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Star Fox Guard - Análise

Apertado sistema de segurança.
Uma abordagem peculiar dos tower defense patrocinada pelo Gamepad. Não é uma experiência faustosa mas torna-se desafiante e divertida.

Estão a ver a imagem do segurança diante uma dúzia de monitores apontados às entradas de uma torre, como aquele do edifício onde foi gravado o Assalto ao Arranha Céus? Agora imaginem que desempenham as mesmas funções e que sobre as palmas das vossas mãos está o GamePad da Wii U, podendo seleccionar e manobrar cada uma das câmaras à vossa disposição através do ecrã táctil e usando um dos gatilhos do comando para disparar - tipo lasergun - sobre os intrusos até os reduzirem a montinhos de metal envoltos numa nuvem de fumo. Basicamente é este o conceito de Star Fox Guard, a mais recente entrada no tipo "tower defense", no qual o objectivo passa por defender a fortaleza das múltiplas investidas do inimigo.

Desenvolvido inicialmente como Project Guard pela mente de Shigeru Miyamoto, o derradeiro esquema de comandos assentou numa espécie de sistema de vigilância sob a forma de um Star Fox alternativo ligado com jogabilidade dual. Isto é, para cumprirem as missões principais e adicionais que terão pela frente numa mão cheia de planetas, terão de monitorizar muito bem a vossa fortaleza (uma unidade de prospecção de metal), acompanhando o avanço dos inimigos ao longo das várias entradas, usando para isso as câmaras de segurança. O GamePad funciona como a plataforma que vos deixa interagir facilmente, podendo encontrar a melhor perspectiva para neutralizar o inimigo.

"para cumprirem as missões principais e adicionais que terão pela frente numa mão cheia de planetas, terão de monitorizar muito bem a vossa fortaleza"

O exército inimigo é composto por um número quase infindável (enciclopédico) de criaturas robóticas. São todos muito diferentes, altos e pequenos, com radares e sob a forma de bolas, sem esquecer os temíveis "bosses". Muitos deles são como carne para canhão, sendo facilmente anulados, enquanto que outros - mais inteligentes - obrigam a um esforço redobrado na tentativa de neutralização, ora porque avançam mais depressa, escapando ao nosso sistema de vigilância na tentativa de chegarem ao centro, ora porque bloqueiam as câmaras sujeitando-nos a trabalhos redobrados.

Não há dúvida que Star Fox Guard é uma experiência original e criativa, feita à medida do potencial do comando da Wii U, dando até a sensação de que na comparação com Star Fox Zero nos parece mais natural e equilibrada a incorporação do sistema de controlo do sistema de segurança no ecrã táctil do GamePad. Nele podemos efectuar um conjunto de acções, entre as quais mudar a perspectiva para um ponto do nosso interesse ou afectar "power ups" a determinadas câmaras como os disparos automáticos e com pontaria sobre os inimigos (quando estes surgem em forma de grupo). É de facto uma experiência desenvolvida com base num grau de risco menor, eventualmente mais comedida, mas nem por isso menos estimulante do ponto de vista do desafio. Muito embora os primeiros níveis revelem uma simplicidade por vezes excessiva, e capaz de provocar uma ideia algo lisonjeira da experiência, não leva muito tempo até serem colocados à prova num jogo que introduz de forma apreciável novas regras ao que tinham inicialmente dado por assente.

Não é só o caso dos "power ups" e das mudanças que podem levar a cabo no vosso sistema de segurança. O padrão de ataques dos inimigos é diferente e as mais variadas e novas circunstâncias (decorrentes por exemplo das especificidades dos planetas ou dos bosses) afectam o desempenho, por vezes de forma drástica, arruinando facilmente o vosso jogo. Num planeta árido e poeirento, a areia levantada pelo vento causa interferências na imagem e perturba a observação do inimigo, ainda que de forma temporária. Isto requer uma gestão e movimento rápido das câmaras. A interacção é constante entre o comando e o monitor. Com várias entradas por onde o inimigo pode avançar, estes percalços facilitam a tarefa ao adversário, pelo que devemos agir com perícia e rapidez, eliminando os inimigos quase à primeira.

Esperava que existisse mais alguma imprevisibilidade e mudança de percursos dos inimigos no caso do jogo terminar a favor do adversário. Como as criaturas robóticas mantêm o percurso fica mais fácil descobrir por onde entram e avançam, aplicando o disparo no momento certo. De resto a apresentação do jogo é bastante simples, sem grandes visuais ou grafismo apurado. Mesmo no desenho dos bosses nem sequer é muito notável mas cumpre. Estamos de facto perante um jogo bem mais desenvolvido do ponto de vista do conteúdo e mecânicas do que da forma.

Neste nível temos imensos inimigos, muitos usam escudos e só podem ser atingidos pelas costas, devendo por isso recorrer a outra câmara.

Star Fox Guard tem uma história, não muito desenvolvida, mas tem que ver com a existência de uma empresa de recolha de metais, liderada por Grippy Toad e denominada Corneria Precisous (my preciooous!) Metals Ltd. A interface é algo próxima da que nos é facultada em Star Fox Zero, sendo que as vozes das personagens que interagem no começo e durante as missões (congratulando-nos pelas provas superadas) são emitidas através do sistema de som montado no comando da Wii U, sendo por isso conveniente empurrar o volume para o máximo.

"Além das missões principais, terão missões extra"

Além das missões principais, terão missões extra, quase todas uns furos acima em grau de dificuldade, o que significa que se o nível de desenvolvimento da vossa estrutura não for igual ou superior terão dificuldades em superar a missão, podendo nem sequer ter acesso a ela. De resto estas missões garantem mais alguma longevidade, não sendo a aventura principal muito longa embora vos sujeite a um tremendo desgaste especialmente quando se avoluma o exército inimigo e os robôs da pior espécie decidem semear o caos.

Os mapas são interessantes, embora a aplicação da mesma mecânica, apesar dos esforços no sentido de injectar novas variantes, possa levar a uma repetição da experiência neutralizando um pouco aquele efeito novidade. Interessante a opção que - numa fase mais avançada do jogo - vos permite criar o vosso exército de "bots" e partilhá-lo com outros jogadores, espalhando caos e desafio pela internet. O sistema de funcionamento é bastante acessível e se seguirem os passos certos não terão dificuldades em criar a vossa equipa, podendo desafiar os vossos amigos.

Podendo ser tomado como um jogo menor por acompanhar Star Fox Zero e algo lisonjeiro na sua apresentação, esconde no entanto uma mecânica dual suficientemente complexa, divertida e desafiante. Diferente do ponto de vista das missões a que nos habituamos encontrar em Star Fox, resulta bem neste formato de jogabilidade dual. Talvez não seja o jogo que Miyamoto ambicionava, no entanto, tendo em conta o preço e as particularidades do sistema dual, mais sólido e ajustado a um desafio constante, Star Fox Guard não se apresenta como a reinvenção dos "tower defense" embora aborde o género com rasgos criativos interessantes.

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Sobre o Autor

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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