DmC Devil May Cry - Análise

Eu sou mais forte. Pois, mas eu sou mais bonito.

Trama satírico e um dos mais divertidos sistemas de combate que vi num Hack and Slash.

Não é todos os dias que um estúdio tem a oportunidade de redesenhar por completo um título com a tradição de Devil May Cry. A cargo dos Ingleses da Ninja Theory, este é o primeiro jogo da série desenvolvido fora da alçada da Capcom, e apesar de se manter no estilo "hack and slash", não sofre de qualquer constrangimento herdado dos títulos anteriores e apresenta uma forte mudança de tom, pretendendo apelar a uma fatia demográfica mais jovem e abrangente.

É sempre um caso sensível quando surge um "reboot" ou "spin off" de uma franquia conhecida, mas mais do que tentar um ângulo diferente em relação à história ou uma nova perspetiva no que diz respeito ao gameplay, é ainda mais sensível quando se redesenha por completo um protagonista adorado por tantos fãs como é o caso de Dante, mas já lá vamos.

O jogo apresenta-se com o antagonista principal Mundus (de novo), e desde logo se percebe o tom de sátira que tenta estabelecer. Mundus não é só o demónio mais assustador e influente da cidade, como detém a presidência do banco mais poderoso do país, cuja raiz do poder assenta na quantia de dívida que a economia e o próprio estado têm para com a sua instituição, ora onde é que já vimos isto?

Exclusivo: 2º Vídeo gameplay DMC Devil May Cry

Isso faz com que detenha o controlo total sobre a indústria, e até da imprensa onde tem demónios lacaios de confiança em posições centrais. A única oposição ao poder de Mundus vem de uma organização secreta que a imprensa afirma ser um grupo terrorista conhecido como "The Order". Provavelmente vão reconhecer o líder desta organização no primeiro contacto, mas a figura que assume maior relevância neste primeiro momento é Kat, uma jovem médium que consegue ver através do Limbo.

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O Limbo é basicamente uma representação demoníaca e paralela do mundo, algures entre o real e o inferno. É onde os demónios mostram a sua verdadeira forma e por isso é também onde se desenrolará a maior parte da ação do jogo. Kat é ainda a responsável por encontrar Dante, que vive sozinho numa pequena casa móvel desprezível, e convencê-lo a unir esforços com a "The Order" na luta contra a influência de Mundus.

Achei a apresentação de Dante muito forçada, não temos grande background sobre ele, nem porque se deve importar, ele dá a informação como garantida demasiado rapidamente e nem vou especular sobre o que leva um jovem todo-poderoso a viver em condições tão miseráveis. Com uma aparência rebelde e facilmente relacionável para um adolescente, Dante mostra-se desde logo um jovem destemido que se esforça em demasia para ser "cool".

Esta visão simplista do protagonista é acompanhada pela simplicidade do combate num primeiro momento, quando um demónio puxa Dante pela primeira vez para o Limbo e vemos a cidade envolvente a mudar de forma surreal à nossa volta. Tudo isto para dizer que esperava mais das primeiras missões do jogo, essenciais para agarrar o jogador para o resto da aventura. Felizmente a história rapidamente se desenvolve para contornos mais interessantes, e rapidamente se percebe também o porquê de a Ninja Theory introduzir o combate de forma amigável.

"...um número francamente impressionante de armas e golpes que transformam as lutas num surpreendente modelo de combate com uma profundidade notável."

Sendo um "Hack and Slash" o combate é o núcleo do jogo, aquilo que o distingue. Inicialmente Dante apenas tem acesso à sua arma base Rebellion, mas à medida que o jogo progride acedemos a um número francamente impressionante de armas e golpes que transformam as lutas num surpreendente modelo de combate com uma profundidade notável. Para além dos ataques com a arma principal e com as pistolas Ebony e Ivory, temos dois modificadores nos gatilhos do comando que permitem a Dante aceder ao seu modo anjo e demónio respetivamente.

O mais interessante destes modificadores é que nos permitem realizar enormes séries de golpes com várias armas diferentes sem nunca interromper a ação, e acreditem, os combos mais impressionantes exigem imensa capacidade de reação e coordenação. Temos o Arbiter, um enorme machado, e os Eryx, dois punhos gigantes, no modo demónio. A Osiris, uma espécie de foice, e as Aquila, umas "glaives" perfeitas para enfrentar grupos, no modo de anjo. E finalmente a Revenant e a Kablooey, a primeira é uma mini caçadeira, e a segunda um revólver que dispara umas agulhas explosivas. Em conjunto com a Rebellion e as Ebony e Ivory, estas armas oferecem opções capazes de envergonhar o próprio "Neo" (if you know what i mean).

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