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Surface Pro - Análise

Tablet. Portátil. PC de jogos ultra móvel?

Numa determinada altura, os vendedores de processadores PC incentivaram enormes saltos no poder computacional de uma geração para a próxima. Agora as coisas mudaram - o desejo por eficiência no consumo sobrepõe-se à necessidade de mais poder, com a arquitectura x86 em sentido contrário aos processadores ARM de baixo consumo que tradicionalmente encontras no teu tablet ou smartphone. John Carmack e outros sugeriram que vai chegar um dia em que não vais deixar o teu PC ou portátil em casa - vai tornar-se num componente central do teu smartphone. O novo Surface Pro da Microsoft - com um rápido processador x86 com uma forma estilo tablet - indica este futuro. Tem as suas falhas, como qualquer produto futurista na sua primeira geração, mas é uma proposta intrigante no geral e um excepcional feito tecnológico.

As primeiras impressões são positivas após libertar o aparelho da sua caixa bem normal. O irmão do Pro - o Surface RT - é um aparelho bem construído com um acabamento de luxo e este novo modelo oferece mais do mesmo. A forma geral da unidade é bem similar (no imediato parece igual) mas é consideravelmente mais grosso e mais pesado - parecendo um aparelho mais apetrechado do que um convencional tablet baseado em ARM. É pesado para um tablet mas por outro lado é muito mais leve que um ultrabook de 11 polegadas. Fora a posição das entradas e dimensões, a única e real diferença na estética definida pelo RT está numa abertura em redor do diâmetro do aparelho - isto é na verdade uma ventoinha e forma parte da inovadora abordagem da Microsoft para dissipar calor de um esquema de processamento que é muito mais esfomeado que o tradicional chip móvel.

No tablet temos um entrada SDXC, uma entrada de USB 3.0 de tamanho completo, uma saída de vídeo mini-displayport, entrada headset, controlos de volume e claro, o botão de ligar/desligar. Na traseira temos o controverso Kickstand que se fixa num ângulo de 26 graus, e a falta de flexibilidade continua um problema, tal como no RT. A mesma ligação de fornecimento de energia de fecho magnético desastrada que temos no Surface também está no Pro (inconvenientemente perto da saída de vídeo), juntamente com um conector dock na base da unidade para ligar as capas Touch ou Type. O que é curioso aqui é que a interface do Pro tem terminais adicionais sobre o RT - a Microsoft confirmou que canalizam poder adicional, sugerindo uma futura dock ou talvez um teclado mais robusto com uma bateria de energia interna extra, similar aos teclados Asus Transformer.

Iniciar o Pro é uma experiência seriamente impressionante - desde o tempo super rápido de arranque, o produto respira qualidade. O ecrã IPS 1080p é lindamente vívido, e apesar de não igualar o iPad em termos de pixeis por polegada, é uma revelação comparado com virtualmente qualquer portátil abaixo dos 850 euros que podes mencionar. Isto é igualado pela surpreendente boa performance áudio - está praticamente a par do iPad, agradavelmente alto sem distorção e com um nível decente de graves, mas vai mais além que o aparelho Apple na oferta de saída estéreo.

Outros elementos no pacote também impressionam. Um stylus activa-se automaticamente perto do ecrã sensível à pressão, e apesar de suporte limitado, para certos profissionais pode provar ser indispensável: Mike Krahulik do Penny Arcade já falou em profundidade sobre como é o seu uso da perspectiva de um artista e a resposta é claramente positiva - apenas precisa de mais suporte de aplicações. Até o carregador de 48W fornecido com o Pro recebeu algum pensamento - não só recarrega o Surface como existe uma entrada USB integrada para recarregar a bateria do teu smartphone ao mesmo tempo.

Gerações além da performance ARM

Preparem-se para uma experiência tablet mais rápida e mais suave do que algo no qual já trabalhaste antes. Provavelmente a coisa mais impressionante no Pro é que, avaliado puramente em termos da performance de componentes, estamos perante um aparelho que apresenta um salto de 10x na performance em várias áreas sobre as melhores ofertas ARM. Processador, gráfica, RAM e armazenamento estão além das capacidades dos convencionais tablets em oferta. A navegação na interface Metro é suave como manteiga e a experiência de navegação via Internet Explorer 10 optimizado para toque é rápida como relâmpago, até comparado com o iPad 4.

A transição glacial de Flash para HTML5 afecta a compatibilidade de navegação nos tablets ARM mas as entranhas Intel do Pro permitem uma interface livre de compromissos com a web. Facebook e outros jogos Flash funcional tal como desejarias, e qualquer site que testamos corria suavemente sem quaisquer erros de compatibilidade.

Existe um nível surpreendente de poder aqui: a arquitectura Iby Bridge no processador Core i5 providencia um nível de resposta ao estilo portátil, enquanto descodificação media - até mesmo via IE10 e Flash - é muito boa. O YouTube corre os vídeos 2560x1440 que preparamos para a recente análise GeForce Titan sem perceptíveis perdas de fotogramas, apresentando-os a 1080p com facilidade. Até as capturas 4K que produzimos recentemente corria relativamente suavemente, com apenas uma pequena quantidade de trepidação.

Testes Javascript: quanto mais baixo o resultado, melhor.

iPad 4 Surface RT Surface Pro
Sunspider 0.9.1 865.3ms 977.8ms 137.0ms
Kraken 1.1 16699.6ms 49691.2ms 5976.5ms

Pode o nível de melhoria que o Pro representa ser quantificado? Estes testes javascript, que colocam o Pro contra o RT que usa o Tegra 3 e o iPad 4 demonstram o fosso no poder em bruto, com o Kraken em particular a destruir o RT. Testamos várias vezes com resultados similares. A força da experiência Pro deve-se ao facto que a Microsoft escolheu excelentes componentes para todos os elementos chave das entranhas - o processador Core i5 3317U corre a 1.7GHz, mas deve arrancar até 2.6Hz quando as temperaturas permitem. O chipset HD 4000 integrado da Intel é fraco pelos padrões de uma gráfica dedicada, mas atualmente está num mundo à parte na tecnologia móvel. O processador é apoiado por um disco 6gbps SATA-3 (o nosso é um modelo 128GB da Samsung no formato mSATA) que providencia velocidades de leitura de 450MB/s e escritas de 190MB/s. Isto faz uma real diferença: o RT arranca em 52 segundos, o Pro faz o mesmo em apenas 13.

Mas e quanto aos jogos? Agora, é justo dizer que não ficamos muito contentes com o leque de jogos disponível na loja Windows 8, porque não tem o apoio crucial de muitas das mais importantes companhias. No entanto, aplicações unificadas permitiram-nos correr o mesmo código em ambos os Surfaces, dando a oportunidade de comparar directamente o Tegra 3 com o Core i5. O nosso jogo escolhido foi o Hydro Thunder Hurricane - um dos títulos mais avançados visualmente disponíveis no novo ecossistema Windows da Microsoft. No RT, temos uma pobre resolução de 1024x576 e um rácio de fotogramas um pouco inconsistente (apesar de ter melhorado muito sobre os testes iniciais) enquanto o Pro aumenta isso para 60FPS (com apenas a ocasional queda em cenas pesadas em alfa) e nativos 1080p. Os resultados falam mesmo por si: 3.5x a resolução com o dobro dos fotogramas.

""Surface RT vs. Pro num exigente 3D nem é concurso. O equipamento mais poderoso oferece o dobro do rácio de fotogramas com 3.5x a resolução." "

Surface RT vs. Surface Pro a correr Hydro Thunder Hurricane. Ambos equipamentos permitem-nos desligar o ecrã principal do tablet e capturar da saída de vídeo. Correr dois ecrãs tende a drenar largura de banda, particularmente em aparelhos móveis. Esta técnica deve assegurar que o que vemos é equivalente à experiência no ecrã do tablet.

Abraçar a arquitetura portátil tem os seus contras - no seu estado actual, os processadores Core da Intel nunca foram realmente desenhados para enfrentar directamente os chips ARM. Provavelmente o impacto imediatamente mais perceptível na funcionalidade é o modo Sleep, ou melhor a versão comprometida dele que temos aqui. Um aparelho iPad ou Android passa para modo Sleep quando não lhe tocas, mas recupera para providenciar notificações ou correr outras tarefas - aceitar uma chamada Skype, por exemplo. O Surface Pro é diferente, desactiva efectivamente após um pequeno período a dormir, desligando a unidade e significando que nenhuma destas coisas acontece. Acordar do sono é um processo instantâneo num tablet ARM, mas demora alguns segundos para regressar e correr novamente no Pro. É um compromisso necessário baseado nas limitações inerentes ao inserir partes de portátil numa carcaça tablet, mas perder várias chamadas Skype e IMs ao longo desta semana devido a isto, é definitivamente uma fraqueza fundamental comparado com a funcionalidade oferecida por aparelhos muito mais baratos

Windows libertado

O Surface RT era um produto bizarro de várias maneiras, especialmente em termos da sua inclusão de um ambiente Windows tradicional em adição à interface Metro quando havia muito pouco que podias fazer com ele. O modelo Pro é uma história completamente diferente - não existem quaisquer limitações. Tal como qualquer portátil x86, és livre de instalar e correr qualquer programa que queiras, significando que podes completamente ultrapassar a Windows Store na sua atual limitada coleção de ofertas. O facto de correres uma versão não comprometida do SO significa que podes correr um vasto leque de periféricos via entrada USB 3.0, enquanto a saída mini-displayport liga-se lindamente e até suporta resoluções dual-link DVI tais como 2560x1440.

No entanto, por mais agradável que seja ter um tablet verdadeiramente aberto, que corre virtualmente tudo e liga-se quase a tudo, sente-se como se a Microsoft não queira optimizar a experiência PC para o equipamento que criou. O ambiente de trabalho é fornecido virtualmente "como está" com apenas o mais leve do suporte táctil - praticamente a única concessão feita para adaptar a DPI da interface para 150 por cento, tornando os ícones e texto navegável e possível de ler no ecrã 1080p de 10.4 polegadas. No entanto, apesar da interface ser legível, não é amigável - eficácia do carregar para clicar é mesmo pobre, e não existe suporte para arrastar para zoom, acrescentando às dificuldades na navegação e seleção. A versão compatível com toque do IE10 não é usada no modo ambiente de trabalho, o que prova ser bem chato.

A dura linha a dividir funções tablet e Pc transparece como uma pobre decisão de design, quer corras o Windows 8 num PC ou num tablet onde existe pouco sentido de coerência ao longo da funcionalidade geral do aparelho. A atitude de Redmond parece ser que a Metro é o único lugar para a interação de ecrã táctil, enquanto ficar efectivamente por tua conta no ambiente de trabalho que está horrivelmente sub-optimizado enquanto ambiente baseado no toque - algo que transparece como uma grande oportunidade perdida. Aplicações do ambiente de trabalho precisam suportar toque de forma mais compreensiva, arrastar para amplificar no ambiente de trabalho simplesmente não chega. Claro, fazer uso do stylus é uma opção e melhora as coisas, mas é dificilmente a solução mais convincente.

Um ambiente de trabalho atarefado numa imagem vinda do Surface Pro. O ecrã corre a 1920x1080 com DPI aumentada 150 por cento para tornar legível o texto. Remover o menu Iniciar é mesmo um acto desnecessariamente aborrecido por parte da Microsoft, mas felizmente projectos comerciais e de fonte aberta cumprem um bom trabalho para o restaurar.

Elementos de legado de janelas e outras bizarras decisões também irritam um pouco. A caixa de selecção "outros navegadores estão disponíveis" instala-se via Atualização Windows e ao invés de apenas substituir o IE10 não táctil na área do ambiente de trabalho com alternativas de terceiros, substitui também o navegador Metro, significando que precisas vaguear pelo menu "todas as aplicações" para restaurar o devido programa compatível com toque na interface principal do tablet. Mais importante, também existe a estranha, ligeiramente mal intencionada decisão de oferecer apenas uma versão teste de um mês do Microsoft Office neste Surface de nível Pro, enquanto o modelo RT mais barato tem a versão completa gratuita.

Isto, combinado com o exorbitante preço das capas Touch/Type da proprietária, aumenta o valor da proposição do que já é uma peça muito caro. O Surface RT pelo menos oferecia um desconto na combinação tablet/teclado - não existe sinal de tal concessão para o Pro atualmente na loja Microsoft Norte Americana.

Jogos PC - num tablet?

Gostamos de nos focar na performance de jogos no equipamento móvel e felizmente a história é um pouco mais positiva aqui. Similar à IU e experiência de navegação, a jogabilidade está num nível completamente diferente do tablet convencional. Os processadores ARM mais poderosos geralmente gastam perto de 4W de poder. Em forte contraste, o processador Ivy Bridge no Surface Pro maximiza nos 18W. Com a comparação de Hydro Thunder Hurricane já demonstramos como este tablet força a sua avante para a primeira posição devido ao poder da arquitectura Intel Core, mas é surpreendente ver o quão longe aqueles 18W vão quando frente à perspectiva de correr programas muito mais exigentes.

Os chipsets gráficos Intel integrados tem pouco respeito pela sua aparente inaptidão para gerir aplicações de jogos, mas a tecnologia HD 4000 no Ivy Bridge é uma parte razoavelmente capaz, como vimos quando comparamos a versão 35W com o Trinity chipset da AMD no ano passado. Não estamos a falar de algo como níveis de performance como a Xbox 360, mas a diferença está a encurtar-se. A questão é, até que ponto pode o HD 4000 lidar quando limitado a 18W?

Os resultados são bem positivos. O Surface Pro deve correr a maioria dos jogos PC num nível jogável, mas a respeito de jogos modernos, as expectativas precisam ser gerias: as resoluções precisam descer, as definições de qualidade reduzidas. Alguns dos jogos mais exigentes (olá Crysis!) não correm de forma jogável por mais que reduzam as definições de qualidade. No entanto, é justo dizer que quanto mais velho o jogo, mais provavelmente vais ter resultados decentes no tablet - e felizmente para nós, o PC tem uma história rica de jogos fantásticos que remontam até décadas. Por exemplo, apesar da sua idade, Half-Life 2 continua a limpar o chão com praticamente qualquer FPS de tablet que possas mencionar e podes joga-lo no Surface Pro a nativos 1080p com as definições no máximo com um nível de performance equivalente a, digamos, NOVA 3 a corer no iPad 4. Baixem os ajustáveis e a resolução e tens uma boa possibilidade de ter 720p60. Avancem uma geração e BioShock corre lindamente a 720p3, ocasionalmente desce abaixo disso, mais frequentemente corre acima.

"O núcleo gráfico Intel HD 4000 não pode competir com gráficas entusiastas mas existe um rico leque de velhos jogos PC que correm lindamente no equipamento modesto."

O Surface Pro tem magras capacidades de jogo comparado com um PC entusiasta, mas o chipset gráfico Intel HD 4000 é uma enorme melhoria sobre os esforços anteriores e lida bem com jogos mais velhos. Aqui corremos Half-Life 2 Episode 2, BioShock e Far Cry a 720p, ajustando as definições para ter a melhor experiência possível. Idealmente gostaríamos de fixar o rácio de fotogramas de BioShock nos 30FPS - os súbitos saltos para 60 são de admirar.

Mesmo quando passamos para a era mais moderna dos jogos, o Pro consegue aguentar-se com mais sucesso do que imaginamos. Rayman Origins perde alguns fotogramas mas joga-se na perfeição a 720p e 1080p, com um aspecto lindo no ecrã de 10.4 polegadas. Inferiorizem as definições para o mínimo e DmC do Ninja Thoery corre com v-sync a 720p com os rácios de fotogramas geralmente acima dos 30FPS e apesar das definições pobres, parece na mesma bem detalhado e corre lindamente. Skyrim do Bethesda também ronda os 720p30 e não tem um aspecto muito pior do que a correr nas consolas. No entanto, a maior surpresa nos nossos testes foi o novo Tomb Raider da Square Enix. Apesar de veres os compromissos, corre bem nas definições baixas. Podes aumentar as texturas para "normal" sem real queda na performance, apesar do jogo ter problemas de streaming nalguns pontos, como podes ver no vídeo em baixo. Wordl of Warcraft requer alguma gestão de expectativas: podes correr suavemente a 1080p nas definições "fair" e 720p em "good", mas contem com quedas na performance em combate intenso e cenas citadinas repletas. Alguns jogos são simplesmente uma causa perdida - inferiorizamos tudo em Battlefield 3, indo ao ponto de o correr a 800x600 e a performance manteve-se firmo abaixo dos 20FPS.

No mundo dos jogos PC, existem poucos jogos optimizados para toque (apesar de Civilisation 5 ser um deles), significando que esquemas alternativos de controlo são precisos. Apesar das capas Touch e Type não serem bons interfaces de controlo para jogos, a inclusão de entrada USB significa que podes usar um comando Xbox 360 na maioria dos jogos, tal como num tablet Android.

No geral ficamos impressionados com a capacidade do Surface para correr jogos PC tendo em conta o orçamento de consumo de 18W, mas existem alguns cortes e alguns bugs que tornam as coisas mais difíceis do que deveriam. Durante o nosso teste de Crysis 2 a 800x600 (18-30FPS se estiveres interessado - quase jogável), o jogo congelou e desse ponto perdemos completamente a capacidade para o Surface alargar resoluções inferiores para 1080p no ecrã IPS. Atualizamos para a mais recente driver Intel HD 4000 para tentar corrigir isto e desbloquear a capacidade de correr em resoluções personalizadas (1024x576 por exemplo) mas suspeitamos fortemente que esta foi a causa do nosso próximo problema: a morte da nossa saída de vídeo mini-displayport, um grande inconveniente quando quisemos capturar os nossos vídeos de análise à performance. Tivemos que fazer reset ao aparelho para definições de fábrica para ter a saída de vídeo novamente a funcionar. Também durante jogos Windows estejam preparados para erros de formato de ecrã e até congelamentos ao virar o tablet para um ângulo que faz o ecrã mudar de retrato para paisagem e vice-versa.

"Uma certa gestão de expectativa é necessária mas o facto é que o Surface pode correr de forma aceitável um leque de títulos modernos a 720p."

Apesar do magro tecto de poder a 18W, o Surface Pro consegue correr jogos mais modernos em resoluções HD e ainda oferecer uma experiência aceitável. Aqui analisamos a performance de Tomb Raider, DmC, StarCraft 2 e Skyrim.

Mas estes são erros, algo que esperamos de um produto de primeira geração, e problemas podem ser corrigidos se a Microsoft colocar mais foco na performance do ambiente de trabalho. Outro grande contra com o equipamento - a pobre duração da bateria - não pode ser tão prontamente abordado. Os jogos precisam de uma boa combinação de poder do processador e gráfica e isso puxa o chip Ivy Bridge aos limites do seu tecto de consumo a 18W. Tendo em conta que o Surface Pro tem uma bateria de 42Whr e que o processador é apenas um componente de muitos a precisar de energia e estamos perante uma diversão de jogos móveis curta.

Correr jogos PC no Surface corta a duração da bateria para o nível dos 90 minutos - algo que limita severamente a flexibilidade do aparelho como plataforma de jogos ultra portátil. Num uso mais geral, dificilmente terias cinco horas de uso antes de pegar no carregador, com perto de quatro horas como alvo mais viável. O Surface Pro pode muito bem oferecer performance de uma maior magnitude que um tablet ARM mais a realidade sóbria é que virtualmente em todas as aplicações, um iPad oferece um aumento de 3x na duração da bateria - e este é indiscutivelmente um dos maiores contras do tablet. O Surface Pro compara-se favoravelmente com a duração da bateria de um ultrabook de 11 polegadas, mas se procuras substituir dois aparelhos com um, realmente precisamos do melhor dos dois mundos e infelizmente o Surface Pro não cumpre.

Microsoft Surface Pro: veredicto Digital Foundry

O Surface Pro recebeu críticas brutais de alguns sectores: não vale nada para substituir um tablet devido ao seu peso, pobre duração de bateria, e o estado pobre do ecosistema da Windows Store, e depois o puro custo da coisa. Como alternativa a um PC notebook, outros reconhecem que não está muito melhor: e menos confortável no teu colo, a posição única disponível para o Kickstand limita os ângulos de visão num ambiente caseiro. Tudo isto é verdade até certo ponto, mas com toda a justiça, é raro encontrar um produto híbrido que sucede de forma compreensível no substituir das melhores ofertas de dois segmentos de mercado muito diferentes.

Olhando além das óbvias fraquezas e as forças do Pro são auto evidentes: oferece a capacidade para correr uma verdadeira experiência caseira Windows em movimento, com níveis de performance PC caseiros a acompanhar. O mais recente SO Microsoft voa neste equipamento, a resposta e fluidez da experiência tablet não tem igual, e tudo dentro de uma carcaça que é ainda mais pequena, leve e fácil de usar que os aparelhos estilo ultrabook de 11 polegadas de topo como o Macbook Air e o Asus Zenbook UX21. Jogos móveis mais tradicionais estão lá se os quiseres, mas o Pro tem os seus “adequados” jogos PC e essa é uma excelente proposta. A performance não vai incendiar o mundo, mas sim, há algo muito, muito fixe em correr os teus jogos PC num aparelho do tamanho de um tablet - especialmente num ecrã tão bem conseguido quanto este.

"A performance não vai incendiar o mundo, mas sim, há algo muito, muito fixe em correr os teus jogos PC num aparelho do tamanho de um tablet - especialmente num ecrã tão bem conseguido quanto este. "

O Surface Pro claramente tem problemas, mas daí também tantos produtos de primeira geração. Apesar dos problemas, é na mesma um aparelho apelativo, oferecendo uma atraente previsão do futuro da tecnologia tablet. Também é claro que a Microsoft e a Intel a trabalhar em conjunto tem muito para oferecer. A criadora do chip já está a trabalhar para melhorar a eficiência do consumo e performance da gráfica. A sua oferta de próxima geração - nome de código Haswell, prevista para o final deste ano - diz-se oferecer uma melhoria de 2x na performance gráfica sobre o Intel HD 4000 e um aumento de 10-15 por cento no poder de processamento, oferecendo suporte para modo Sleep dentro das linhas dos actuais processadores móveis. O tablet de primeira geração surpreendeu-nos agradavelmente com o seu poder para jogos - um Surface Pro de segunda geração baseado no Haswell deve pelo menos colocar-nos a par da Xbox 360 de uma perspectiva de jogos, enquanto esperamos oferece melhor duração da bateria sobre o que temos aqui.

Em termos de qualidade geral, a Microsoft esteve mesmo muito bem com o Surface Pro, mas existe ainda muito trabalho para fazer para criar o híbrido tablet/portátil definitivo. A nivelo do design de equipamento, o Pro é uma obra de arte da miniaturização - especificações de nível ultrabook completo com uma carnagem tablet desenhada lindamente, oferecendo de alguma forma performance excelente sem se tornar muito quente ou muito barulhento. Tendo em conta as partes com que teve que trabalhar, a Microsoft basicamente reunir o melhor equipamento que podia, mas acima do futuro processador Haswell, queremos mais de um produto de segunda geração. Idealmente, aquela entrada mini-displayport deve passar para thunderbolt, dando acesso a níveis PCI Express x4 de largura de banda a aparelhos externos. Adoraríamos imenso ver um pouco de peso e grossura removidos do aparelho para o aproximar das expectativas das massas para a forma de um tablet. Atualmente, neste primeiro produto esperamos ver a Microsoft a corrigir agressivamente os problemas de uso e estabilidade portátil. Um melhor teclado, talvez com baterias integradas, pudesse também mitigar os problemas que o Surface Pro tem enquanto substituto de um convencional portátil enquanto também ajuda a abordar os problemas da duração da bateria.

O surface Pro era um aparelho tão antecipado que nunca poderia cumprir com as exageradas expectativas. Apesar da sua oferta inicial não ser boa para substituir a tradicional combinação tablet/portátil, muitos dos principais desafios do design foram ultrapassados com estilo. Agora é um caso de esperar que a tecnologia em redor acompanhe e que a Microsoft honestamente avalie as fraquezas do Windows 8 nesta oferta inicial e as melhore. O Surface Pro é um produto com muito potencial e mal podemos esperar pela segunda versão: um tablet, portátil e PC de jogos, tudo num só aparelho ultra-portátil - é uma proposta imbatível.

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Richard Leadbetter

Technology Editor, Digital Foundry

Rich has been a games journalist since the days of 16-bit and specialises in technical analysis. He's commonly known around Eurogamer as the Blacksmith of the Future.

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