Picross e2 - Análise

Novas grelhas, o desafio de sempre.

A Júpiter, produtora japonesa sedeada em Tóquio, tem uma longa lista de produções para as consolas da Nintendo, entre as quais se destaca a série Picross. Após vários lançamentos para as portáteis, a adaptação de Picross à 3DS através de Picross e2 é mais um irresistível convite endereçado aos adeptos dos jogos que promovem ginástica mental. Apesar da complexidade do conceito, não há forma de resistir a esta proposta depois de se descobrir o funcionamento do jogo. Para o treino e exercício da mente, estes jogos têm aquelas características que permitem a qualquer pessoa, numa pausa do trabalho, na deslocação para a actividade ou até no intervalo de almoço, completar um par de grelhas ou então tentar concluir aquela grelha que nos atormenta há mais tempo.

O ecrã táctil da Nintendo DS e agora da 3DS revelam-se parceiros de sucesso quanto à interacção. À distancia de um toque no ecrã podemos assinalar cruzes e preencher os espaços quando necessário. É o método perfeito. As regras de jogo podem enganar os mais incautos, mas depois de uma passagem pelo guia de instruções e realização dos quinze desafios que integram o modo mais fácil, sentimo-nos tentados em avançar para os modos mais exigentes.

A lógica do jogo é a seguinte: tendo em consideração os números colocados ao longo da coluna superior horizontal e ao longo da coluna vertical lateral, o objectivo passa por descobrir quais são os espaços que devem preencher, em função do número atribuído a cada coluna, e quais os espaços que devem ser assinalados com uma cruz. Se acertarem em todos os espaços, completam o puzzle, revelando no ecrã superior qual o objecto escondido.

A ginástica mental dá frutos à medida que vão interpretando os números assinalados para as colunas horizontais e verticais, especialmente a partir dos pontos onde se cruzam. No modo mais fácil assim que preenchemos totalmente uma coluna, temos mais garantias de acertar no preenchimento dos espaços à volta, ora com x ora com preenchimento total.

Arriscar o preenchimento de um espaço sem ter a certeza pode ser errado e se falharem haverá penalização, com acréscimo de alguns minutos ao tempo de jogo. Com o relógio em contagem crescente, existe para cada puzzle um tempo limite de resolução. É possível solicitar dicas e pedir que sejam preenchidas duas colunas (uma horizontal e outra vertical) de modo a facilitar a entrada no jogo. Mas os puristas vão abdicar desta benesse e pôr em prática todo o raciocínio exigido para assegurar as decisões mais certas sem qualquer ajuda do computador.

Picross e2 é composto por vários modos de jogo. Enquanto que no modo fácil conseguem completar todos os quadros em pouco tempo, pois muitos quadros possuem dimensões mínimas e o seu preenchimento tende a ser mais rápido por força da distribuição dos números escolhidos, será a partir do modo normal que serão postos à prova, com grelhas maiores distribuídas por 60 desafios.

A isso acresce o modo extra e livre. Este último é ainda mais complexo. Sem tempo limite para acabarem o desafio, o "twist" está na ausência de indicação de espaços mal assinalados. Trata-se de um acréscimo de dificuldade que resulta da supressão de uma das regras que facilitava a progressão. Em contra partida deixa de haver um tempo limite para acabare o puzzle.

O micross é o novo modo de jogo, que consiste num aumento exponencial das grelhas, compostas por 80x80, divididos em sub grelhas de 10x10. Ao todo estamos perante 160 grelhas que se acondicionam em dificuldade crescente. São muitos desafios para trabalhar a mente. A maior lacuna desta evolução de Picross para a 3DS é a ausência de grandes novidades ou alterações ao modelo original.

Depois temos de salientar que este jogo depressa cria uma sensação de repetição e reciclagem de desafios, sendo bastante unidireccional, previsível e focado apenas numa mecânica cujas variáveis dependem apenas do tamanho das grelhas. Além disso, é um jogo bastante limitado em termos gráficos e sem nenhum design, uma vez que os objectos revelados depois de completarem a grelha, de aspecto pixelizado, estão longe de fazer jus às propriedades tridimensionais do ecrã superior da 3DS. É pena que a Júpiter não tenha posto mais produção para fabricar um jogo mais apelativo visualmente. As opções em modos de jogo são escassas e não há mais nada a conhecer para lá de grelhas e mais grelhas.

Apesar disso, Picross e2 oferece-nos um desafio muito forte dentro da sua mecânica exclusiva e viciante. Se considerarem este jogo somente por esse prisma, tomem-no como certo, porque mais do que isso não oferece. Essencialmente é como um novo caderno de exercícios que traz consigo mais exercícios para colocar as pestanas a queimar, mas também é uma óptima porta de entrada para quem ainda não conhece a série.

7 / 10

Lê o nosso Sistema de Pontuação Picross e2 - Análise Vítor Alexandre Novas grelhas, o desafio de sempre. 2013-01-30T11:04:00+00:00 7 10

Comentários (1)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!