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Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder's Revenge - Bordoada das antigas

Regresso retumbante.
Eurogamer.pt - Obrigatório crachá
Um brawler ambicioso que faz das suas inspirações uma força, enquanto refresca as mecânicas e projecta o combate multiplayer.

Não é surpresa a estreia de um novo jogo das esfuziantes tartarugas ninja. Desde a origem na banda desenhada, pelas canetas do duo Kevin Eastman e Peter Laird, que as tartarugas cresceram de forma galopante. A série animada para a televisão, em finais dos oitenta, granjeou uma audiência acérrima e foi só um passo até chegarem os filmes e os videojogos, com a Konami a gozar por muito tempo do privilégio da licença. Com tantos anos passados, o entusiasmo pelas tartarugas mutantes não esmoreceu e os jogos continuaram a ser lançados.

Também não é uma surpresa verificar em Shredder’s Revenge um regresso à acção pura e dura em 2D, com uma vocação para a componente multiplayer, dando azo ao trabalho de equipa para lidar com os mauzões que polvilham Nova Iorque como um vírus. Mas o melhor é que estamos perante um regresso em grande das Ninja Turtles, com a qualidade que muitos fãs queriam ver consagrada, numa aventura nova e moderna, apoiada em refrescantes mecânicas, mas ao mesmo tempo 2D, dotada de uma pixel art notável e um enquadramento old school não menos que brilhante.

As tartarugas regressam a Nova Iorque.

É aqui que entra mais uma vez a francesa Dotemu, que depois de patrocinar o desenvolvimento de Wonder Boy: The Dragon’s Trap, em 2017, consegue elevar a fasquia num novo Streets of Rage, em 2020, para uma flamejante quarta edição. Este ano, a editora francesa celebrou também o desporto retro com uma sequela de Windjammers, o clássico de frisbee da SNK. Paulatinamente, a Dotemu tem vindo a desenvolver um catálogo assente em trabalhos novos e modernos, sequelas de muitos clássicos arcade e das consolas, dos oitentas e noventas, que não se limitam a reproduzir as mesmas mecânicas e a mesma arte. São jogos que acrescentam opções à jogabilidade ao mesmo tempo que tornam a experiência mais viva, fluída e dinâmica.

Uma nova aventura que invoca a lendária série animada e os jogos arcade dos noventas

O mérito desta nova produção é dos canadianos da Tribute Games Inc., estúdio com sede em Montreal e que ostenta nos seus pergaminhos produções não menos distantes, como Scott Pilgrim vs The World: The Game. Curiosamente, há membros desta equipa que trabalharam ainda em TMNT para a Game Boy Advance, o que reforça a aproximação e o conhecimento da temática às tartarugas. Mas a pareceria com a Dotemu só ficou selada depois do acordo de licença com a Nickelodeon, a detentora dos direitos da franquia e sem a qual esta nova aventura não seria possível.

O resultado desta conjugação de vontades, e sobretudo talento, é um regresso audacioso aos jogos de acção que a Konami espalhou pelos salões arcade e que tantas moedas nos custaram, como Turtles in Time. Mas ao mesmo tempo é um jogo que presta também tributo à saudosa série televisiva de 1987, o que será um regalo para os fãs quando virem o vídeo de abertura do jogo a anteceder toda a acção frenética. Mas falar em Shredder’s Revenge como mais um jogo 2D de pancadaria (brawler), em formato side-scroll horizontal, é redundante. Há suficiente autonomia nos diferentes domínios que compõem esta aventura e a demarcam do seu legado. Da jogabilidade, assente em golpes especiais de cada uma das tartarugas ninja, passando pelo novo modo história, que torna esta aventura autónoma e sem necessidade de conhecimentos prévios, passando ainda pela nova e abundante arte píxel, sprites retumbantes e uma fluidez de combate trepidante, estão reunidos os condimentos que contribuem para uma experiência de acção e combate de elevada qualidade.

Muitos golpes e habilidades especiais.

Pese embora a simplicidade do argumento, o modo “story” mostra-nos a preparação da vingança de Shredder, que juntamente com a extensa turma de vilões da série, entre os quais a sempre carne para canhão Foot Clan, e os trapalhões mais valentes Bebop e Rocksteady, desenvolveram um novo plano para aniquilar as tartarugas. Esta nova história levará Leonardo, Donatello, Michelangelo, Raphael, bem como a ágil e rápida repórter April O’Neil e o Master Splinter a um novo périplo pela baixa de Nova Iorque, o território que serve mais uma vez de fundo e palco, desde a reluzente baía de Coney Island, até aos esgotos e becos onde os rufias controlados por Shredder procuram retomar as forças.

Fácil de aprender, exigente para dominar

O sistema de combate assente na diferenciação de cada um dos protagonistas através dos golpes especiais dá um óptimo ponto de partida, sendo que podemos jogar o modo história a solo ou acompanhados até um máximo de seis jogadores, num reforço da dimensão cooperativa, acentuado pela possibilidade de golpes em conjugação e de apoio entre os parceiros. No máximo da dimensão cooperativa o ritmo mantém-se acelerado, com o caos espalhado pelas ruas e espaços onde cabem heróis e vilões.

Há que ter em conta que as personagens apresentam diferentes patamares de evolução nos parâmetros de alcance, velocidade e força. Aqui os produtores concederam a personagem mais equilibrada a Leonardo, com óptimos níveis em cada categoria, enquanto que as restantes possuem mais força, velocidade ou alcance, superiorizando-se num parâmetro mas perdendo noutros. A entrada num capítulo da história é precedida de um breve tutorial que mostra os botões necessários para activar todos os movimentos e combinações. Ainda que com alguns movimentos mais exigentes, nomeadamente em activação nos ataques aéreos e nas fugas ou retomas de posição, o que exige um timming bastante curto, entrega um conjunto de movimentos e golpes especiais bastante acessíveis.

A ágil e rápida April, sempre em cima do acontecimento.

Depressa nos habituamos ao estilo de combate de cada uma das tartarugas e procuramos perceber de que forma podem ser mais úteis consoante o bestiário que temos pela frente. Com um modo história composto por mais de dezena e meia de episódios, podemos voltar a jogar um episódio com uma diferente personagem, tirando partido de um super ataque. Mas valerá a pena aproveitar a mesma personagem até ao fim do jogo, já que há uma espécie de elemento role play que faz desbloquear novas habilidades e alocar as vantagens do Level up para mais vidas e adicionais barras ninja, as quais permitem aplicar os super ataques, exclusivos de cada personagem. O alcance destas opções é vasto, sendo que aos ataques regulares e especiais ainda podemos acrescentar os ataques de equipa, com destaque para o ataque em sanduíche, o parafuso tubular e a pancada homerun que projecta literalmente o oponente.

Uma irresistível conjugação de comédia com acção a rodos

Com uma variedade de super ataques em diferentes momentos, pelo ar, em queda ou em fuga de um golpe adversário, as chances de reverter um dano e sair de uma situação apertada são possíveis, embora justifiquem uma precisão e um nível de concentração e experiência altos para que a sua execução seja perfeita. Os “taunts” são óptimos para recarregar uma barra de poder ninja e assim acumularem até 3 barras, o mínimo necessário para activar uma espécie de golpe derradeiro denominado de “modo radical”, que de forma temporária deixa a vossa personagem invencível. Este ataque com tudo é particularmente útil nas lutas de fim de nível. Num jogo de dimensão cooperativa, a ajuda aos colegas é crucial, com entrega de unidades de saúde e até a reanimação de um colega ferido, mas tenham cuidado já que os rivais não terão parcimónia em lançar um contra-golpe.

Ao longo de cada episódio, cuja duração pode oscilar entre 5 a 12 minutos, por norma, encontram pizzas em caixa, entre outros itens e objectos valiosos que podem ser entregues a personagens que vos lançam em side quests. É uma Nova Iorque que fervilha em surpresas, com objectos que podemos esmagar com um só golpe e inimigos que obrigam a pensar em certos ataques para que sejam facilmente vencidos. À entrada de um novo episódio ficam a saber que não só existem coleccionáveis mas também objectivos a cumprir. Se forem exímios desbloqueiam algumas façanhas, anunciadas no canto inferior esquerdo. A qualquer altura podem optar por partilhar a experiência com mais jogadores, até um máximo de seis, se estiverem ligados à rede ou em modo lan.

Até 6 jogadores em multiplayer.

Com um combate tão frenético e com imensos movimentos, nunca é exagero voltar a golpes que se tornaram emblemáticos, como as projecções dos adversários de encontro à câmara ou usá-los como extensão dos braços para chegar aos inimigos mais distantes. Ao mesmo tempo, as animações e os sprites dos movimentos das tartarugas estão muito bem conseguidos, com uma fluidez e uma consistência de fotogramas por segundo assinaláveis. A isto acresce as vozes originais emprestadas pelos actores para a série animada de 87, o que contribui para uma maior imersão, numa aproximação à animação que será imediatamente reconhecida pelos fãs.

Trabalho artístico com esmero

Se o “story mode” é garantia de uma extensão do tempo de jogo, que se prolonga por umas intensas e frenéticas horas, o ritmo nem por isso abranda na opção arcade. Aqui o objectivo é derrotar Shredder e o seu exército, em Nova Iorque e na dimensão alternativa, apenas com os créditos existentes, sem “continues”, sem os “level ups” e sem retomas. Não há forma de gravar a progressão e aqui a luta trava-se pela pontuação e pela inscrição do nome nas tabelas de liderança.

Do ponto de vista gráfico e artístico, está num patamar acima da média a produção da Tribute Games. Cada episódio é surpreendente pelas localizações e por um constante desenrolar de secções e zonas eivadas de pormenores e detalhes assinaláveis. O tributo à série está nos pequenos detalhes mas também na qualidade da arte píxel, muito de encontro ao legado Turtles in Time, assim como a série de animação. A interacção nos níveis também tende a causar surpresa, especialmente quando avançam nas secções de voo através das pranchas anti-gravidade. Os obstáculos tendem a variar e nem faltam exclamações para anunciar os perigos em movimento. As cores, os contrastes e as animações das personagem produzem um brilho assinalável, num extremo convite à repetição e à superação. Destaque para a magnífica banda sonora composta por Tee Lopes, o mesmo criador da banda sonora de Streets of Rage 4. Nas tartarugas, o compositor regressa com temas que acrescentam ritmo e aqueles sons tão oitentas, numa evocação também muito nostálgica e no respeito da origem da série

Com produções recentes menos conseguidas do ponto de vista qualitativo, este é um regresso audacioso e talvez o jogo das Ninja Turtles que opera a síntese do presente com o passado, transportando o melhor que a série tem para oferecer, ao mesmo tempo que aprimora e refresca as mecânicas de combate e evoca a tradição do multiplayer. Com os seus seis lutadores em cena em simultâneo, os combates tornam-se caóticos e na marcha pelos níveis do modo história travam-se magníficas e sempre desafiantes batalhas. A arte e o ambiente muito bem caracterizado contribuem para uma experiência alargada, amparada por uma banda sonora capaz de ecoar por muito tempo. Uma produção esmerada, impecável e que nos mostra que os jogos em 2D inspirados em mecânicas retro ainda podem surpreender.

Prós: Contras:
  • Novas mecânicas de combate
  • Level up das personagens
  • Modo história
  • Boss fights desafiantes
  • Arte píxel impressionante
  • Cadência e ritmo frenéticos com 6 jogadores
  • Bastantes coleccionáveis e missões secundárias
  • Tabela de liderança no modo arcade para os peritos
  • Banda sonora assinada por Tee Lopes
  • Podia contemplar mais modos de jogo

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Sobre o Autor

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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