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Steelrising - Diversão comprometida

A vertente técnica deixa a desejar.
É percetível que Steelrising é um jogo para fãs de Soulslike feito por fãs de Soulslike, com uma boa compreensão do que torna apelativo o género. No entanto, é demasiado simples e linear para incentivar-te a tolerar as fragilidades no desempenho e design.

Steelrising é o mais recente esforço da francesa Spiders. Uma equipa que após entregar Greedfall, uma espécie de carta de amor a jogos como Dragon Age, decidiu dar asas à sua paixão pelos populares Soulslike. Combinado com a sua identidade, a equipa deu um cunho pessoal ao género ao apostar na Revolução Francesa como palco para os eventos, indo ainda mais longe ao introduzir uma realidade alternativa, marcada por robôs e autómatos.

Este é um daqueles projetos que mostra claramente a vontade da equipa em encontrar o seu espaço dentro de um género popular, pegando na esmagadora maioria das ideias que o popularizaram e tentando diferenciar-se com um toque próprio, por mais pequeno que seja. É também um daqueles jogos que considero agridoce, um jogo que sem fazer nada de propriamente errado, também não consegue fazer nada realmente merecedor de destaque.

Diria até que Steelrising tem como destaque ser um Soulslike de dificuldade personalizável, que te leva para esse marcante período histórico em França, cuja temática consegue mais destaque do que qualquer possível mérito no gameplay. Relativamente simples e linear, Steelrising é um Soulslike que facilmente se tornará banal para os mais batidos no género, mas talvez melhor indicado para os menos habituados.

A Spiders transporta-te para a Revolução Francesa e os robôs do rei atacam os cidadãos. Caberá a uma Aegis, automata capaz de lutar, salvar o dia e mudar o rumo dos acontecimentos nesta realidade alternativa. Isto significa entrar em níveis para enfrentar inimigos que te podem derrotar facilmente, abrir atalhos para não efetuar todo o caminho já feito se deslizares (o pânico da tua XP toda estar ali perdida) até chegar ao boss e avançar na narrativa.

Diria que sem a eletricidade da série NiOh ou a mestreia da From Software para os seus geniais jogos, a Spiders diferencia Steelrising pela temática e pelo forte foco na narrativa. Todos os conceitos são os mesmos, aplicados à Aegis, mas exatamente os mesmos. Ela ataca e desvia-se dos ataques (a velocidade e dano varia de acordo com a arma, tal como a possibilidade de usar um escudo), mas tens de ter em conta a sua stamina para não ficares sem energia e à mercê de devastadores ataques.

Em certas áreas dos níveis existem Titãs, robôs de maior porte que representam as boss fights ou desafios opcionais, lutas mais difíceis que exigem o uso de armas ou ferramentas com dano de elemento. Granadas de gelo ou explosivas, por exemplo, para os atordoar, pistolas com dano de gelo ou eletricidade, Steelrising incute maior dinâmica nestes combates devido a esta faceta do gameplay. Mas qualquer inimigo pode derrotar-te facilmente, especialmente os que atacam de forma repetida e nas áreas com vários inimigos que te perseguem.

Enfrentar cada inimigo como se fosse um duelo para ganhar XP e sentir a sensação de risco vs recompensa, para lutar contra mais inimigos e amealhar mais XP sem perder a que temos para subir de nível, isso está presente em belo efeito em Steelrising. A sensação que é importante escolher bem onde usar a XP ganha com dificuldade para melhorar a defesa, ataque ou vida, por exemplo, também está presente e és incentivado a explorar para obter itens que te ajudam a melhorar armas, frascos de óleo para recuperar vida e itens que podes usar nos combates.

Steelrising é um Soulslike direto e simples, com gameplay muito familiar e sem surpresas. Não encontrarás originalidade ou engenho, pouco carisma, mas encontrarás alguma diversão. O problema é a falta de criatividade no design de níveis e inimigos, o que juntamente com os problemas de desempenho e sacrifício que os 60fps têm na qualidade de imagem (resolução e detalhe gráfico ao jogar na PS5) fragilizam a experiência.

Com um melhor desempenho e menos sacrifícios na componente visual para jogar a 60fps numa consola de atual geração, Steelrising poderia ser um caso de um aluno que copia a maioria do teste e consegue um satisfaz. Sem isso, é um satisfaz menos que tomou quase tudo de emprestado e não consegue equilibrar com originalidade para conquistar. Ainda assim, poderá atrair fãs de Soulslike que adoram este tipo de experiências.

Prós: Contras:
  • Gameplay simples, mas competente o suficiente
  • Possibilidade de personalizar a dificuldade
  • Curiosa temática de uma Revolução Francesa com robôs
  • Feito por fãs de Soulslike para fãs de Soulslike
  • Qualidade gráfica deixa imenso a desejar
  • Design de níveis demasiado simples e linear
  • Desempenho deixa a desejar
  • Design de inimigos e boss fights deixa imenso a desejar

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Sobre o Autor

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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