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Xenoblade Chronicles 3 - gerações de encanto pela simplicidade

Mais uma forte introspeção à natureza humana.
Eurogamer.pt - Obrigatório crachá
Um épico dos JRPGs que mostra a Monolith a entregar qualidade e consistência como nenhuma outra. As suas cruéis temáticas e execução cinematográfica são de excelência nipónica.

É impossível não sentir entusiasmo quando estamos prestes a começar Xenoblade Chronicle 3, o mais recente título no universo imaginado por Tetsuya Takahashi. Este é o terceiro jogo, por isso já sabes o que te espera, locais enormes para explorar, constantes monstros para enfrentar e uma forte introspeção à natureza do ser humano capaz de te emocionar frequentemente. Xenoblade Chronicles 3 é sem qualquer dúvida uma amostra de uma série fiel a si mesma, sendo também o mais recente título a cimentar a Nintendo Switch como uma plataforma obrigatória para os amantes dos JRPGs.

Sempre com um forte foco na abordagem existencial e à validade do que realmente fazemos com a vida que nos foi dada, Xenoblade Chronicles 3 é forte como uma enxurrada de socos na tua barriga quando lidas com os dilemas que assolam estas personagens. Falamos de um mundo com duas fações em constante guerra, que fabricam crianças treinadas desde o primeiro dia para combater neste interminável espetáculo de horror. As crianças são forçadas a combater, aumentando o risco morrerem antes de expirar seu prazo de validade de apenas 10 anos, sempre cientes do cronómetro a contar e que se não colocarem a vida em risco, morrem mais cedo (ao matar alguém, recuperam tempo para o seu relógio interno).

Quando uma missão corre mal e dois grupos das fações rivais ficam perante uma ameaça desconhecida, tornam-se inesperadamente na esperança de salvar o mundo. Eles são rotulados de inimigos pelas suas próprias fações e forçados a coexistir com os inimigos que nasceram para matar. Isto coloca-nos perante uma das novidades no terceiro jogo, terás 6 personagens para acompanhar e presentes nas batalhas. Entope o ecrã de batalha de ruído visual, nem sempre é bonito, mas combinado com novas mecânicas torna-se numa novidade digna de relevo.

O cruel destino que nos foi traçado é o pilar de uma narrativa repleta de cutscenes espetaculares e momentos marcantes.

Xenoblade Chronicles 3 é um jogo muito idêntico aos anteriores, ainda é um Action RPG onde percorres locais enormes, com monstros que demoram muito tempo a matar (não tanto quanto no anterior) em combates nos quais as personagens atacam automaticamente e tens de esperar pelo recarregamento de habilidades (Artes) para as executar. No entanto, graças às 6 personagens e ao contexto da história, tens o elemento Ouroboros (fusão entre duas personagens numa espécie de mecha super-poderoso). O combate é simples, mas encontra estratégia no recarregamento das habilidades e no uso dessas Artes para criar desvantagens no inimigo.

Outro elemento que confere profundidade e dinamismo são os Chain Attacks, uma sucessão de ataques na forma de Artes que após alcançar a percentagem necessária aumentam o multiplicador de ano e terminam com ataques devastadores. Isto pode mudar o rumo da batalha e a todo o tempo estarás a lutar para preencher mais rapidamente a ativação dos Chain Attacks. Se efetuares os passos ou iniciares uma Chain Attack com um Ouroboros num nível 3 de interligação, poderás efetuar um incrivelmente devastador Ouroboros Chain Attack que é algo glorioso de ver. Mesmo algo ao estilo frenético e excêntrico japonês que tanto adoras ver.

Novas mecânicas como trocar de personagem a meio das batalhas, a combinação de pares para formar Ouroboros e ainda a possibilidade de mudar a classe do personagem (para criar um equilíbrio entre ataque, buffs e cura), com acessórios e skills à tua escolha, trazem alguma dinâmica e uma profundidade própria que se sente nova na fórmula Xenoblade Chronicles. Mesmo que permaneça muito similar ao anterior em termos de gameplay e design, a Monolith Soft apresenta uma versão refinada do seu gameplay e com toques de novidade, algo merecedor de elogios.

O tão específico olhar japonês ao iminente fim do mundo e ao papel das crianças como esperança de um futuro melhor

Com uma banda sonora de fenomenal gabarito (é mais um daqueles jogos que baixei o volume dos efeitos especiais e vozes para desfrutar das magistrais composições de Yasunori Mitsuda e da sua ACE), Xenoblade Chronicles 3 é um daqueles exemplos que não precisa chegar como uma revolução para conquistar e se tornar memorável. A narrativa, personagens, temáticas e o gameplay Ouroboros permitem-lhe alcançar um patamar que hoje em dia merece todo o nosso carinho e tempo.

A experiência Xenoblade Chronicles 3 apresenta melhor qualidade de imagem e desempenho do que as anteriores, o que é bom, mas uma experiência tão épica como esta já começa a pedir equipamento mais poderoso e será fácil sentir que numa máquina mais poderosa seria ainda mais glorioso. No entanto, tudo o que precisa para marcar, divertir e criar impacto, está ao alcance da Nintendo Switch. Xenoblade Chronicles 3 é um épico dos JRPGs da era moderna, com uma narrativa que te deixa sempre à espera de mais desenvolvimentos, que te marca com estes conceitos de crianças nascidas para morrer num mundo eternamente em guerra e que por acidente recebem a possibilidade de lutar contra um cruel destino traçado à nascença.

Este terceiro Xenoblade Chronicles numerado também mantém o habitual design de progressão e subida de nível, que torna obrigatórias as tarefas e missões opcionais. Para ganhar XP e subir de nível, as missões secundárias são a forma mais rápida de o fazer, uma vez que derrotar monstros do nosso nível ou superior é um processo lento tendo em conta a quantidade necessária de XP para subir de nível. Não é tão agressivo quanto nos anteriores, mas lento o suficiente para tornar obrigatórias as missões secundárias. Além disso, é frequente um boss 4 níveis abaixo do teu ser altamente difícil, toda a XP é bem vinda.

A Nintendo e a Monolith Soft continuam a entregar consistência e qualidade a um ritmo que mais nenhuma outra casa japonesa dedicada ao género consegue. Chega a ser impressionante como encontraram uma identidade para o gameplay, temáticas e design que não cansa saborear. A Nintendo Switch tornou-se na casa dos JRPGs, essencial para os apaixonados pelo género e se adoras degustar de uma boa introspeção à natureza do ser humano, com um gameplay divertido e cutscenes de bater palmas, Xenoblade Chronicles 3 é um verdadeiro jogo essencial, mais um momento escrito a ouro na história desta era da Nintendo.

Prós: Contras:
  • Um Action JRPG altamente divertido e marcante
  • Temáticas fortes e existenciais, exploradas em cutscenes espetaculares
  • Uma banda sonora de bater palmas
  • Novas mecânicas como Ouroboros e Chain Attacks que dinamizam os combates
  • Uma experiência Xenoblade com várias otimizações no gameplay
  • Opção de mudar de classe e aprender novas em missões especiais
  • Um dos melhores JRPGs dos últimos anos
  • Um épico destes já merecia hardware mais poderoso
  • Bosses que te matam quase de imediato quando estás quase a vencer.

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Sobre o Autor

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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