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World of Final Fantasy - Análise

Pokémon com sabor a Kingdom Hearts.

Aspecto adorável e história intrigante, protagonizado pelos nossos adorados personagens.

O seu aspecto e tom adoráveis não disfarçam um sistema de combate muito simples.

Se alguma vez pensaram em como seria um Pokémon com todas as incríveis criaturas de povoam os diferentes jogos Final Fantasy da Square Enix, então pensaram no mesmo que a companhia Japonesa. Provavelmente não pensaram em combinar essa ideia com um enredo ao estilo do que temos na série Kingdom Hearts, mas foi precisamente o que foi feito aqui. A Square Enix inspirou em propriedades bem conhecidas para arrancar uma nova e poderá até surpreender os jogadores com toda a sua doçura e simplicidade. Será que foram reunidos todos os condimentos para uma experiência memorável?

World of Final Fantasy apresenta-nos Lann e Reynn, dois irmãos gémeos que um dia acordam e descobrem que nada na vida deles é normal, na verdade vivem uma ilusão, uma mentira. Para recuperar as suas memórias e descobrirem quem são, ambos vão partir numa jornada por Grimoire, um mundo que é composto por diversos locais que conhecemos ao longo dos diversos jogos Final Fantasy. Mesmo que numa versão adaptada, ainda nos trazem muitas memórias. Lann e Reynn precisam capturar miragens, o nome dado às criaturas que enfrentamos nos jogos da série, pois ficarão mais perto de descobrir quem são, algo que não será propriamente bom.

Apesar deste ser um Final Fantasy em modo relaxado, protagonizado por versões chibi dos monstros e protagonistas que tão bem conhecemos, o tom fofo dos acontecimentos e locais vai alternando com um enredo complexo, e com profundidade suficiente para nos capturar. A história de Lann e Reynn está longe de ser simples e directa, o que cria um interessante contraste com toda a natureza da experiência de jogo em si. Ao criar a sua, aparente, versão de Pokémon, a Square Enix não optou por um universo simples e directo, entrou com tudo e mostra algo cuja complexidade poderá ser rivalizada apenas por algo como Kingdom Hearts.

"O aspecto adorável embala-nos a continuar, e quando percebemos que não existe qualquer dificuldade, apenas queremos chegar ao fim."

Quando chega a Grimoire, o jogador terá de enfrentar criaturas como Ifrit, Behemoths, Chocobos, e outras mais que já vimos em Final Fantasy, mas em versão chibi e todas adoráveis. Tal como em Pokémon, quanto mais combatem mais fortes vão ficando e mais habilidades desbloqueiam, mas aqui será o jogador a entrar num ecrã próprio para escolhermos quais habilidades preferimos desbloquear, e se adquirirmos o Prisma capaz de o fazer, poderemos evoluir a Miragem para um estado mais avançado. No entanto, em World of Final Fantasy a Square Enix introduz o conceito dos stacks. Ao adicionarem uma Miragem ao stack de cada personagem (podem adicionar duas a cada), vão formar uma combinação que funciona como um só (Reynn e Lann podem alternar entre forma lilikin, pequenos, e Jiants, tamanho normal, e permitem a criação de dois stacks diferentes.

Combinado uma personagem de cada tamanho, Pequeno, Médio e Grande, os três funcionam como um só e permitem combinar habilidades (pensem nas Miragens como extensões aos poderes e acções de Reynn e Lann). Isto permite-nos entrar nos combates, com sistema por turnos (o jogador escolhe se prefere um sistema activou ou de espera) e até podemos criar atalhos, para maior fluidez. O esquema é muito simples, cada botão principal do comando corresponde a uma acção, e ao pressionar-mos no analógico na direcção de uma Miragem, podemos aceder a algumas das suas habilidades. O menu clássico está presente, caso os atalhos não permitam executar a acção que querem, e aí podem usar itens, Miragens XL (que exigem a combinação do AP de Lann e Reynn) e os Campeões.

Ao longo da sua jornada por Grimoire, o jogador vai encontrar as principais figuras dos jogos Final Fantasy, e ainda algumas belas curiosidades, e assim que completar momentos de história específicos de cada, poderá adquirir as suas medalhas e invocá-los nas batalhas. Seja Bart de Final Fantasy V, Terra de Final Fantasy VI, Cloud de Final Fantasy VII, Vivi de Final Fantasy IX, ou Lightning de Final Fantasy XIII (entre outros mais como Squall ou Yuna), eles entram em acção para despoletar um dos seus icónicos golpes e logo depois desaparecem.

Tal como as Miragens que temos de capturar, treinar e evoluir, os Campeões, em versão chibi, são do mais adorável que vamos encontrar em World of Final Fantasy. Apesar dos protagonistas serem Reynn e Lann, será através da assistência aos Campeões e ao desenrolar das suas histórias individuais que o jogo irá progredir. Ao longo das primeiras 25 horas, iremos explorar Grimoire, que está dividido por pequenos locais, não fossem os seus habitantes pequenos, e encontrar o mais adorável e fofo Final Fantasy de todos os tempos. O seu charme é encantador e facilmente se apaixonam pelo jogo.

É uma bela homenagem ao universo Final Fantasy, que pisca ainda o olho à experiência Pokémon."

Os visuais são uma bela forma de relaxar o jogador e o fazer apaixonar por World of Final Fantasy. As personagens chibi surgem em locais que nos deslumbram e existe muitos momentos bem humorados. Tudo é muito fofo e o enredo enverga um espírito leve nesta primeira fase inicial. Juntamente com mais um belo trabalho de Masashi Hamauzu, que compôs versões mais relaxadas de temas clássicos da série, teremos uma viagem muito divertida por Grimoire. Especialmente porque os combates não apresentam qualquer dificuldade nestas primeiras 25 horas. A Square Enix permite acelerar a velocidade dos combates, e até os podem colocar em modo automático. Bom para quem apenas quer seguir a história e explorar a limitada Grimoire, mas um indicador de como o sistema de combate não tem qualquer profundidade.

Se estiverem simplesmente a atacar pelos atalhos, e a acelerar a velocidade dos combates, raramente terão de parar o ritmo para executar outra tarefa. Apenas alguns bosses vão exigir mais da vossa atenção, e este é o maior sinal da ligeireza da experiência. Sem qualquer dificuldade, poderá tornar-se num jogo repetitivo. De igual forma, após 30 horas a explorar Grimoire, o jogador regressará aos mesmos locais e de formas limitadas, começando a questionar se a longevidade não é exagerada.

Grimoire é muito fofa e apaixonante, mas pequena, enquanto o sistema de combate é interessante mas sem qualquer profundidade, combinado com uma experiência sem qualquer dificuldade. Isto faz com que World of Final Fantasy seja um RPG muito light, o que apenas é contrariado pela história mais profunda e inesperada (nas primeiras horas pois assim que percebe o que se passa, o jogador consegue imaginar o que irá suceder). É fácil nos apaixonarmos por World of Final Fantasy, especialmente pela forma como aproveita e homenageia o rico universo da Square Enix, e a ideia de um Pokémon onde iremos apanhar Bahamut será irresistível, mas é pena que o mundo seja pequeno e os combates tão simples.

World of Final Fantasy é para ser consumido com grandes doses de doçura, sendo uma homenagem a esta série que amamos há longos anos, e ao mesmo tempo uma perspectiva mais suave sobre os sistemas de combate nela presentes. Procurando captar a essência dos jogos Pokémon nos combates e na captura/treino de criaturas que conhecemos, a Square Enix vasculhou o seu rico universo para encontrar locais, personagens e situações que nos vão encantar, mas o design e estrutura precisam de mais melhorias.

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