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The Witcher 2: Assassins of Kings Enhanced Edition - Análise

A lenda de Geralt numa nova plataforma. Conseguirá manter o seu legado?

Combate desafiante, realista e estratégico

O primeiro impacto que The Witcher 2 causa é a sua exigência. Exige de imediato um compromisso por parte do jogador para aprender e dominar as mecânicas da jogabilidade. No começo parece muito para absorver, mas não há nada que a pratica não resolva. Pode ser facilmente confundido com um hack and slash, quando na verdade é mais um jogo tático onde é fundamental conhecer os pontos fracos dos inimigos e saber quando atacar. Evidenciando a sua dimensão tática, apenas um dos quatro poderes mágicos de Geralt (o protagonista) causa dano. Os outros três têm funções diferentes, como criar uma barreira protetora, armar uma armadilha que prende os inimigos no local e controlar um dos inimigos por breves momentos.

O combate propriamente dito, excluindo os poderes mágicos, consiste em atacar com ataques fracos (A) e fortes (X) e desviar (B) ou defender (RT). Algo a que têm de prestar atenção, é o tipo de inimigo contra quem estão a combater. Geralt está equipado com duas espadas, uma de aço e outra de prata. A primeira é mais eficaz contra humanos, já a segunda deve ser usada contra monstros. Também podem usar armas secundárias como bombas, punhais e armadilhas como complemento. O combate de The Witcher 2 é assim altamente dinâmico em que temos de estar em movimento constante e usar todas as mecânicas disponíveis para triunfar.

Se tudo isto parece demasiado complicado ou fácil, as dificuldades oferecidas servem para isso mesmo, para adaptar o jogo ao que procuram. O tutorial ajudará a escolher a dificuldade ideal para vocês. Em fácil podem desfrutar de The Witcher 2 como um simples hack and slash. Acima da dificuldade normal, existe o modo difícil e dark, sendo este último uma novidade nesta Enhanced Edition.

Outro ponto crucial é a preparação para os combates. Os Witchers são capazes de beber poções que aumentam o seu poder temporariamente. E para criar estas poções são necessários vários ingredientes. Assim é importante apanhar todas as ervas, plantas e flores que vão aparecendo ao longo da vossa jornada. Mas nem sempre temos a oportunidade de beber as poções antes dos combates (só é possível bebê-las quando estamos fora da ação), porque nem sempre sabemos quando vamos combater. Dei por mim frente a frente com bosses sem ter bebido nenhuma poção, o que complica imenso alcançar a vitoria.

As decisões nunca são fáceis

A dificuldade decresce com o progresso. O jogador é quem escolhe qual a árvore de evolução de Geralt: Swordsmanship, Alchemy e Magic. Investir exclusivamente numa delas traz resultados mais rapidamente, mas haverá alturas em que desejarão ter apostado em outras árvores. A melhor escolha é manter o equilíbrio entre as três. A personalização também reduz a dificuldade. Armaduras e armas mais fortes ajudam imenso e são uma das razões para apostar nas side-quests.

"A Xbox 360 não consegue acompanhar os gráficos do PC, e apesar do jogo ter um aspeto excelente para a consola, não está ausente de problemas."

Ao longo da estória terão que tomar decisões que vão alterar o enredo. Não existe um sistema de karma como em Mass Effect ou Dragon Age, ou decisões apontadas a vermelho azul, mas as consequências são reais. Não esperem, é claro, assumir controlo total sobre a estória, que tem uma estrutura definida. O que podem fazer é dar uns retoques. As escolhas, que aparecem sobretudo nos diálogos, deixam o jogador transplantar um pouco da sua personalidade para Geralt. Sempre que alguém pede ajuda podem sempre optar por serem simpáticos e não cobrar nada, ou dizer de imediato para abrirem os cordões à bolsa ou nada feito.

Como já adiantado, a Xbox 360 não consegue acompanhar os gráficos do PC, e apesar do jogo ter um aspeto excelente para a consola, não está ausente de problemas. O mais comum são os pop-ups de objetos constantes e a falha no carregamento de texturas. Existem outros problemas menores que não estão relacionados com o aspeto gráfico, como por exemplo a interação com objetos, o botão A nem sempre aparece quando estamos próximos, às vezes é preciso encontrar a posição certa. Também pode acontecer com que o GPS das quests não indique a localização correta e pôr-nos a andar às voltas.

O quê? O jogo terminou por aqui?

Onde The Witcher 2 desaponta sobretudo é na sua escala. Para um RPG não é propriamente um jogo enorme. Incluindo as side-quets, a longevidade pode estender-se até às 40 horas ou até mais, caso sigam à risca o guia incluído nesta Enhanced Edition, mas durante todo este tempo só vão visitar três grandes locais e os seus arredores. As áreas de exploração, onde decorrem muitas das side-quests, têm um tamanho razoável, no entanto, no geral, quando comparamos The Witcher 2 com Skyrim ou Dragon Age: Origins, é um jogo menor.

The Witcher 2: Assassins of Kings não podia chegar à Xbox 360 da melhor forma. O CD Projekt RED fez um trabalho exemplar em transportar o jogo para esta nova plataforma, e tirando a já mencionada limitação gráfica, mais jogadores podem desfrutar deste magnífico RPG. É uma pérola que até há bem pouco tempo muitos não conheciam e pronta para encantar com o seu brilho, contudo, é uma pérola que podia ser maior. O final abrupto é como uma pedra no sapato. Faltava-lhe um grande final, embora a jornada seja fantástica.

8 / 10

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Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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