Thor: God of Thunder

Martelo de S. João.

Normalmente é uma análise circular; há o filme no cinema e o videojogo para prolongar o efeito visual, onde o primeiro é facilmente superior ao segundo. Contadas e devidamente representadas as excepções, poucos são aqueles estúdios e autores que trabalham corretamente com o produto que a audiência espera receber. Melhor: com o dever de o tornar minimamente uma opção realista daquilo que se viu no cinema, em vez de uma sensaborona e inapropriada cópia apressada. No fim, é a máquina de "merchandising" entre cinema e jogos que acaba por condicionar o resultado final e a responsável por estes "flops".

Estamos perante projectos inevitavelmente apressados, que são exigidos numa questão de meses, por contraponto às grandes produções, com anos de maturação, acrescendo a isso o escasso orçamento para a produção, o que leva a que santos da casa não façam milagres. Infelizmente, este é um esquema que se repete vezes sem conta todos os anos e, aparentemente, nada parece incomodar as editoras no sentido de inflectir a tendência e apostar numa realista divisão entre projectos para cinema e projectos para videojogo, no que poderia ser uma forma de lucrar em ambos os departamentos e deixar os interessados bem mais satisfeitos.

Mais sobre Thor: God of Thunder

Thor: God of Thunder tem nome de God, e até se associa a um género semelhante ao Deus da Guerra, reforçado recentemente pelo rival de peso chamado Bayonetta, mas como jogo não é coisa nenhuma, nem sequer uma ténue tentativa de fazer crer que um argumento escrito para o cinema poderia ter algum relevo quando transformado num videojogo. Com efeito, apesar da correlação de personagens, o argumento é diferente e encerra um período prévio aos acontecimentos do filme, pelo menos assim parece. Isso significa que Asgard foi alvo de uma invasão por uma série de criaturas que derivam de um mundo de gelo, depois de ter sido libertada por Thor uma criatura maléfica, por iniciativa do irmão de Thor. Cabe por isso ao herói restaurar a paz e o quotidiano em Asgard.

Todavia, desde cedo desponta a sensação de uma narrativa pouco trabalhada e desinteressante. Com diálogos do tipo generalista comuns a uma série animada de Sábado de manhã que ninguém quer ver. Para piorar, a realização é sofrível, com diálogos enfraquecidos e uma sensação de progressão apressada, sem o mínimo cuidado de explicar e tornar cativantes momentos que mereceriam um outro fulgor.

À fraca realização acresce ainda um trabalho de arte e construção gráfica que se situa claramente aquém de opções medianas congéneres de uma PS2. As animações não impressionam; alguns efeitos derivados da electricidade mereciam melhor tributo para uma personagem que, em princípio, deveria ser um Deus a lidar com ela esperando-se uma dimensão avassaladora. Nada disso. O que sobra é muito pouco e algumas vezes questionamo-nos se este é um jogo para ser levado a sério ou não passa de uma imprevisível paródia a God of War.

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