Fire Emblem: Awakening - Análise

Até que a morte os separe!

Uma aventura longa, desafiante e detentora de mecânicas engenhosas que obrigam ao melhor esforço e visão estratégicos.

Versão testada: 3DS

Para quem só agora está a conhecer a série Fire Emblem da Intelligent Systems, a sua história já se faz há 23 anos. Foi em 1990 que estreou para a Nintendo Entertainment System o jogo Fire Emblem: Dark Sword and the Sword of Light, um título marcado por uma regra ouro que haveria de formatar os jogos seguintes. Segundo esta regra, cada personagem morta em combate era separada definitivamente da equipa e não mais podia voltar a lutar. Muitos jogos sucederam ao original e esta característica determinante permaneceu como um pilar irredutível. Fire Emblem: Awakening é o décimo terceiro da série, o primeiro a ser lançado para a portátil da Nintendo, a 3DS. A demonstração recentemente disponibilizada para a eShop veio acomodar não só os fãs da série às novas regras criadas para este jogo, mas também os novatos.

E talvez tenha sido a pensar neles, e num novo exercício para uma plataforma portátil, que os produtores apostaram numa alteração a essa regra de ouro introduzida no baptismo da série. Agora admite-se a permanência de elementos derrotados em jogo, tendo a reentrada assegurada para o combate seguinte. À luz dos fãs mais veteranos, isto pode ser encarado quase como um pecado capital. Permitir que personagens derrotadas regressem ao campo da batalha no mapa seguinte, não se compadece com o trilho histórico da série, nem com o grau de exigência definido por esta regra. Tendo em conta a intenção dos produtores em chegarem mais longe, a novas audiências, não nos parece, porém, que esta abertura ponha em causa o sucesso do jogo. Em vez disso, parece-nos até mais conciliadora e aberta ao gosto de veteranos e novatos, porque este modo "newcomer" é sempre um opcional. E ainda pode suceder que os novatos, depois de perceberem o funcionamento do jogo, recomecem a aventura no modo clássico.

Mais sobre Fire Emblem: Awakening

Haverá momentos em que terão de ser tomadas grandes decisões.

Salvaguardando isso, importa sublinhar que este é um rpg de componente estratégica; um subgénero dos jogos de role play, deveras popular no Japão. Há uma grande extensão de outras séries e jogos que enveredam por esta estrutura particular. Da Intelligent Systems conhece-se o sucesso de outra série. Advance Wars tem estado ausente nos últimos anos, mas é uma das séries mais admiradas pelos fãs. Porém, o que dá relevância a estes jogos é o seu particular funcionamento. Aqui o jogador comanda um conjunto de personagens sobre um mapa, cuja estrutura quadriculada permite uma gestão adequada das manobras ofensivas e defensivas dos elementos da equipa. Para quem joga é essencial promover uma gestão muito eficaz do grupo, mas também preparar as tropas e pensar como um bom estratega. A comparação mais imediata que podemos fazer para este jogo é pensar no tabuleiro de Xadrez, mas dotado de variantes e elementos típicos dos jogos de role play, como a evolução das personagens dentro de uma certa categoria, capacidades, ataque apoiado, entre outras, que a Intelligent Systems soube refinar ao longo dos anos.

Sem um mundo a três ou duas dimensões para explorar, o jogador descobre que cada desafio é travado dentro de um mapa, onde se oferecem diversas condicionantes e que a progressão dentro da história faz-se por capítulos, sendo estes mapas de combate. O ecrã superior permite que haja uma identificação clara dos elementos da equipa. Depois, o jogador movimenta uma a uma as personagens que elegeu para o confronto e, em função das características da equipa, tipologia do terreno e posicionamento dos adversários, tenta derrotar o inimigo num processo que se desenvolve por turno. Existem condições diferentes até se concluir com sucesso o mapa. Umas vezes o jogador terá de eliminar todos os adversários existentes no mapa, outras vezes terá de derrotar o comandante ou então um vilão especial. O risco de perder personagens em combate é um dos aspectos mais cativantes do jogo e que o faz deliciosamente especial. É que só de pensarmos no tempo que gastámos a melhorar as suas características e a torná-la mais eficiente em combate, ver uma personagem sair de cena de forma irreversível, só porque foi tomada uma opção menos boa, torna essencial a definição de uma táctica certeira para ganhar ao adversário, sem passar por sustos que ponham em risco a coluna cervical da equipa. Mas a situação pode ser pior caso a personagem que criámos inicialmente pereça. Sendo derrotada o jogo acaba imediatamente, o que significa, novamente, que certas personagens devem estar devidamente protegidas pelos seus companheiros.

É através do processo de criação de personagem que damos os primeiros passos no jogo. É um esquema novo num lançamento europeu e permite-nos estabelecer um conjunto de tópicos como género, cabelo, expressão facial, tipo de voz, etc. O editor revela-se extenso e personalizável, mas se não quiserem fazer o trabalho de casa completo, podem sempre deixar na configuração primitiva determinadas características, embora seja bem mais agradável contarmos com uma personagem com que melhor nos identificamos e cujo combate pode ser uma preferência.

Depois de construída a personagem entramos no quadro narrativo e a história começa por nos oferecer um vislumbre do futuro do reino de Ylisse, antes de nos mostrar a nossa personagem acordar de um estado de amnésia. É então que descobre um grupo de Shepherds liderado por Chrom, príncipe desse reino, que subitamente é invadido pelos Risen, criaturas zombies que atacam a região como uma praga. O supremo governante é Naga, uma figura que respeita os humanos, ao contrario de Grima, que valida os ataques causados por Risen. A jornada deste grupo de Shepherds é constituída por um somatório de batalhas em diferentes pontos do mundo em direcção ao maquiavélico Grima. À complexidade da trama, misteriosa, cheia de reviravoltas, numa série de capítulos que nem sempre são claros e concisos, algo que tende a prejudicar muitos guiões de jrpg's, acresce uma composição nipónica que pode agradar aos fãs da série. Os mais desatentos e empenhados unicamente na estratégia, têm sempre a vantagem de recorrer a um ícone no quadro das opções que descreve o ponto mais importante de cada capítulo, o suficiente para ficarem por dentro dos acontecimentos

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