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Wonder Boy Collection - Pega monstro

Com chave que abre a arca do tesouro.
Colecção retro consistente e significativa em pontos altos, apesar da omissão de jogos relevantes.

Em tempos mais recentes, algumas editoras lançaram remasterizações e remakes da série Wonder Boy e Monster World, entre os quais destaco os honrosos e por aqui analisados Wonder Boy III: The Dragon’s Trap, Monster Boy and The Cursed Kingdom e Wonder Boy: Asha in Monster World. Toda a linhagem da série é um processo meticuloso que nos levaria muito longe, pelo que optamos por focar esta análise na celebração que propõe a Inin Games, curadora para o ocidente de muitos jogos de cariz retro lançados no Japão.

Se recuarmos até 2012, mais concretamente à plataforma online da Xbox 360, reavivamos um conjunto de séries detidas e publicadas pela Sega, justamente com a menção Sega Vintage Collection, entre as quais encontramos trilogias de Streets of Rage e Golden Axe. Nesse ano, a Sega editou a colecção Monster World, título integrado no universo Wonder Boy, oferecendo três jogos devidamente remasterizados: Wonder Boy in Monster Land, Wonder Boy in Monster World, e a estrear fora do Japão, Monster World IV. Como uma espécie de celebração de um legado, havia a particularidade do desenvolvimento destas versões estar a cargo da M2, companhia especialista na criação de remakes e remasterizações não só de licenças da Sega mas de outros jogos nomeadamente os shmups, e para as mais diferenciadas plataformas.

Celebração dos 35 anos de Wonder Boy

Depois dos remakes acima mencionados e os quais tivemos oportunidade de analisar, esta colecção incentiva a regressar às origens, mais concretamente às versões lançadas para as arcadas. O interessante é que nenhum dos quatro jogos presentes na colecção corresponde aos jogos melhorados, ainda que seja uma quase repetição dessa colecção editada pela Sega no Xbox Live. A novidade aqui é a recuperação do primeiro jogo.

Comecemos pelo primeiro: Wonder Boy, de 1986. A versão aqui facultada corresponde à System 1, lançada nas arcadas, e ilustra perfeitamente os primórdios desta indústria, com um grafismo simples embora com uma arte já bastante vincada e que viria a modelar os sucessivos e posteriores desenvolvimentos da série. As mecânicas são muito básicas, elementares até, com preponderância dos elementos de acção, tremendamente repetitivos, mas igualmente desafiantes. Este Wonder Boy é claramente apontado ao coração dos fãs, mas não será despiciendo levá-lo até novas gerações, que o podem encarar como uma descoberta a dissecar. O objectivo é levar Boy a resgatar a sua namorada Tina das mãos do rei tirano. Muitas batalhas e peripécias ao longo do percurso.

Segue-se Wonder Boy in Monster Land, jogo de 1987, editado originalmente nas arcadas, sob o circuito System 2, que nos dá mais algum alento em termos visuais e sonoros. Se no jogo ainda predominam as plataformas, depressa damos conta da necessidade de explorar os cenários, com percursos alternativos que por seu turno podem levar a mais batalhas ou ao encontro de preciosos objectos como magias e equipamento, necessários para levar de vencida os monstros que se atravessam nesta aventura. Os controlos nem sempre são muito precisos e algumas escorregadelas podem ser letais. Do ponto de vista das mecânicas, este jogo viria a ser crucial para o desenvolvimento da série.

Passando a Wonder Boy in Monster World, a diferença é quase monstruosa para o anterior. É um jogo altamente empático por várias razões. Do ponto de vista gráfico, sonoro e artístico, assinala um salto qualitativo grande face a Monster Land. Há mais cores, mais objectos, as animações de Shion estão recheadas de sprites e o exército de monstros do BioMeka é assustador. É também um jogo que nos reaviva a boa qualidade da Mega Drive, uma consola capaz de oferecer experiências no conforto do lar tão boas ou melhores do que aquelas experimentadas nos salões de jogos da segunda metade dos anos oitenta. Com mais armas, equipamento e magias, do ponto de vista da aventura, exploração e componente role play, Wonder Boy in Monster World é a peça-chave que facilmente abre o tesouro desta colecção.

No que respeita a Monster World IV (1994), o mesmo remake reeditado o ano passado, como por aqui escrevemos poderá não estar no mesmo nível de Wonder Boy III Dragon’s Trap, mas mostra-nos uma personagem feminina e protagonista em bom plano, para uma aventura recheada de batalhas e exploração. Se ainda não jogaram este óptimo remake, eis aqui uma boa oportunidade para de uma assentada conjugar alguns dos mais importantes e emblemáticos jogos da série Wonder Boy.

Existem filtros, sombras e opções como “puxa atrás” e gravação imediata dentro de múltiplos espaços por jogo. O conjunto é abrilhantado por uma galeria de trabalhos de arte, correspondentes à fase de desenvolvimento dos respectivos jogos, bem como um audio bastante consistente. Do ponto de vista visual os jogos apresentam-se sem quebras ou falhas, revelando bom tratamento. Muitas destas opções e “adicionais”, chamemos-lhe assim, existem neste tipo de colecções destinadas à celebração. No demais, é pena que a Strictly Limited tenha optado por deixar Wonder Boy III como exclusivo da edição limitada e coleccionador de aniversário, correspondente à ausência de dois jogos do terceiro tomo: Dragon’s Lair e The Dragon’s Trap, nesta colecção.

Apesar disso, eis-nos diante de uma colecção agradável. Um conjunto de títulos que nos mostram as origens de Wonder Boy, num quadro de plataformas, até assentar as bases em mecânicas aprimoradas em torno da exploração e role play. Remakes mais recentes provam que Wonder Boy, nas mãos de um estúdio com os meios e os produtores certos ainda poderia evoluir e sair da redoma retro. Se pensarmos na evolução de muitas séries da Nintendo, sejam Zelda ou Metroid, fica aqui a sensação de que poderia resultar muito mais do que uma celebração entusiasta. Wonder Boy ainda acarreta o entusiasmo retro, e mesmo que tenha ficado por dar o salto em tempos modernos, ostenta várias qualidades que justificam uma incursão num tempo pejado de boas memórias.

Prós: Contras:
  • Bons momentos da série
  • Wonder Boy na Mega Drive
  • Conjunto de coleccionáveis
  • Vários filtros de apresentaçao
  • Bandas sonoras
  • Alguns jogos relevantes exclusivos da edição limitada

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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