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Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões review - jogos deste calibre continuam raros

Singleplayers cinematográficos repletos de adrenalina e aventura ainda são raros.
Duas sublimes experiências de ação e aventura cinematográfica como ainda é raro ver na indústria, em remasters sem grandes destaques.

Inesperadamente, UNCHARTED: Coleção Legado dos Ladrões chegou para me recordar que o singleplayer cinematográfico ainda não é assim tão comum quanto poderia pensar e ao longo dos últimos dias tenho debatido sobre como o que era uma espécie de dado adquirido não é assim tão firme. Foi em maio de 2016 que a Naughty Dog apresentou finalmente Uncharted 4, na altura o expoente máximo das suas ambições cinematográficas explanadas em jogos singleplayer altamente cativantes. Cerca de 15 meses depois foi a vez de O Legado Perdido chegar, uma expansão que cresceu tanto que foi lançada como um jogo em separado e que voltou a deslumbrar graças ao ADN da Naughty Dog. O estúdio destacou mais uma vez na abordagem às experiências singleplayer que pintam a ouro esta indústria.

No entanto, apesar de todo o sucesso que a PlayStation Studios encontrou com as suas experiências singleplayer cinematográficas, cerca de 6 anos após o lançamento estes dois títulos ainda continuam a figurar como projetos raros de ver. Apostas deste calibre e ambição não são fáceis de encontrar na indústria, que continua a pender para as experiências multijogador e isto faz com que seja caso para celebrar sempre que é feita a aposta num jogo de ação e aventura cinematográfica na terceira pessoa. Especialmente quando feitos com a ambição que a Naughty Dog imprime nos seus projetos, um estúdio capaz de criar títulos de autor e desafiar os padrões para a escala cinematográfica dos projetos singleplayer.

Confesso que voltar a jogar estes jogos passados estes 6/5 anos fez-me sentir que estava errado e que ainda figuram como jogos raros, vistos como apostas arriscadas pois não "agarram" o jogador durante meses a fio. Estas experiências mais tradicionais, com princípio meio e fim e sem constantes apelos à tua interação, vivem da força do que está presente desde o primeiro instante, sem espaço para implementação de novos modos de jogo ou melhorias gerais que transformam a forma como consomes o produto diariamente. Talvez por isso tenha sentido que são jogos que continuam altamente pertinentes nos dias de hoje, tanto quanto em 2016/2017 pois não são assim tão comuns. Isto sem ter em conta a qualidade com que foram feitos. Agora, estes dois jogos foram reunidos num só pacote, em versões remaster, que prometem colocar novamente o mundo a falar da série e dos singleplayers da PlayStation.

Exuberante singleplayer cinematográfico

Se já jogaste um ou os dois jogos, sabes bem que se trata de experiências incrivelmente simples, cuja liberdade do jogador é reduzida na esmagadora maioria do tempo para que o estúdio controle o tom cinematográfico da experiência. A série Uncharted é conhecida pela escala das suas "set-pieces" e por constantes momentos de grande adrenalina, como se capturasse o espírito de Indiana Jones num videojogo. Comédia, aventura, muita ação, escalada e aqueles enquadramentos de câmara para expor locais antigos e épicos que te vão impressionar. A fórmula é mais do que conhecida e ainda hoje continua divertida, especialmente porque estes dois mais recentes jogos na série representam o expoente da fórmula da Naughty Dog.

Uncharted 4 mostra o herói Nathan Drake num momento em que debate consigo mesmo se a vida banal é o melhor para si, mas quando alguém regressa do seu passado para lhe pedir ajuda, terá de voltar à vida de ladrão para salvar o dia. Pelo caminho debaterá se está mesmo a fazer isto porque não tem outra hipótese ou se não conhece outra forma de viver. O Legado Perdido recupera Chloe Frazier de Uncharted 2 que surge a colaborar com Nadine Ross, uma adversária de Drake em Uncharted 4 que conhecerás de uma forma totalmente diferente na expansão.

O enredo, os personagens, os gráficos, a banda sonora, os momentos em que parece ter sido realizado por Michael Bay e tudo à volta dos personagens está a ir pelos ares. A constante sensação de movimento para maior adrenalina e acima de tudo o consumo fácil da viagem, fazem da experiência Uncharted gloriosa de se jogar. Isso em nada mudou e estes jogos mantém todo o seu apelo, tal como no dia de lançamento original, mas confesso que não esperava divertir-me tanto a jogá-los nestas versões e a dar por mim a pensar que isto não é assim tão comum quanto desejaria. Apesar de algumas áreas maiores, não são jogos em mundo aberto, são experiências relativamente lineares e em troca dão-te visuais incríveis e momentos de grande intensidade que te agarram. No entanto, não é a qualidade dos jogos originais que está em causa, mas sim dos remasters.

Remasters ou ports?

A indústria jurou que o singleplayer não morreu e apostas como Uncharted dignificam essa afirmação. Na PlayStation 5, já era possível jogar estes jogos, nas suas versões PS4, no entanto, agora tens esta UNCHARTED: Coleção Legado dos Ladrões que implementa diversas melhorias. A possibilidade de jogar Uncharted 4 e O Legado Perdido a 60fps não é propriamente transformadora, mas aumenta a fluidez do jogo, os loadings reduzidos tornam a experiência ainda mais cinematográfica devido à rápida transição entre cenas ou capítulos, enquanto a implementação do DualSense atribui mais uma camada de feedback que ajuda na interação.

No entanto, apesar destas melhorias ajudarem a erguer estes trabalhos acima das versões existentes, não são propriamente transformadoras e não te vão deixar de boca aberta. Sim, UNCHARTED: Coleção Legado dos Ladrões relembra o quão bons estes jogos são e facilmente impressionam quem nunca os jogou, mas para quem já os jogou exaustivamente na anterior geração, poderá ficar a sensação que era preciso algo mais. O modo 4K ajuda a qualidade gráfica a impressionar ainda mais, mas seria fantástico ter modo 4K com performance a 60fps. Sinto que o modo Performance tem um impacto maior do que imaginaria e gostaria na nitidez da imagem. Além disso, a implementação do DualSense é interessante, mas não será um estandarte nas recomendações do uso das suas funcionalidades.

São versões refinadas que arriscam no uso do termo "remasters" e mesmo que UNCHARTED: Coleção Legado dos Ladrões seja apresentada a pensar nos novos jogadores, poderia ter sido feito mais para incentivar quem já tem os jogos a experimentar as versões atualizadas para a PS5. O preço do upgrade é de 10 euros (mesmo para quem apenas comprou um), o que significa que muitos podem ter acesso a um jogo que nunca jogaram por um valor mínimo. No entanto, quando vemos esforços noutras plataformas na forma de autênticos remasters instantâneos gratuitos, fica a sensação que a Sony se poderia ter esforçado mais para tornar o pacote mais convincente para todos os jogadores.

Remasters com muito a elogiar

UNCHARTED: Coleção Legado dos Ladrões é um produto que se torna um pouco difícil de abordar pois existem imensas perspetivas a partir das quais podes estar a olhar para ele. Esta é uma coleção claramente feita a pensar em quem não os jogou, se és um fã de jogos de ação e aventura de forte teor cinematográfico e que adora experiências singleplayer, nem penses duas vezes se fazes parte desse lote. Coloca um selo Recomendado lá em cima e prepara-te para duas experiências de excelência. Se já os jogaste ou tens os dois títulos na tua coleção, não encontrarás nada de realmente surpreendente aqui, mas se adoras estes títulos e estás disposto a pagar o preço do upgrade pelos remasters, descobrirás que jogar Uncharted 4 e o Legado Perdido na PS5 quase faz parecer que são desta geração.

Prós: Contras:
  • Ambos os jogos ainda impressionam graficamente
  • Continuam a figurar como experiências singleplayer de excelência
  • Ação e aventura de elevado teor cinematográfico
  • Gameplay intuitivo e repleto de momentos memoráveis
  • Aproveitamento do Dualsense e carregamentos incrivelmente reduzidos
  • Nada de novo para quem já os jogou
  • Remover o multijogador é uma oportunidade perdida
  • Ausência de modo 4K60 poderá deixar alguns descontentes

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Sobre o Autor

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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