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Yoshi's Woolly World - Análise

Baby Mario adoraria este mundo.
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Uma entrada nova na série Yoshi, dotada de um design único, com influência nas mecânicas e sem perder de vista o clássico.

Ainda com os confrontos do magnífico e bem sucedido Splatoon na retina e eis que mais um exclusivo acaba de chegar à Nintendo Wii U. Em termos de exclusivos e qualidade inerente a estes, a consola da Nintendo possui uma valiosíssima oferta, sendo que até ao final do ano e para 2016 está prevista ainda mais uma mão cheia de jogos exclusivos como Star Fox Zero, Super Mario Maker, um novo Fatal Frame, Devil's Third (Tomonobu Itagaki), a 28 de Agosto, e Xenoblade Chronicles. Os proprietários de uma Wii U talvez não encontrem os multi plataformas habituais, mas sabem que terão pela frente uma oferta importante, capaz de justificar o investimento na consola.

Yoshi's Woolly World é o jogo que se segue, num regresso aos títulos de plataformas, desta vez não em 2D, como sucedeu com o clássico e muito amado Yoshi's Island, mas numa composição tridimensional, em alta definição, um pouco à semelhança de Donkey Kong Country: Tropical Freeze, com foco no design único, baseado no crochet e nas lãs como elemento agregador e central no plano das mecânicas e experiência de jogo.

Yoshi's Island ou Super Mario World 2, continua a ser uma referência sempre que é editado um novo jogo que oferece o protagonismo devido ao pequeno, simpático e adorado dinossauro verde. Os fãs não o esquecem da sua actuação em Super Mario World, mas foi a sequela, naquele jogo mágico e focado no mundo dos Yoshi's, com relevo para a origem de Super Mario, naquela altura como Baby Mario e uma personagem secundária que teríamos de transportar a bom termo, que transportou Yoshi para o estrelato. Desde então quase todos os jogos lançados não escapam a uma espécie de comparativo com o original, um dos melhores e mais desafiantes jogos de plataformas 2D.

Muitas das acções são similares às clássicas, mas a abordagem a certos inimigos é diferente.

Dirigido por Takashi Tezuka é um notável exemplo de criatividade, design e desafio. A quantidade de mecânicas que encontramos apenas em 2 ou 3 níveis chega para nos deixar fascinados e a pensar porque durante tantos anos os jogos de plataformas 2D eram uma espécie de "ex libris". Sobretudo porque os melhores recompensavam e quando bem feitos davam lugar a experiências incríveis que repetíamos mais do que duas ou três vezes, encantados com aquela montanha de saltos e obstáculos ultrapassados.

Em Yoshi's Woolly World, a Nintendo optou por colocar ao leme da produção o estúdio subsidiário Good Feel, que já nos trouxe Kirby's Epic Yarn, um jogo que longe de ser consensual quanto aos méritos, mexeu com os fãs da bola rosa por força do design único, baseado nos tecidos. Mas como isso não chega para fazer um bom jogo, desta vez o director de Yoshi's Island supervisionou o projecto e transmitiu muito do seu conhecimento, sobre como implementar mecânicas e diversificá-las ao longo dos níveis. A Good Feel conseguiu incorporar isso, ultrapassando as dificuldades que encontraram com Epic Yarn, que a dado momento da produção, viu pairar sobre si as nuvens negras do cancelamento.

Não obstante e sendo um jogo mais desafiante e exigente, Yoshi's Wooly World não é tão difícil e punitivo como o original. O interesse em conquistar mais jogadores, principalmente os mais novos, com todo este aspecto admirável e acolhedor, é evidente. Nos anos noventa, os jogadores eram muito mais propensos a jogos difíceis. As mais pequenas falhas não eram toleradas e havia sempre aquele sufoco quando nos sobrava apenas uma vida, pois caso a perdêssemos voltávamos ao começo do nível ou ao último ponto de gravação, que neste caso podia implicar a perda de dois ou três níveis. Essa magia de certa maneira perdeu-se. A dificuldade desceu e nalguns casos existem opções, que facilitam por completo, como a opção que permite a Yoshi sobrevoar os níveis, evitando a quase totalidade dos obstáculos. Mas, lembramos, é apenas um opcional.

Quase tudo neste jogo é feito à base de lã.

De qualquer modo e sendo isso relativamente comum aos jogos de plataformas 2D (nos anos noventa os jogos estavam muito marcados pela natureza arcade e da repetição), os mundos que irão visitar em Yoshi's Woolly World não deixam de ser um constante desafio, com bastantes ideias originais e um avanço em termos criativos a partir da lã como elemento central do jogo. Tudo o que vêem é como que feito à mão. Tudo é lã, até mesmo os Yoshi's foram construídos com base na lã, assemelhando-se a um produto de crochet. Aqui e acolá encontram botões e as setas do Shy Guy's, mas as bombas (em forma de saco) que estes lançam do cimo das plataformas assemelham-se a um saco feito com lã.

As plataformas, as flores, as montanhas ganham por isso uma composição muito especial. Ao contactar com elas, rolando por exemplo sobre uma superfície, Yoshi aperta os tecidos, encolhendo-os no ponto de contacto. Ao puxar um fio solto, uma porção da manta desaparece e até os inimigos engolidos pela língua são transformados em bolas de lã, quando não se desfizerem em fios assim que Yoshi efecuar uma queda com o rabo sobre eles. A caracterização do ambiente nestes moldes traduz um realismo ímpar, quase manual, como se o jogador mais do que estarrecido pela qualidade dos visuais, pudesse sentir o aconchego dos tecidos e a suavidade das plataformas.

No final, o mundo de Yoshi's Woolly World não é apenas bonito, não se limita a dar beleza sem que depois não seja possível interagir com ela. A parte mais interessante neste jogo está na possibilidade de mexer constantemente com o mundo, operando a criação de plataformas usando os novelos de lã, fazendo de certos inimigos pesadas bolas de tecido que abrem caminho por entre os grandes obstáculos que Yoshi não pode remover, escapando à água que molha o tecido de Yoshi e o impede de saltar mais alto. Na prática, cada nível oferece algo sempre diferente do anterior, uma mecânica por descobrir e uma profundidade bem interessante no que toca à activação de mecanismos para seguir em frente. Daí a opção em deixar de fora o relógio e a existência de um tempo limite para a conclusão do nível, uma opção que a meu ver é algo discutível e que obrigaria os jogadores a acelerar o ritmo, pensando rápido.

Os níveis são grandes, significativamente maiores que os de New Super Mario Bros U, com muitas áreas secretas e opcionais. A dada altura mais parece que nos encontramos num labirinto e é a partir deste ponto que a dimensão do jogo nos capta por inteiro. Os níveis prolongam-se e nem sempre a porta mais à frente marca a saída. Acabamos por chegar a outra área opcional e mais outra, até que na posse de uma chave conseguimos abrir o fecho (o som está muito bem conseguido) de uma porta inicialmente inacessível.

As plantas piranha ficam atadas num fio e depois podem saltar sobre elas.

Alguns níveis são compostos por secções intermédias que envolvem a transformação de Yoshi numa máquina, como uma mota ou um perfurador, atravessando secções rochosas e de uma massa similar a queijo, algo mole, por oposição à pedra, um obstáculo que requer mais paciência ao perfurar. Na mota, por exemplo, Yoshi avança rapidamente sobre as plataformas, aqui sim com tempo limite, que pode ser ampliado se encontrarmos relógios para a atribuição de mais uns segundos, valiosos para se atingir a meta. Pelo meio há uma série de coleccionáveis como cristais, flores e pedaços de lã.

Com as flores poderemos coleccionar níveis adicionais, enquanto que os novelos de lã são úteis para fazermos novos Yoshis e jogarmos com eles, com recurso a diferentes cores, enquanto que os cristais servem como selos, podendo ser utilizados no Miiverse. Descobrir as cinco flores por níveis e os cinco novelos em cada nível é uma tarefa exigente. Lá para o meio terão de suar e pesquisar muito bem todas as áreas, até nas zonas menos prováveis. Claro que para completar o nível e chegar à meta apenas por uma questão de cumprimento não terão tantas dificuldades. Já os perfeccionistas terão um desafio à medida.

O Baby Mario de Yoshi's Island não existe desta vez, o que para alguns é um alívio. Em vez disso, os produtores optaram por introduzir em Yoshi um indicador de saúde, que vai diminuindo sempre que sofrer algum dano provocado pelos adversários. Usando o velho sistema de pontaria que permite o disparo de novelos na direcção dos pontos de interrogação flutuantes, Yoshi poderá recolher os respectivos bónus, nomeadamente pequenos corações que regeneram o indicador de saúde. Como sempre, Yoshi poderá flutuar, ainda que temporariamente, fazendo aquele esforço com as pernas em movimento, alcançando até uma pequena subida na ponta final do movimento, muito útil quando se encontra numa situação limite.

Yoshi's Woolly World apresenta um modo cooperativo para dois jogadores, através de ligação local, recorrendo aos mais diferentes comandos, até mesmo o Wii remote. Com um outro jogador ou amigo que tenhamos por casa, a experiência adquire mais desafio tornando-se até hilariante, sobretudo naqueles níveis mais rebuscados que obrigam as duas personagens a aproximarem-se uma da outra. Não é um modo inédito mas torna ainda mais divertido o avanço e sem tempo limite ambos poderão explorar bem todas as áreas.

Os seis mundos assim como os níveis adicionais oferecem conteúdo para mais de dez horas de jogo, dependendo sempre da vossa veia de exploradores, se optarem por permanecer mais tempo dentro dos níveis de modo a encontrar tudo o que o jogo tem para oferecer. Do ponto de vista gráfico, estamos perante um dos mais impressionantes jogos da Wii U, sem quebras de frame rate e numa entrada na alta definição muito colorida e apelativa. Tributando as qualidades do original e ao mesmo tempo com um design novo e aconchegante, Yoshi's Woolly World é um jogo marcante. Engenhoso e com aquela direcção dos jogos clássicos de plataformas, desta vez a Good Feel esmerou-se. Sem ser revolucionário ou melhor que o original Yoshi's Island, oferece uma reinvenção muito sólida de um dos universos e personagens especiais da Nintendo.

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Sobre o Autor

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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