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Street Fighter IV

Bring it on!

Nascida há mais de vinte anos, a série Street Fighter sempre se impôs dentro dos fighting games pela qualidade da mecânica de jogo e desenvolvimento das personagens, muitas verdadeiro património mundial da indústria, abrindo espaço a uma série de concorrentes e até mesmo evoluções internas que não mais pareciam findar, isto tendo por base o período já algo distante entre 1987 e 1999, correspondente ao primeiro e o último jogo, este, Third Strike, ainda hoje uma séria e flamejante referência entre os fãs. O ritmo imparável da Capcom, sequela atrás de sequela, interrompeu-se na viragem do milénio, ao mesmo tempo que os concorrentes como Sega, SNK Playmore e Namco, entre outros, publicavam novos jogos.

Para a nipónica Capcom, Third Strike era entendido como o último episódio da série e bastião das arcadas. Mas algo teria de ser feito até porque uma nova geração de consolas abreviava caminho e os salões de arcade não esperam por novidades. A questão impôs-se. Não haveria margem suficiente para colmatar o receio de um novo jogo, perante uma audiência alargada aos sistemas caseiros, quiçá mais afastada das arcades e de todo aquele fenómeno dos fighting games na década de 90? Yoshinori Ono, intrépido produtor japonês e filho da casa mãe Cacpom, colheu sensibilidades junto dos fãs e dos adeptos mais próximos, apercebendo-se que um novo Street Fighter teria de ser lançado. Um novo fôlego e esforço capaz de inundar as modernas habitações com todas as memórias transportadas das salas de arcade. Clássico, vetusto e moderno; três grandes adjectivos, de algum modo contraditórios, se perfilaram diante do produtor mas reveladores de um firme desígnio.

As bolas de fogo de Akuma são uma dor de cabeça para os adversários. Instantes depois o avião há-de passar diante deles.

Não perder o carisma e alma da série, sem deixar de alargar os horizontes. Do mesmo modo é difícil perceber o desenvolvimento de um Street Fighter sem a assinatura de Ikeno, o famoso designer da Capcom que tem sido o “ex libris” e suporte das últimas evoluções da série em termos de impacto visual e arte gráfica. E pelo arrojo empregue em todos os aspectos de desenvolvimento é impossível permanecer inerte ao impacto e dramatismo atirado como uma bofetada logo a partir primeiro “trailer” mal o disco gira incessantemente dentro da consola.

Brincando com as duas e três dimensões

A ideia que perpassa muitos produtores, na era das tecnologias emergentes, de aproveitamento das capacidades gráficas de uma consola para gerar mais e mais gráficos de exortação ao realismo desmesurado, não foi a mais sedutora para Yoshinori Ono. Conhecedor da série e convencido que defraudar as expectativas dos jogadores fiéis seria um rude golpe, o resultado final de Street Fighter IV, mais conservador, justifica-se totalmente. Pese embora a progressão para as três dimensões das personagens e respectivas arenas de jogo o plano de combate permanece enquadrado nas duas dimensões, seguindo a composição que tantos frutos rendeu desde SF II. É no entanto desprovido de sentido pensar que SF IV é um jogo ancorado no passado.

Rufus é o rival directo de Ken. Com um restaurante de ali ao perto, não admira que esteja tão gordo. Mas não o subestimem. Tem golpes espantosos.

Pelo contrário, este novo capítulo parte das bases e fundações, em consonância com o esquema de combate da série para finalizar com uma postura mais agressiva e até sedutora dos próprios protagonistas, mais encorpados, criando no jogador uma verdadeira convicção de lutadores com peso e forma, factor esse que acaba por mexer um pouco com a postura a ter durante os combates. A transição das personagens para as três dimensões não poderia ser melhor. Aliás, Third Strike deixara perceber que a caracterização das personagens de um jeito mais animado, em acordo com os imensos sprites nos momentos de impacto com os golpes, causava uma grande sensação de vitalidade e expressão, na linha de Garou: Mark of the Wolves.

Por um lado é essa perspectiva que triunfa, mas agora gizada em três dimensões e por isso, apesar do exagero clamoroso nos atributos físicos das personagens, este novo aspecto dimensiona-as numa nova escala com mais carácter e personalidade, sem que em momento algum se tenha perdido qualquer sinal distintivo. Reconhecem-se à distância, para mais com a vantagem dos acrescentos em cada uma. Ryu, por exemplo, é um lutador atento, de olhar cerrado e com corpo e alma alinhados em uníssono na bravura da batalha. Ken é mais extrovertido e galã cheio de fogo na ponta dos pés. Até os cabelos compridos se movem com o balanço corporal. Aos dois “shotos” junta-se a equipa de lutadores clássica que fez furor em SF II com o aliciante das quatro novas entradas; Crimson Viper, Rufus, El Fuerte e Abel. Mas se este é o grupo que terão inicialmente à disposição, desbloquear todas as outras personagens vai exigir uma atenção especial. Não faltam os grandes bosses como o principal e diabólico Seth, juntamente com Akuma e Gouken, o mestre de Ryu e Ken, pela primeira vez disponível num Street Fighter. Fei Long, Cammy, Sakura, Rose, Dan e Gen completam a lista, formando assim uma das mais apetecíveis de sempre.

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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