado e está agora mais cuidado. Continua dotado de uma banda sonora apelativa, com algumas músicas memoráveis, mantendo-se este aspecto do jogo irrepreensível.

É também de elogiar a coerência dos personagens entre a sua maneira de estar, as suas habilidades em batalha e a sua personalidade. É possível escolher quais os três personagens a utilizar em qualquer momento antes das batalhas, dentro daqueles disponíveis. Os diálogos mudam conforme os três personagens que estão activos de momento, sendo eles os únicos a participar nas interacções.

Esta importância dada a cada um dos personagens é suportada pelas suas habilidades em batalha, que são completamente diferentes entre eles. Por exemplo, Lucca é o único a aprender feitiços de fogo. Já Marle é capaz de utilizar feitiços de gelo ou curar. Ayla apenas tem à disposição ataque físicos. Escolher o trio mais adequado para a situação actual é essencial. Assegura-se assim que todos os personagens serão, em determinado ponto, úteis.

Estas habilidades “únicas” são ainda mais pertinentes quando se trata de combinar as habilidades dos diferentes personagens para executar ataques ainda mais poderosos.

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