Mario & Luigi: Dream Team Bros - Análise

Estes dois comem monstros ao pequeno almoço.

Li, há dias, numa entrevista da Alpha Dream à revista Smash, em Novembro 2009, sobre como este estúdio "second party" da Nintendo geria as suas produções tendo em conta as indicações da gigante de Quioto: "um dos pontos que temos que destacar é a paciência da Nintendo para connosco, e a sua capacidade de saber esperar até que consigamos concretizar a nossa visão criativa de um projecto". Esta observação permite-nos compreender por que razão esta série tem sido tão apreciada pela crítica e pelos fãs. Proveniente do GBA, com Superstar Saga, em 2003, e entretanto com dois jogos lançados para a Nintendo DS, Dream Team Bros chega quase quatro anos depois do último jogo, exclusivamente para a Nintendo 3DS.

No entanto, esta série pode ser vista como uma segunda ramificação do clássico Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars, um rpg desenvolvido pela Square para a Nintendo em 1996, que é, ainda hoje, um dos cartuchos mais procurados pelos entusiastas da máquina 16-bit da Nintendo. A primeira ramificação aconteceu com Paper Mario, um jogo desenvolvido para a Nintendo 64, em 2000, pela Intelligent Systems, produtora da Nintendo, e que, desde então, tem sido a fábrica de sequelas que operam tão bem a fusão entre os efeitos de papel, a magia do Mushroom Kingdom e a vertente role play.

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Luta entre velhos conhecidos. Descobrir o padrão de ataque dos adversários é um grande desafio.

À partida, poder-se-á pensar quão próximas são estas séries. Seria risível se não confirmássemos algumas afinidades e aproximações, uma vez que partilham um espaço comum, o jogo de combate por turnos. Contudo, a produção da AlphaDream extravasa o próprio género e proporciona, para além de um jogo com um aspecto único, uma série de interacções exclusivas tendo em conta as funções da 3DS, especialmente em sede de jogo portátil, o que o torna compatível com períodos mais ou menos curtos de jogo.

Com efeito, é impossível não ficar rendido aos encantos deste jogo, e às constantes surpresas e renovações operadas, quer no plano narrativo, quer nas mecânicas relativas à jogabilidade. Dream Team Bros é um jogo abundante, delirante e eivado de um humor constante e especial. E, no nosso caso, temos razões para felicitar o trabalho da equipa de localização que nos fez chegar em português - o nosso português! -, a gigantesca história que tem lugar no novo mundo travesseiro. É a primeira vez que a Nintendo consegue localizar para português um jogo desta dimensão, lançado quase ao mesmo tempo em vários territórios. Crédito também para a Nintendo, que opera aqui uma localização relevante, tanto mais que na passagem para o português, não se perdeu pitada do humor original, especialmente porque a localização foi buscar muitas expressões típicas da nossa língua, sem perder a direcção do original.

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Levar outra vez a Peach é que não.

Em Dream Team Bros, a Alpha Dream leva ainda mais longe o conceito do jogo cooperativo em forma single player. Mario e Luigi continuam a formar a dupla de parceiros mais imprevisível da história dos jogos, porque é isso que a torna mais apetecível e digna de ser experimentada. E para colocar a cereja no topo do bolo, os produtores foram ainda mais longe, investindo em novas mecânicas de combate e numa dualidade de mundos que permite ao jogador explorar cenários em 3 ou 2 dimensões, consoante estejam no mundo travesseiro (o espaço real), ou no sonho de Luigi (o mundo onírico). Esta dupla tem pela sua frente uma árdua tarefa, especialmente à custa dos incrementos de dificuldades em fases mais avançadas do jogo. Mas é também nessa altura que dispõem de muitas opções, muitas delas altamente inventivas e ligadas a funções exclusivas da consola, não tendo como ignorar as subtilezas que requerem um elevado sentido de oportunidade, bem para lá das regras mais comuns dos combates por turnos.

Em Dream Team Bros, Mario, Luigi, Peach e os Toad, são convidados para uma visitarem a ilha travesseiro, um reino em tempos habitado pelos travesseiros, criaturas pacíficas e acolhedoras. Porém, um certo dia, o Antasma, uma criatura morcego que se libertou dos grilhões que o amarravam às profundezas do castelo, prendeu todos os travesseiros no mundo onírico e fechou a ilha travesseiro. A vítima seguinte foi mais uma vez Peach, alvo das garras deste aterrador antagonista. Felizmente, Luigi e Mario comem monstros ao pequeno almoço, e esta personagem não é desafio para eles. Esta aventura é uma constante luta contra as tropas de Antasma, mas também há muita exploração e comédia, boa comédia. Se pensavam que se viam livres de Bowser, esqueçam. Ele regressa, não para resgatar os dois irmãos, mas para tirar a Peach das mãos de Antasma.

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