Dungeons and Dragons: Chronicles of Mystara - Análise

Elfos, goblins e dragões.

No seguimento de vários "fighting games" da Capcom relançados para as plataformas digitais, entre os quais se destaca, por exemplo, Street Fighter III Thrid Strike e Darkstalkers Ressurection, chega-nos agora um outro clássico dos rpg's de acção; Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara. Consiste num regresso a uma época áurea da Capcom, marcada por uma elevada produção de jogos com selo arcade.

Nos anos noventa, os jogadores podiam descobrir outras soluções mais orientadas para a acção, como Golden Axe ou Ghosts'n Ghoblins, mas Dungeons & Dragons perfilava-se numa diferente matriz. Dotado de um design típico de fantasia medieval e constituído por um elenco que reúne uma série de personagens com vocações distintas (desde o Elfo ao Guerreiro), encontrava nos elementos de role play a parte mais elaborada em termos de estrutura, através da qual as personagens podem recorrer a itens e poderes específicos de um certo nível de experiência para atacar adversários poderosos.

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Vão encontrar bons sprites.

Felizmente, Chronicles of Mystara não é uma reedição do clássico em singelo. À semelhança de outros jogos já lançados pela Iron Galaxy Studios, foram acrescentados desafios, uma espécie de "achievements" exibidos nas laterais do ecrã, no espaço não ocupado pela tela do jogo. Sem um alargamento da escala completo ao formato do ecrã dos actuais televisores, em vez das tradicionais barras pretas encontramos dados sobre o número de arcas que abrimos, combates vencidos, etc. É um suplemento adicional de informação, que embora não sendo relevante, indica-nos quão perto estamos de cumprir determinada façanha, levando-nos a seguir essa meta.

Chronicles of Mystaria reúne dois jogos lançados separadamente no espaço de três anos; primeiro Tower of Doom (1993) e depois Shadow Over Mystara (1996). Apesar do compasso temporal que há entre os dois jogos, não são visíveis grandes diferenças em termos de grafismo, sonoplastia e jogabilidade. Com a última evolução foram adicionadas novas classes de personagens e uma abertura para jogo até quatro jogadores ligados em rede através da Nintendo Network, uma óptima opção para a eventualidade de combinarem jogar com os amigos. Se não estiverem para aí virados, podem sempre juntar mais três comparsas em modo cooperativo local.

Visualmente, não é um jogo tão espantoso ou fluído como SFIII Third Strike. Fica mais perto de um Darkstalkers ou Marvel vs Capcom da primeira geração, ainda assim revela-se superior a Golden Axe, por exemplo, não deixando de medir forças com alguns títulos da NEO GEO, à época uma das principais fornecedoras de jogos arcade de acção. Encontramos, contudo, um bom design, ancorado em quadros típicos da fantasia medieval, como as florestas negras, grutas, aldeias pitorescas, percursos ladeados de água e lava, enfim, muito do que poderia servir de rastilho para um Skyrim ou Dragon's Dogma.

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Com quatro jogadores a acção rapidamente se alarga a todo o cenário.

A jogabilidade revela-se sobretudo numa pressão constante dos golpes de ataque. O processo de escolha de itens não é o mais adequado quando queremos agir com rapidez no meio de um combate. Sendo um jogo de role play mas sobretudo um beat'em up, o foco da jogabilidade passa pela acção e por alguma variedade em termos de golpes de ataque, embora não se possa comparar com a amplitude de combinações de um fighting game. Claramente mais modesto nesse plano, já no campo da selecção de itens temos mais margem de manobra, aplicando nos inimigos uma série de golpes especiais ou itens em função do nosso nível de experiência. Há uma grande disparidade de inimigos, alguns deles verdadeira carne para canhão, enquanto que outros não só apresentam um aspecto desproporcional, como se movimentam com visível rapidez complicando o nosso posicionamento a fim de desferirmos os golpes certeiros.

O input dos golpes, de resto, nem sempre é o melhor, provocando desequilíbrios e danos na personagem por ficarmos à mercê do inimigo, no entanto, estas eram as bases de um género que haveria de evoluir desmesuradamente na passagem para o 3D e embora haja quem aprecie esta vertente mais retro, não podemos deixar de referir estas pequenas dificuldades.

Os percursos alternativos e a tenda, após o fim do nível, onde podemos adquirir mais equipamento para a nossa aventura, são outros elementos que serviram de semente para o que viria a ser a grande evolução do género. Posto isto, Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara, continua a ser uma opção válida para os fãs do género. Apesar de não ser um remake, os fãs e jogadores devotos do retrogaming encontram uma opção que abraça um tanto de nostálgico como de desafiante.

7 / 10

Lê o nosso Sistema de Pontuação Dungeons and Dragons: Chronicles of Mystara - Análise Vítor Alexandre Elfos, goblins e dragões. 2013-10-25T12:20:00+01:00 7 10

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