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Steam Deck review - A consola portátil de sonho?

A inesperada consola da Valve é surpreendente.

Na pele de alguém que acompanha profissionalmente esta indústria há mais de 12 anos, é fascinante olhar para trás e ver as flutuações que existem no mercado. Se há uns anos alguém dissesse que a Valve estava a preparar-se para lançar uma consola portátil, todos desatavam a rir, mas foi isso o que aconteceu em Fevereiro do ano passado.

É ainda mais interessante ter testemunhado o revivalismo das consolas portáteis, que de acordo com algumas previsões, deveriam estar mortas e enterradas perante o mercado mobile dos smartphones. É certo que este mercado é gigantesco, mas o público dos videojogos cresceu e hoje há espaço para tudo.

Muito deste revivalismo tem que ser atribuído à Nintendo Switch, uma consola dois em um, juntando o conceito de consola caseira e portátil. Se não fosse o sucesso da Nintendo Switch, não sei se hoje teríamos a Steam Deck e outras consolas como a Analogue Pocket.

Steam Deck - Uma portátil com as vantagens do PC

O instinto primitivo perante uma Steam Deck é fazer um comparativo com a Nintendo Switch. Ambas partilham o factor da portabilidade, mas são "bichos" muito diferentes. A consola da Nintendo continua a ser uma consola, a Steam Deck vai mais além. Tem o formato de uma consola, porém, na prática é mais parecida com um computador portátil.

A grande vantagem da Steam Deck é que obténs as melhores vantagens dos dois mundos. A interface é simples de utilizar, como uma consola, e no caso dos jogos verificados, não tens que perder tempo a alterar as definições para fazer optimizações - o jogo vai correr automaticamente nas melhores condições possíveis para a Steam Deck.

Para os utilizadores que gostam de esmiuçar as possibilidades e personalizar a experiência, a Steam Deck não desilude. Podes alterar todas as definições de um jogo como no PC, alterar a taxa de atualização do ecrã da consola (o limite são 60 Hz), limitar o CPU e GPU para poupar bateria, e ver todas as estatísticas de desempenho em tempo real.

Uma vasta biblioteca de jogos

A consola da Valve é especialmente atrativa para os jogadores do PC de longa data, que têm uma vasta biblioteca de jogos no Steam. Desta forma, logo à partida têm acesso a uma grande quantidade de jogos. Neste momento, já há mais de 7000 jogos verificados para a Deck (consideravelmente mais do que a Nintendo Switch). O número deve continuar a crescer rapidamente nos próximos tempos.

E para quem não tem jogos, é mais fácil compor uma biblioteca através da Steam do que em outra plataforma devido às promoções mais agressivas. Os jogos do PC têm tendência para baixar de preço mais rápido do que nas consolas, e os descontos costumam ser maiores. Também já existe uma secção na Steam para jogos verificados para a Deck, o que torna o processo mais fácil.

Embora apenas o Steam venha instalado na Deck, a abertura do software permite que, sem grandes complicações, instales outros launchers. O Heroic Game Launcher é especialmente útil, porque permite aceder e instalar jogos da tua biblioteca na Epic Games Store e GOG. Experimentei instalar vários jogos que obtive de oferta na Epic Games Store e funcionaram sem problema (no entanto, pode acontecer que tenhas de ajustar algumas coisas).

E quanto a emuladores?

Os emuladores são uma área cinzenta em termos legais. Não é que haja alguma coisa de errado na emulação, mas pode estar de mãos dadas com a pirataria. Aliás, muitas vezes as ROMs necessárias para emulação estão alojadas precisamente em sites de pirataria. Dito isto, e como já tinha referido, a Steam Deck é basicamente um PC portátil. É perfeitamente possível instalar emuladores se assim quiseres (e funcionam bem). Não te vou ensinar como fazê-lo, mas é fácil encontrar dezenas de guias.

Design, ergonomia e materiais

No design não passa de uma consola genérica. É um enorme bloco negro e não deslumbra ninguém. Mas no que realmente importa, a Steam Deck cumpre. A consola é pesadona, marcando 669 g na balança. É mais do dobro comparativamente a uma Nintendo Switch OLED. Porém, apesar desta "massa" toda, é ergonómica. O peso está bem distribuído e, por ser tão grande, é mais fácil de segurar para um adulto do que a consola da Nintendo, em que precisas de contorcer os dedos.

Os materiais são de qualidade. A carcaça da consola é rígida e estável (isto é, não se dobra facilmente), o que é surpreendente tendo em conta o seu comprimento. Os analógicos estão muito próximos daqueles que tens nos comandos da PlayStation e Xbox. O D-Pad é maravilhosamente macio, o que vai poupar o teu polegar esquerdo em jogos de luta. Os gatilhos são, de facto, gatilhos, e não apenas um botão normal (que é o que acontece na Nintendo Switch, por exemplo).

A Steam Deck não tem apenas todos os botões e o mesmo layout de um comando normal, na parte de trás inclui quatro botões adicionais (dois de cada lado), uma característica que tipicamente está reservada para comandos profissionais. Estes botões têm a resistência perfeita - não vais carregar neles por acidente, mas não precisas de exercer uma força excessiva para os ativar.

Por último, há ainda dois trackpads com feedback háptico na parte frontal. São ideais para jogos de estratégia, em que podes usá-los para navegar pelo mapa, e para escrever no teclado virtual da consola. A personalização do layout dos controlos permite atribuir outras funções ao trackpad

Personalização

Os botões todos que acabei de referir acima não são a única forma de personalizar os controlos da Steam Deck. A consola também tem um giroscópio embutido, que pode ser usado para controlar a direcção da câmara ou da mira em todos os videojogos que tenham esta função. A Steam Deck permite-te criar um layout diferente para cada jogo e guardá-lo. Esta função está integrada na UI da consola e podes aceder depois de iniciares um jogo, carregando no botão Steam e depois no direita do D-Pad. Em suma, tens uma mão cheia de opções para personalizar os controlos ao teu gosto.

Ecrã

A Steam Deck usa um ecrã IPS LCD de resolução 1280 x 800 e com 60 Hz de taxa de atualização. O ecrã não é OLED, como o modelo mais recente da Nintendo Switch, mas tem melhor fidelidade de cores e brilho do que o ecrã da Nintendo Switch padrão. O modelo que recebemos da Valve é o de 512 GB, o mais caro e o único a incluir uma camada antirreflexo.

Se tens intenções de jogar na Steam Deck fora de casa, a camada antirreflexo é uma grande mais valia. Em dias com muita luminosidade, consegues jogar ao ar livre com facilidade. Não podes jogar com a luz do sol a incidir directamente no ecrã, mas basta encontrares uma pequena sombra e com facilidade percebes o que está a acontecer no ecrã.

O ecrã tem um pico de luminosidade de 400 nits, mais do que qualquer modelo da Nintendo Switch. Porém, numa comparação directa com a Switch OLED, a Steam Deck fica a perder nos contrastes e vivacidade das cores. É normal, a tecnologia OLED continua a ser a melhor no que toca a reproduzir qualidade visual dos jogos.

A Steam Deck não faz, apesar disso, má figura. Tem um bom ecrã para jogar.

Desempenho

No que toca a desempenho, a Steam Deck é a melhor portátil que vais encontrar. O processador Zen 2 da AMD combinado com a arquitetura RDNA 2 permitem à consola correr qualquer jogo moderno. Testei as suas capacidades sobretudo com God of War e Marvel Spider-Man, os jogos mais exigentes na minha biblioteca da Steam.

A consola tem potência para correr qualquer um dos dois a 60 FPS, em qualidade média ou baixa. Há ocasionais quedas, às vezes abaixo dos 50 FPS, mas não é grave o suficiente para estragar a experiência. Sendo a Steam Deck um PC portátil disfarçado, podes claro aceder às definições e tentar optimizar ainda mais o desempenho.

Podes limitar os FPS e reduzir a taxa de actualização do ecrã. Até podes ativar a opção de TDP para limitar a energia consumida pela CPU, mas não recomendo se quiseres correr jogos exigentes - a queda no desempenho é considerável.

Bateria

É a parte mais fraca da Steam Deck. As estimativas oficiais da Valve dizem que pode durar entre 2 a 8 horas. Na minha experiência, nunca durou mais de 4 horas. Títulos como God of War e Spider-Man, se tiveres como alvo os 60 FPS, esgotam a bateria da consola em pouco mais de uma hora (no nosso teste, a bateria foi dos 98% aos 5% em 1h03m, com God of War). Até num jogo menos exigente como Vampire Survivors, não excedeu as quatro horas.

Podes fazer alguns ajustes para a bateria durar mais, dependendo do jogo que quiseres jogar. Mas pessoalmente, gosto da Steam Deck precisamente pela possibilidade de poder jogar sem compromissos fora de casa. A bateria vai num instante? É certo. Podes recorrer a um powerbank, ou então, ligar a consola à corrente se houve uma tomada por perto. A bateria dos modelos mais recentes da Switch dura mais, porém, a consola da Nintendo não é tão potente.

Os modelos de 256 e 512 GB incluem uma bolsa de transporte, com espaço para o carregador oficial. Deu-me muito jeito para levar a consola em segurança de um lado para o outro e para nunca me esquecer do carregador.

Modelos da Steam Deck - Qual é que compensa mais?

Atenta que a diferença nos três modelos da Steam Deck vai mais além do espaço de armazenamento. A velocidade do armazenamento (factor importante para os loadings) é diferente, em sentido ascendente. A velocidade do modelo base é a mais inferior, no meio está o modelo de 256 GB, e o modelo de 512 GB é o que tem a memória mais rápida.

Os loadings no modelo que testámos (512 GB) são rápidos. Não tão rápidos como uma PS5 ou Xbox Series, mas não duram mais do que alguns segundos. Todos os modelos têm ranhura para cartão MicroSD, uma solução para aumentar o espaço de armazenamento e transportar mais jogos.

A melhor relação entre qualidade / preço está no modelo intermédio. Mas, se vais jogar fora de casa, recomendamos o modelo de 512 GB pelo ecrã de vidro com anti-reflexo. Para aquilo que oferece, o preço da Steam Deck é apropriado. Nenhum modelo tem um valor injusto.

Dá para ligar à televisão / monitor?

Sim, é possível, mas a dock não está incluída na embalagem, diferente do que acontece com a Nintendo Switch (com a excepção do modelo Lite). A dock oficial da Valve custa 99 euros, se bem que já existem umas quantas alternativas third-party e com preços mais acessíveis. Apesar da potência da Steam Deck, não esperes conseguir jogar confortavelmente a 1080p ou resolução superior, a não ser que sejam títulos pouco exigentes. A consola tem suporte para FSR da AMD, por isso podes sempre correr o jogo nativamente a 720p e usar esta tecnologia para fazer upscale para 1080p.

Steam Deck - A consola portátil de sonho

Chegamos ao final da review, prontos para deitar fora o ponto de interrogação do título. A Steam Deck não é perfeita, mas é a consola portátil de sonho para os adeptos do formato. É poderosa o suficiente para correr qualquer jogo moderno que seja lançado no Steam. É uma fantasia tornada realidade.

O apoio que a Steam Deck tem recebido dos produtores tem sido fantástico. Na maioria das vezes, os jogos já estão verificados para a portátil no dia de lançamento, como tem sido o caso dos títulos da PlayStation. É surreal poder jogar títulos como God of War, Death Stranding, Cyberpunk 2077, Elden Ring, entre outros, em qualquer lado e com esta qualidade.

Para aqueles que, inevitavelmente, vão perguntar como se compara frente à Nintendo Switch, a resposta é esta: a Steam Deck é uma plataforma mais completa e com mais possibilidades. Não tem os exclusivos da Nintendo, que são o motor do apelo da Switch, mas permite jogar muitos outros títulos que na consola da Nintendo tens que esperar por um port.

Para quem procura uma consola portátil, a Steam Deck é uma das melhores compras que podes fazer.

Prós: Contras:
  • Um PC portátil em forma de consola
  • Tem potência para correr todos os jogos modernos
  • Design ergonómico e qualidade de construção
  • Já tem uma enorme lista de jogos verificados no Steam
  • Botões adicionais e personalização do layout
  • Ecrã com camada antirreflexo no modelo de 512 GB
  • SO aberto permite instalar jogos fora do Steam
  • A bateria dura pouco
  • Um futuro modelo com ecrã OLED parece inevitável
  • Ligar a um ecrã está dependente de acessórios opcionais

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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