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Soul Hackers 2 - um primo distante de Persona 5

Mais básico e feio.
Imagina um primo afastado de Persona 5 que é mais básico e feio, sem o seu glamour ou charme, mas que partilha imenso do que o torna num dos melhores jogos jamais feitos no Japão.

A Atlus apresentou Soul Hackers 2 e continua a expandir o universo de Shin Megami Tensei, especialmente compreensível agora que todo o mundo está mais atento aos seus esforços após Persona 5. Isto sem esquecer a euforia em torno da chegada da série Persona a mais plataformas. Desde já posso dizer que Soul Hackers 2 é um dos JRPGs que mais confuso me deixou, pois é um jogo com muitos elementos que adoro de outros jogos da Atlus, mas com uma execução muito mais simples, monótona e sem fazer nada de propriamente errado, também não consegue ostentar aquele eletrizante engenho que pauta as mais deslumbrantes experiências da Atlus.

Como não podia deixar de ser, Soul Hackers 2 transporta-te para Tóquio com o fim do mundo iminente. Uma entidade superior recruta duas inteligências artificiais que assumem o corpo de duas jovens mulheres para percorrerem um lado escondido da cidade e salvar o mundo com a ajuda de humanos com poderes especiais, como recrutar demónios que os ajudam nos combates.

O mundo e narrativa de Soul Hackers 2 estão repletos de mistério e personagens intrigantes (mesmo que o design esteja a léguas de distância do que vimos em jogos como Persona 5), mas a constante navegação por menus e a quantidade de loadings poderá causar alguma fricção na experiência. Já agora, quero referir que Persona 5 é apresentado como um fácil ponto comparativo pois existe imenso de comum entre ambos. Diria até que esse espetacular JRPG de 2017 é a base sobre a qual Soul Hackers 2 foi construído, sempre com a simplicidade em mente. Dito isto, imagina um jogo no qual o objetivo é explorar masmorras estilo os Mementos e talvez comeces já a ter uma ideia do que é Soul Hackers 2.

Ao navegar nos menus para visitar locais de estética anime que tenta capturar as sensações e estilo de Persona 5, assistirás a conversas que avançam a ação e eventualmente estarás constantemente a entrar em masmorras. O design delas é muito simples e linear, tornando monótona a sua exploração e visualmente o design apenas reforça essa sensação. O sistema de combates também é extremamente similar ao desse jogo que já referi tantas vezes, por turnos e focado em descobrir as fraquezas dos inimigos e usá-las para criar stacks que permitem terminar a ronda com um ataque geral devastador.

O sistema de combate de Soul Hackers 2 não tem nada de novo e é mais simples do que outros jogos da Atlus, mas ainda consegue divertir. A experiência é difícil e poderás perder frequentemente, sempre a queimar MP à procura das fraquezas e o grind poderá exigir mais tempo entre masmorras. Isto apenas realça a simplicidade das masmorras, e como os visuais cansam, mesmo quando Soul Hackers 2 até tem estilo noutras áreas. Se gostas de Persona ou Shin Megami Tensei, a maior simplicidade de Soul Hackers 2 não significa ausência de dificuldade e isso agrada, pois é algo que associamos a SMT e derivados. Mesmo que seja em pesos variáveis.

Com navegação de menus que cortam um pouco a imersão, masmorras cujo design extremamente simples e monótono, não fica muito distante do melhor da Atlus, Soul Hackers 2 compensa com um bom desafio, narrativa intrigante e mesmo sem o brio dos melhores jogos desta companhia japonesa, ainda consegue divertir. Parece um JRPG Atlus para os menos habituados às suas propostas, mas capaz na mesma de atrair os veteranos. É por isso que fiquei surpreendido com Soul Hackers 2. Existe muito que deixa a desejar e quase parece evidenciar um projeto de escala muito humildade, mas também tem muito de bom ao estilo Atlus que é capaz de te manter agarrado.

A qualidade visual e a banda sonora são bons exemplos disto. Não fazem nada de propriamente errado, mas são muito simples e mais enquadrados com um projeto de menor escala que não esconde a incapacidade de mostrar a mesma ambição que marca outros projetos Atlus. Masmorras que são corredores autênticos, design demasiado simples e os mesmos monstros de sempre não lhe fazem favores onde mais conta, mas os gráficos criados com o Unity transmitem uma forte sensação anime e fora das masmorras existem imensos locais que dão gosto conhecer.

Soul Hackers 2 é um primo afastado de Persona 5 e no qual a Atlus não revela o mesmo nível de engenho. O design das masmorras é muito mais simples e linear, visualmente não tem a mesma classe e estilo artísticos, as personagens não têm apelo e a narrativa (construída em torno de um mundo intrigante) não consegue ostentar a mesma capacidade de fascínio. Soul Hackers 2 é um jogo simples e consegue entreter, mas não tem o mesmo brilho esplendoroso dessa memorável referência da Atlus.

Prós: Contras:
  • Combates por turnos focados em descobrir as fraquezas dos adversários
  • JRPG difícil e que desafia
  • Mundo fascinante que captará a atenção do teu imaginário
  • Gestão intuitiva dos personagens
  • A qualidade gráfica deixa a desejar
  • Design em corredor das masmorras
  • Navegação por menus corta alguma da imersão
  • Não existem personagens capazes de te conquistar.

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Sobre o Autor

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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