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Stranger of Paradise - tanto caos

Tão mau que quase se torna bom.
Um Action RPG divertido, arrasado por completo pelos valores de produção, elenco ridículo e mau enredo.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin foi revelado e tornou-se de imediato num meme, devido ao seu aspeto que nos fazia perceber tratar-se claramente de um projeto de média/baixa escala da Square Enix, mas especialmente pelo design dos personagens e as falas. No meio de tanto caos ficou a esperança de um jogo verdadeiramente especial devido ao desenvolvimento entregue à Team Ninja e à possibilidade de estarmos perante um "Final Fantasy Souls". Stranger of Paradise não é nenhuma calamidade, mas está alguns furos abaixo do que facilmente imaginas para o potencial deste projeto É um jogo com um gameplay simples, divertido e que procura conciliar os conceitos pilares de Final Fantasy com um gameplay Action RPG derivado de Nioh.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin (Stranger) tinha tudo para ser um jogo espetacular e apenas consegue assumir-se como uma curiosidade série B que permanecerá na memória apenas dos mais acérrimos fãs da série da Square Enix. Algumas mecânicas gameplay como o incentivo a trocar frequentemente de Jobs criam grande dinamismo, mas não consegue erguer-se acima do caos que é o enredo e este elenco, sem esquecer os valores de produção que o atiram para o ridículo em imensas cenas.

A Team Ninja (Ninja Gaiden e NiOh), conhecida pela sua estonteante ação eletrizante, consegue aqui uma espécie feitos merecedores de elogios, como o sistema de combate e o equilíbrio da dificuldade para os novatos no género Souls. Afasta-o dessas experiências mais intensas ao remover a barra de Stamina, mas também ao reduzir a dificuldade e simplificar o design dos níveis a corredores. Mas Stranger permanecerá como um jogo muito específico e bizarro, com um público alvo difícil de precisar.

Não é a primeira vez que a Square Enix apresenta projetos de menor orçamento com nomes sonantes para tentar apelar a audiências mundiais e como Nier Automata mostrou, existem bons exemplos dessa abordagem. Stranger of Paradise não consegue o mesmo resultado e isto acontece devido a alguns elementos importantes. Ao invés de uma espécie de Dissidia Souls, a Square Enix e a Team Ninja apostaram num elenco original desprovido de qualquer carisma, Jack o protagonista transforma um enredo de 300 páginas num de 2 com os constantes grunhidos e respostas de uma palavra, enquanto o design do elenco é fraco. Apostar num elenco de personagens já conhecidas aumentaria exponencialmente o charme do jogo, mas não é isso que temos. Também não tens uma personagem com o design de uma 2B, por exemplo, algo que ajudaria imenso a tornar o jogo mais apelativo. Os diálogos também são maus e existem demasiadas situações embaraçosas, que ofuscam qualquer possível encanto.

"Stranger of Paradise desde logo parecia uma espécie de meme, mas consegue envergar diversão suficiente para se tornar numa espécie de clássico de culto que dará que falar durante muitos anos."

Stranger é um jogo visualmente muito simples, com diversos elementos datados como o modelo dos protagonistas (que parecem saídos do editor de NiOh 2), até existem elementos vindos desses jogos, desde animações a partes dos cenários. Os níveis sofrem ainda com uma elevada linearidade e não esperes ver aqui o design de NiOh com caminhos alternativos ou áreas de maior escala, com forte foco nos atalhos e com uma elevada sensação de risco e recompensa. Stranger até poderá parecer um souls, mas com um design de corredor para a esmagadora maioria dos níveis, sem qualquer impacto ou especial foco em atalhos, sem barra de Stamina e sem especial dificuldade, é melhor olhar para ele como um Action RPG que despe NiOh das suas exigências para se tornar eletrizante, acessível e simples.

Stranger começa como uma espécie de recriação do primeiro Final Fantasy e ao longo dos níveis vai homenageando cada um dos jogos da série principal. O enredo até podia resultar, mas os personagens agem de forma tão pateta que se torna embaraçoso. Não sei se foi por falta de orçamento ou conhecimento ou até propositado, mas o jogo torna-se cómico sem o querer ser e as personagens movem-se de forma tão estanha que custa pensar que é um jogo de uma companhia com o estofo da Square Enix. É um daqueles "tão maus que se tornam bons", um jogo série-B que não entendes se é propositado ou não.

A melhor forma de explicar o quão básico é o design da maioria das masmorras é dizendo que podes chegar ao boss entre 7 a 10 minutos e só mesmo esse último desafio será algo realmente a ter em conta. Existem imensas boss fights divertidas e desafiantes que te vão forçar a procurar melhor equipamento, tentar diferentes Jobs e táticas (Jack pode alternar em tempo real entre dois, mas existem mais de 20 divididos em 3 patamares) e desafios extra para passar mais tempo no jogo. Mas o caminho até esses bosses pode ser demasiado simples.

A Team Ninja criou uma espécie de Nioh simplificado, sem a stamina e com dificuldade reduzida. Stranger é um Action RPG que tenta aquele design no qual chegar ao fim pela primeira vez será o início, pois terás acesso a nova dificuldade e os Jobs sobem de nível 30 para 99, o que expande de forma significativa o gameplay. Até lá, terás de entrar nos níveis, eliminar rapidamente monstros vindos dos jogos Final Fantasy, obter melhor equipamento e subir o nível de cada Job para desbloquear habilidades, afinidade ou mais Jobs. Isto permite-te alternar entre, por exemplo, um White Mage ou Sage para buff e cura de forma rápida, com uma classe de ataque como Paladin ou Dark Knight e em tempo real ajustar a estratégia. É um dos melhores elementos desta experiência, a forma como a Team Ninja adaptou o seu vistoso combate brutal e eletrizante para as classes, magias e habilidades tão características da série.

Este Action RPG que poderia até ser posicionado como um Souls, descarta a barra de Stamina para se tornar mais dinâmico, mas ainda existe profundidade e estratégia. Poderás proteger-te dos ataques e, se o timing for perfeito, estás a poupar a tua barra de proteção, que se for quebrada deixa-te completamente aberto aos ataques durante alguns segundos. Podes optar por te desviar, mas isso poderá não ser feito a tempo ou na melhor direção e sofres dano na mesma. Além disso, podes optar por absorver o ataque (se for magia podes usá-la nos inimigos) para trocar HP por MP, essencial para os ataques especiais e as magias de cura ou ataque. Sem o elemento stamina a interferir na estratégia, fator importante para estabelecer aquela tal experiência em que cada confronto é um duelo que te pode derrotar, é o MP que tens de gerir e sacrificar quando perdes.

Cada habilidade ou magia gasta MP e ataques físicos recuperam o MP, que também pode ser recuperado ao executar golpes finais impiedosos (além da já referida mecânica de absorver golpes). Esta é a principal estratégia que terás de ter em conta pois não vais querer ficar a meio de um combo físico sem a possibilidade de executar um extensor de combo que drena a break gauge do inimigo e o deixa de imediato à mercê do golpe final. Sem Stamina e apenas o sacrifício do MP quando perdes, Stranger posiciona-se de imediato como um jogo diferente e mais brando, muito distante dos impiedosos Souls ou Nioh. A cada novo nível obténs equipamento de nível superior ao derrotar inimigos, ganhas XP de Job e quando chegas ao boss tens de ter calma e estratégia, mas até lá é um martelar de botões que não se enquadra numa experiência Souls.

Série B com boas ideias, mas uma execução caótica

Stranger of Paradise parece um jogo feito à pressa, com pouco orçamento ou talvez as duas. É um projeto que no papel tinha tudo para funcionar, mas parece ter sido feito sem a necessária ambição. É um daqueles exemplos de série B pronto para figurar como clássico de culto, tão mau que se torna bom, mas existem aqui imensas coisas que podem conquistar os adeptos dos Action RPGs. Sem a dificuldade, profundidade ou sensação de risco vs recompensa de Nioh ou Souls, Stranger of Paradise é uma experiência muito mais simples e fácil, com um gameplay que ostenta alguma eletricidade, mas cuja imagem desajeitada e falta de carisma o prejudicam.

Prós: Contras:
  • Gameplay simples, mas dinâmico e divertido
  • Sistema de Jobs transporta habilidades e magias bem conhecidas para um novo formato
  • A banda sonora tem muitas músicas de grande qualidade
  • Qualidade gráfica, especialmente no modo Performance
  • Design extremamente linear dos níveis
  • Demasiado fácil e sem algumas das principais filosofias do género Souls
  • Personagens sem carisma e enredo mal desenvolvido

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Sobre o Autor

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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