Assassin's Creed 3: Liberation - Análise

Liberalização do poder da Vita.

O mais perto que podemos ter de um AAA numa portátil.

Versão testada: PlayStation Vita

Depois do ultrajante Bloodlines na PSP, a Ubisoft volta a brindar uma portátil Sony com uma aventura Assassin's Creed feita de raiz na forma de Assassin's Creed 3: Liberation. O que Liberation representa para a PlayStation Vita é a oportunidade de dar aos consumidores um jogo AAA de bolso e o que a Vita representa para a série AC é a possibilidade de ser transportada para um meio portátil sem, à partida, perder qualquer uma das suas principais características, incluindo os modos multijogador que desde Brotherhood se tornaram marca na série. Pelo meio usufrui do benefício adicional de ostentar todas as melhorias que foram aplicadas à série desde o lançamento do original, ou seja, um esquema de jogo idêntico ao que conhecemos, com ambientes amplos e de grande porte, mas aqui num aparelho que podemos transportar para qualquer lado.

Assassin's Creed 3: Liberation é, sem grandes espantos, um dos títulos de maior perfil para a PlayStation Vita nesta época Natalícia e naturalmente foi um dos jogos que mais interesse suscitou entre os adeptos da portátil e da série. Um novo cenário, pois para trás fica Ezio e a época Renascentista, que nos leva para uma América do Norte em 1765 antes de se unir debaixo de uma só bandeira. Numa altura em que Ingleses, Franceses e até Espanhóis lutavam contra os nativos e entre si para obter o poder, uma nova ameaça Templária começou a formar-se. O jogador vai assim conhecer Aveline de Grandpré, a protagonista deste jogo, Connor fica para a aventura caseira, e também aqui a Ubisoft mostrou que não queria um derivado mas antes um complemento e uma espécie de expansão. Isto porque Liberation sente-se como um jogo que poderia ser jogado por si só, independente do seu irmão mais velho.

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Aveline de Grandpré, uma Assassina com descendencia Francesa e Africana.

Mais sobre Assassin's Creed 3: Liberation

O enredo segue a onda daquilo a que estamos habituados, uma mescla de fantasia com realidade. Quando a Ubisoft pega em locais, acontecimentos históricos reais e personagens históricas e os molda para serem inseridos na temática da sua série, o jogador fica perante uma combinação inteligente e mais do que fascinante. O conflito templário contra assassinos ao longo da história da humanidade, especialmente nos acontecimentos mais marcantes, torna-se algo quase credível e a fantasia mistura-se com a realidade, inserindo o jogador num ambiente e cenário mais do que cativantes.

A Ubisoft Sofia não se poupa a trabalhos e entendeu que a melhor forma de ensinar o jogador as regras do jogo é deixar que as use e conheça por si próprio. Assim sendo o jogo começa logo de uma forma bem característica da série, somos introduzidos à personagem, numa espécie de capítulo introdutório, que a passo e passo nos relembra o esquema de jogo que combina ação e aventura. O parkour é o destaque e Aveline corre pelos telhados, salta entre casa e demonstra toda uma espantosa agilidade. Resumindo, é Assassin's Creed tal como o conhecemos.

Mas aqui temos um produto que, como referido, beneficia de tudo o que tem sido feito pelos diversos estúdios da Ubisoft ao longos dos anos. Quer isto dizer que os movimentos são ágeis e suaves, escalar pelos edifícios é mais fácil e dinâmico, Aveline move-se com graciosidade nestas tarefas, e também nos combates notamos um produto evoluído. Desde sempre Assassin's Creed apresentou um esquema de combate simples e acessível, sendo até criticado como demasiado simples e fácil, mas a Ubisoft seguiu decidida no que havia criado e foi aprimorando e ajustando até chegar a este ponto. Pequenas nuances revelam combates ainda mais ágeis, movimentos mais ferozes e ainda uma maior brutalidade nalguns movimentos. Aveline tem ao seu dispor várias armas brancas, sem esquecer as memoráveis duplas lâminas escondidas e a nova machete que se tornou marca nesta nova era representada na série.

Conhece todos os pormenores desta nova época histórica nos Assassinos.

Se os combates se demonstram como a versão mais atualizada do trabalho da Ubisoft, também a estrutura do jogo parece pronta para agradar. Ao invés de pegar num produto caseiro consagrado e o transportar para uma portátil a Ubisoft parece ter tido o cuidado de o saber pensar e moldar para o formato que o alberga. Melhor do que ter um AAA numa portátil é ter um AAA moldado para a especificidade dessa portátil. Assim sendo temos missões mais variadas, mais rápidas e um ritmo mais dinâmico, sem a momento algum se distanciar da identidade Assassin's Creed. Tendo em conta que estamos perante uma portátil que deve servir para sessões de jogo longas mas também para breves escapadelas do mundo real, os constantes checkpoints e saves ajudam a perceber que evitar frustrações foi algo importante.

"Ao invés de pegar num produto caseiro consagrado e o transportar para uma portátil a Ubisoft parece ter tido o cuidado de o saber pensar e moldar para o formato que o alberga."

É algo que me agradou pois retirou quaisquer pontas de suspeita quanto a tentativas de aumentar a longevidade ou até a dificuldade por artimanhas não desejáveis e que afetam mais do que beneficiam. Aveline vive num mundo no qual deve conjugar a sua posição como Assassina com a vida social de nobre filha de ricos mercadores. Pelo caminho vai ajudar a libertar escravos e a diminuir o controlo templário na zona de Nova Orleães até descobrir as suas verdadeiras intenções. Para isso precisa de casas de vestuário, espalhadas pela cidade, que permitem que troque de roupa sempre que preciso.

Estas Personas, como o jogo lhes chama, são muito mais do que fatos pois tem atributos específicos. Enquanto Assassina, Aveline é facilmente avistada e perseguida pelos soldados Franceses (se bem que isto não tem o mesmo impacto e bom efeito dos jogos caseiros mas já lá vamos), na pele de escrava tem mais agilidade mas não tanta e os soldados estranham rapidamente a sua presença em certas zonas. Já vestida como a filha nobre que é, Aveline é perseguida pelos soldados que se apaixonam pela sua figura e podem ser convencidos a perseguir a bela moça para a proteger de bandidos quando necessário. Isto faz com que o jogo consiga um pequeno toque de estratégia e maior profundidade pois escolher bem qual persona queremos para determinada missão dita comportamentos diferentes.

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