Se clicares num link e fizeres uma compra, poderemos receber uma pequena comissão. Lê a nossa política editorial.

WRC Generations - O canto do cisne

Jogabilidade no expoente máximo mas visualmente muito datado.
É o fim de uma geração de títulos WRC entregues pela Nacon. Gameplay no seu expoente máximo mas com um aspeto visual demasiado datado para a atualidade.

WRC Generations da Nacon chegou perto do final da corrente temporada do FIA World Rally Championship. O último rali foi o do Japão, que decorreu neste fim de semana passado, com Kalle Rovanperä a sagrar-se campeão do mundo com apenas 22 anos. É o mais jovem campeão mundial de ralis até hoje. Esta é uma evolução do título do ano anterior, WRC 10, sendo também a derradeira entrega por parte da editora. Em 2023, a licença FIA World Rally Championship será transferida para as mãos da Codemasters e EA, que já está a trabalhar para entregar em 2023 o próximo jogo oficial.

Temos então a última entrega a cargo da produtora Kylotonn, que atualiza todos os pilotos oficiais, as equipas e marcas de carros. WRC Generations é de facto uma extensão e evolução do trabalho realizado em WRC 10, está muito colado a esse título, usa o mesmo motor de jogo, para o bem e para o mal obviamente. É de notar que a estratégia de manter o mesmo motor com já muitos anos pode dever-se a perder a licença oficial em 2023, não justificando uma transposição para uma nova entrega a nível visual e até de físicas. WRC Generations fica desde logo à partida limitado em várias vertentes, principalmente na componente visual, é um jogo demasiado datado para os parâmetros atuais.

Esta temporada que terminou viu a introdução de regras mais amigas do ambiente, com novos modelos de carros e os seus motores híbridos, Ford Puma Rally1, Hyundai i20 N Rally1 e o Toyota GR Yaris Rally1. Todos eles fiéis aos veículos reais, desde os seus comportamentos, motores e físicas. São de facto replicas fidedignas, com a sensação de que estamos mesmo a pilotar estas novas máquinas. Ao mesmo tempo que são introduzidos novos carros, a sensação de que pouco mudou é demasiado presente. Se retirássemos o nome até seriamos levados a pensar que este era o mesmo título de 2021, mas o prazer continua a ser o mesmo, até é superior quando comparado com WRC 10.

Certo que não é tudo exatamente igual, mas é evidente a pouca introdução de modificações. Num título que tenta recriar ao máximo o realismo de um desporto como o rali, o que importa em primeiro lugar é o comportamento dos carros. Primeiro, a disposição dos menus foi revista, está agora mais amiga do utilizador, mais acessível e de melhor rapidez de navegação. Já os modos de jogo, esses são uma cópia do que vimos em WRC 10, pouco é alterado, está tudo presente, nada foi esquecido, o que é positivo. Já em termos de comportamento dos carros, é de realçar que foram refinados. Senti que existe real evolução dos comportamentos em todos os pisos, mas não é uma revolução para este ano.

É complicado esmiuçar um título que é lançado ano após ano, com modificações pouco palpáveis, sendo algumas tão subtis que apenas os mais dedicados e aficionados irão notar. Os mais casuais certamente que ficam bem servidos com WRC 10, se já o adquiriram, não vão de facto comprovar as pequenas alterações das físicas aqui implantadas. Os mais dedicados, como referi acima, vão gostar de saber que WRC Generations aperfeiçoou a fórmula, as físicas são mais reais e o prazer de conduzir chega ao expoente máximo da série. O caminho percorrido até chegarmos a este estado foi longo, e termina em 2022 para a Kylotonn.

O ponto forte de Generations é mesmo o prazer que dá conduzir estes novos carros de rali. São todos eles máquinas poderosas, que depois de dominadas e com um conhecimento mais aprofundado das especiais, o prazer chega a patamares bem elevados. Este gameplay recompensador para quem dedica tempo e vontade é transportado para os modos de jogo que são abundantes, como no ano anterior. Seja realizar um campeonato completo, onde somos o piloto e até o gestor da equipa, ou apenas optar pela tarefa de conduzir os carros e não nos preocuparmos com nada mais.

Já na parte visual as coisas são bem mais complicadas. Apesar da tentativa de introduzir melhorias, como uma iluminação mais credível, alguns detalhes extra nos traçados, não se consegue fazer milagres com um motor de jogo demasiado datado para os parâmetros atuais. Posso dizer que são cumpridos os serviços mínimos, nada mais que isso. Sinceramente já está na hora de reformar o motor de jogo e partir para outras aventuras. Isto certamente acontecerá com o próximo jogo oficial WRC, nas mãos da Codemasters.

Temos assim a chegada deste WRC Generations com um sabor a despedida, de uma geração de títulos entregue pela Nacon. Não há aqui muita evolução quando comparado ao predecessor WRC 10, sendo complicado de o recomendar a quem possui essa versão. Vale pela melhoria das físicas e uns retoques visuais. Salienta-se os novos carros que vão fazer as delícias dos aficionados por este desporto tão particular e envolvente.

Prós: Contras:
  • Dá prazer conduzir. Gameplay refinado
  • Novos carros híbridos
  • Interface melhorado. Mais intuitivo e dinâmico
  • Visualmente demasiado datado
  • Poucas modificações em relação a WRC 10
  • Som dos carros continua demasiado sintetizado

Descobre como realizamos as nossas análises, lendo a nossa política de análises.

Sobre o Autor

Adolfo Soares avatar

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

Comentários